
Cálculos errados do projeto e falta de estacas podem ter sido responsáveis pela não sustentação dos reservatórios
A inclinação dos reservatórios de água construídos no Jd. Santa Marta e também no Poliesportivo da Vila Santa Terezinha, acendeu a luz vermelha junto à prefeitura municipal quanto à existência de problemas na base de sustentação da obra. Em junho de 2025, o prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) solicitou que a prefeitura contratasse a empresa HB Laudos e Perícias de Campinas, para fazer uma análise da deformação dos reservatórios que foram instalados pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE), em vários bairros da cidade durante a gestão do prefeito Amarildo Duzi Moraes (MDB).
A construção das bases foi de responsabilidade do Departamento de Obras na época. A reportagem da Gazeta de Vargem Grande teve acesso ao laudo conclusivo da empresa, que condenou as bases feitas para sustentar os cinco reservatórios construídos. Segundo relatos que constam da análise feita, antes de realizar os trabalhos, a construtora contratada pela prefeitura municipal na ocasião para fazer as fundações, questionou o diretor de Obras, Ricardo Bisco, acerca da ausência de estacas nos projetos.
Em resposta à dúvida, no dia 2 de setembro de 2020, o diretor entrou em contato com o engenheiro Ronald Savoi de Senna Junior, que foi contratado para fazer o projeto e cálculos das fundações, e o mesmo teria confirmado por meio de mensagem de áudio, que o projeto estava adequado às condições do local.
“Posteriormente, em 28 de setembro de 2021, o engenheiro civil Rodrigo Giansante, representante da empresa Teto Construtora S.A., contratada para a execução das fundações de alguns dos reservatórios, encaminhou novo questionamento ao diretor de Obras, Ricardo Bisco, desta vez por meio de e-mail, a respeito da ausência de elementos de fundação profunda, como estacas ou brocas, no projeto e novamente o engenheiro Ronald Savoi reafirmou que o dimensionamento da estrutura estava adequado às condições previstas”, consta dos laudos realizados pela HB Laudos e Perícias..
No histórico feito pela HB, afirma que em outubro de 2021 foram realizadas a concretagem de dois radiers, sendo um deles do Poliesportivo, no dia 7 de outubro e o outro do Clube XXI de Abril, no dia 26 de outubro. A concretagem das fundações dos outros três reservatórios ocorreu no ano de 2023, sendo no dia 6 de julho, o radier do Santa Martha, no dia 19 de julho o da Vila Polar e no dia 10 de outubro, o do Jd. Dolores.
Prossegue a empresa dizendo que em 2025, quando do enchimento dos reservatórios do Poliesportivo e do Santa Martha, ambos com capacidade de 250m³, sendo preenchidos com cargas parciais de 20% e uma espera de 24h, no momento do enchimento com água, os profissionais da prefeitura observaram sinais de deformação, com a inclinação dos reservatórios, paralisando o trabalho de imediato.
Na conclusão feita após os estudos dos engenheiros contratados pela HB Laudos e Perícias, que teve como base o reservatório do Poliesportivo, é citado que a base de concreto é insuficiente para atender os critérios de segurança; que o solo está sujeito a tensões superiores às que resiste, configurando ruptura geotécnica; que os recalques são excessivos e causam desaprumos acima dos permitidos pela NBR 8800 para este reservatório; que a base é insegura e deve ter seu uso interrompido; que é necessária a intervenção na fundação com reforço ou demolição e reconstrução; e em havendo ruptura geotécnica, abandona-se a análise estrutural, uma vez que a hipótese de radier rígido não é válida e o mesmo poderá trabalhar parcialmente em balanço com apoio flexível distribuído.
Finaliza dizendo que o modelo de cálculo é inviável e que se estenderia para os outros reservatórios também, principalmente os que receberiam cargas ainda maiores, como os da Vila Polar (Vila Velha), Clube XXI de Abril e Jd. Dolores. Cita a análise que “diante dos elementos apurados, entende-se que os problemas observados são decorrentes de falhas no dimensionamento da fundação, o que compromete a segurança e o desempenho do sistema estrutural adotado.
No caso do reservatório do Poliesportivo, o estudo realizado pela HB Laudos e Perícias, indicava também por causa da ação do vento, que seriam necessárias 13 estacas com profundidade de 11m cada, de modo a compatibilizar o sistema de fundação com os carregamentos previstos.

Problemas foram levantados em março
A Gazeta de Vargem Grande acompanha o problema desde março deste ano, quando publicou a matéria “Novos reservatórios de água apresentam problemas” na edição do dia 15 de março, quando abordou o problema após o vereador Paulinho da Prefeitura (Podemos) apresentar requerimento na Câmara Municipal pedindo informações a respeito do fato.
Na época, o jornal enviou várias perguntas à prefeitura sobre o assunto e a resposta do Executivo foi que havia sido realizado um teste de carga, que consiste em preencher o reservatório periodicamente com água até que fique completamente cheio. Durante o teste, foi constatado um desalinhamento no conjunto da obra.
Diante dos fatos, a prefeitura informou que o Departamento de Obras e o SAE notificaram imediatamente as empresas responsáveis pela construção do conjunto de obras, para que adotassem as providências necessárias para resolver o problema e permitir que os equipamentos possam ser efetivamente utilizados.

