Editorial: A violência dentro dos lares em Vargem

Não se passa uma semana sem que a Delegacia de Polícia de Vargem Grande do Sul não registre ao menos um caso de violência contra mulheres. Na verdade, de acordo com reportagem publicada nessa edição da Gazeta de Vargem Grande, a média é de dois boletins de ocorrência por semana envolvendo casos de agressão praticados por parceiros ou ex-companheiros. Nas últimas semanas, casos escandalosos de violência contra mulher tomaram conta também do noticiário nacional. A cena de um homem desferindo 61 socos no rosto da companheira dentro de um elevador, no Rio Grande do Norte, foi uma das maiores brutalidades contra mulheres flagradas recentemente.
Casos assim mostram como a violência doméstica é algo infelizmente muito presente no cotidiano de muitas famílias, exigindo do poder público, redes mais eficientes de proteção, além do cumprimento da Lei Maria da Penha, que em 2026 vai completar 20 anos de promulgação.
Se os números de Vargem já preocupam, dados nacionais são ainda mais assustadores. O Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), tendo como base 2023, registrou 3.903 mulheres assassinadas, média de 3,5 mortes por 100 mil mulheres, o que equivale a quase dez vítimas por dia.
A violência doméstica também cresce de forma alarmante: 275.275 atendimentos a mulheres foram feitos pela rede de saúde em 2023 em todo país, dos quais 64,3% no âmbito doméstico e intrafamiliar, com aumento de 24,4% no total e 22,7% nos casos domésticos em relação a 2022. Entre os estupros registrados, 70,6% foram cometidos por familiares ou parceiros (atuais ou ex).
Vargem tem avançado na rede de apoio, e o número de denúncias e ocorrências registradas mostra que mais pessoas têm procurado o poder público para expor esse tipo de crime. Importante também o trabalho desenvolvido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e que pode e deve ganhar ainda mais espaço na cidade.
Não se pode tratar a violência doméstica contra mulher como mero caso isolado ou assunto de família. É um crime que deixa marcas profundas na vítima e seus filhos e precisa ser combatido por uma rede de ações integradas. Quebrar o ciclo da violência, amparar as vítimas, investigar os crimes e punir os autores são ações de enfrentamento que podem ir mudando esse cenário violento que tantas famílias ainda vivem.

Foto: Agência Senado

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