Indústria estagnada e preços abaixo do custo deixam cadeia da batata em alerta

“Por mais que a gente sempre torça pra subir o preço, às vezes a realidade é um pouco diferente”, ponderou Pedro. Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo com produtividade elevada, queda nos preços ameaça a rentabilidade de toda a cadeia produtiva do tubérculo na região

Se a situação está difícil para os produtores de batata Atlantic, voltada à indústria, o cenário não é muito mais animador para aqueles que trabalham com a batata de mercado, destinada ao consumo in natura. Apesar de uma produção superior à do ano passado, os preços baixos têm comprometido a viabilidade econômica da cultura.
“A batata está com uma produção melhor do que a do ano passado, porém o preço está muito baixo e não cobre o custo de produção dos produtores, mesmo com a produtividade mais elevada. Se os preços continuarem ruins dessa forma, todos os produtores terão prejuízos com a cultura”, alertou o engenheiro agrônomo Pedro Marão Neto.
Pedro trabalha oficialmente com batata desde 2006, quando ainda cursava a faculdade de agronomia, mas sua ligação com o tubérculo vem de berço. Sua família é uma das pioneiras no plantio da batata na região de Vargem Grande do Sul, o que lhe confere uma visão histórica e técnica do setor. Segundo ele, o momento delicado exige atenção redobrada dos produtores quanto ao planejamento e à gestão dos custos. “É preciso fazer contas, rever investimentos e buscar eficiência. Estamos passando por um ponto de alerta que exige cautela”, complementou.
Com ambos os segmentos, industrial e de mercado enfrentando dificuldades, a cadeia da batata na região, que é uma das mais tradicionais do país, vive uma de suas fases mais desafiadoras. A expectativa agora se volta para a reação do mercado nos próximos meses, com esperanças de que a retomada da demanda e uma possível redução na oferta possam equilibrar os preços e trazer algum alívio aos produtores.
Enquanto isso, no campo e nas beneficiadoras, o sentimento é de incerteza. “Não acredito em uma melhora. Por mais que a gente sempre torça pra subir o preço, as vezes a realidade é um pouco diferente. O consumo na ponta está muito distorcido do que está sendo pago ao produtor”, finalizou Pedro.

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