
Silvia Helena Paluan Fassina é professora da rede estadual de ensino há 36 anos e pedagoga por vocação. Ao longo dessas décadas em sala de aula, ela acompanhou de perto os impactos que a presença, ou ausência, do pai pode causar na vida de uma criança. Na presente matéria especialmente feita para o Dia dos Pais, ela compartilhou não apenas sua opinião, mas a experiência de quem observa, estuda e vivencia diariamente os desafios da educação infantil e juvenil.

“A figura paterna, tão debatida e, por vezes, negligenciada, vai muito além de prover financeiramente o lar. Seja o pai biológico, o padrasto ou qualquer homem que assuma esse papel com afeto e responsabilidade, sua presença é essencial para o desenvolvimento pleno dos filhos”, afirmou.

Para a educadora, durante muito tempo a sociedade atribuiu à mãe a responsabilidade quase exclusiva de educar, cuidar e formar os filhos. Essa visão, no entanto, não se sustenta mais. “A pedagogia moderna é clara: a educação de uma criança é um processo conjunto, colaborativo, onde pai e mãe, com suas formas únicas de interagir, oferecem um repertório mais amplo de vivências e aprendizados”, disse.

Explicou que enquanto a mãe, frequentemente, representa o acolhimento e a proteção, o pai muitas vezes assume o papel do “mundo exterior”, do estímulo ao desafio, da exploração e da autonomia e, essa dualidade é extremamente saudável.

“Brincadeiras com maior envolvimento físico, por exemplo, que costumam ser mais comuns entre pais e filhos, ajudam na construção da autoconfiança, da coordenação motora e do espírito de superação. E é nesse ambiente de estímulo e segurança que a criança aprende a confiar em si mesma”, afirmou a professora.

No seu entender, outro aspecto fundamental é o exemplo que o pai oferece. A forma como ele trata a mãe e os demais membros da família serve de modelo para o filho. Respeito, empatia, carinho e parceria não precisam ser ensinados com palavras, eles são aprendidos pelo olhar atento da criança, todos os dias. Para as meninas, o pai é a primeira referência de como um homem deve agir. Para os meninos, é o espelho de sua futura identidade masculina. Um pai afetuoso ensina, inclusive, que o homem também pode (e deve) expressar seus sentimentos, contribuindo para desconstruir estereótipos prejudiciais à saúde emocional de toda a família.

Na questão da formação educacional, Sílvia Helena comentou sobre a dimensão escolar, citando que diversos estudos apontam que crianças cujos pais participam ativamente da vida acadêmica, indo a reuniões, ajudando nas tarefas, mostrando interesse pelas atividades escolares, apresentam melhor desempenho. “Elas se sentem valorizadas, vistas e apoiadas. Isso impacta diretamente sua autoestima e motivação para aprender”, falou a pedagoga.

Ainda sobre a questão da presença paterna na formação dos filhos, a professora Silvia foi clara ao afirmar que a ausência paterna, infelizmente, é uma realidade em muitos lares. “E, sim, ela pode trazer consequências: insegurança, dificuldade em lidar com frustrações e até comportamentos de risco. Mas isso não é uma sentença. Uma mãe forte, avós presentes ou mesmo outros adultos que assumem esse papel com amor e compromisso podem, sim, suprir essa lacuna. O importante é que a criança tenha uma rede de apoio sólida e amorosa”, explicou.

“Mas quando o pai está presente, de corpo, alma e coração, os efeitos são notáveis. A criança cresce mais segura, mais confiante e com maior capacidade de se relacionar com o mundo ao seu redor. A presença paterna é, sem dúvida, um dos pilares para uma educação integral e para a formação de indivíduos equilibrados e empáticos”, afirmou Sílvia Helena a Gazeta, dizendo que a educação dos filhos não é tarefa de um só. “É uma parceria. E essa parceria, quando bem construída, é o maior legado que podemos deixar para as próximas gerações”, finalizou.