Novas bases serão construídas
No total, foram construídos cinco novos reservatórios que serão incorporados ao sistema de distribuição de água do município. O da Vila Velha, com capacidade de 700m3, ou 700 mil litros; o do Jd. Redentor instalado no campo do XXI de Abril, com capacidade de 800m3; o do Poliesportivo da Vila Santa Terezinha, ao lado do Poliesportivo, com capacidade de 250m3; o do Jd. Dolores, com capacidade de 650m3 e o do Jd. Santa Marta com 250m3, totalizando 2.650m3 ou dois milhões, seiscentos e cinquenta mil litros de água.
Os novos reservatórios de água vão aumentar a atual capacidade de 4.600 milhões de litros, para 7.250 milhões, assim que estiverem em funcionamento.
Conforme reportagem publicada pela Gazeta de Vargem Grande, o SAE teria investido cerca de R$ 3,5 milhões na construção dos novos reservatórios, através de verbas que fazem parte do empréstimo contraído na administração do então prefeito Amarildo Duzi Moraes para a modernização do sistema de abastecimento de água de Vargem.

Prefeitura se manifestou a respeito
Nesta semana, a reportagem da Gazeta de Vargem Grande obteve a informação que diante do problema apresentado na inclinação das caixas d´água, a Prefeitura tomou todas as providências para apurar e responsabilizar as empresas contratadas para o trabalho. A perícia técnica concluiu que o problema aconteceu no dimensionamento da base dos reservatórios, cujos projetos foram realizados pela empresa Savoi. “A Prefeitura abriu processo que está tramitando para apurar a responsabilidade da empresa e ressarcimento dos danos causados ao município”, informou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura.
Vejam os gastos com a construção das bases
A prefeitura também apresentou os gastos realizados com a sondagem, projetos e construção dos radies, conforme seguem abaixo: Com os serviços de sondagem feito em maio de 2020 pela empresa Estaprress Fundações Eireli, foram gastos R$ 14.000,00. Já os gastos com os cálculos estruturais feito pela Savoi, com a elaboração de projeto estrutural e adequação, os custos ficaram em R$ 7.800,00 e foram feitos em agosto de 2020.
Com a empresa HGB Ltda, que executou os trabalhos de fundação dos reservatórios, os radies, foram gastos em 2022, um valor de R$ 265.294,07. A compra dos reservatórios em novembro de 2022, junto a empresa Antenor Verona, ficou em R$ 2.003.500,00. Para a fiscalização de todo o trabalho executado, a prefeitura contratou os serviços especializados de consultoria, inspeção e controle tecnológico de fabricação e montagem de reservatórios metálicos, Caunetto Suporte em Engenharia Ltda, a um custo de R$ 75.000,00.
Diante da necessidade dos reservatórios que fazem parte de todo um trabalho para melhorar a rede de abastecimento do município, a Prefeitura está realizando a sondagem do solo nos locais de instalação dos cinco reservatórios para a correção do problema que causou a inclinação das caixas. A empresa fabricante das caixas está colaborando com o município e fornecerá o projeto adequado para as bases das referidas caixas e, posteriormente colocar os reservatórios em funcionamento.
Com a suspeita de que a construção das bases dos reservatórios não poderia suportar o peso do mesmo, podendo acontecer algo de mais grave, a atual gestão depois de constatar os problemas e diante da necessidade dos reservatórios, que fazem parte de todo um trabalho para melhorar a rede de abastecimento do município, está realizando a sondagem do solo nos locais de instalação dos cinco reservatórios para a correção do problema que causou a inclinação das caixas. A empresa fabricante das caixas está colaborando com o município e fornecerá o projeto adequado para as bases das referidas caixas e, posteriormente colocar os reservatórios em funcionamento.
Base para o reservatório da Vila Velha está sendo feita
Nesta semana, o jornal constatou que uma empresa foi contratada e estava fazendo a sondagem do solo para fazer uma nova base de sustentação para o reservatório da Vila Velha, bairro localizado no alto da Vila Polar, saída para o Paracatu, e que tem capacidade de 700m3, ou 700 mil litros.
A prefeitura tem pressa na construção desta nova base, pois vários bairros localizados na Vila Polar estão com sérios problemas de falta de água nos últimos 30 dias, com pessoas não tendo água nem para tomar banho. A falta de água repercutiu na Câmara Municipal e vários vereadores fizeram uso da palavra pedindo urgência para que o problema seja solucionado.
Nas últimas semanas, funcionários do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE), estiveram nos bairros procurando soluções para o problema, que seria falta de pressão para a água chegar nas casas e encher as caixas de água. Parte do problema teria sido resolvido e as reclamações diminuíram bem esta semana, principalmente junto ao Jd. São Lucas, onde a situação era mais grave.
Novas bombas e adutoras
Conforme matéria publicada pela Gazeta de Vargem Grande, o SAE está construindo uma nova adutora e também instalando duas novas bombas para levar água diretamente para os bairros da Vila Polar e arredores.
O trabalho está em fase final de execução, com a adutora já chegando junto ao reservatório da Vila Velha, onde será provisoriamente ligado às redes locais, enquanto o reservatório não fica pronto. É quase certo que no final da semana que vem a nova adutora já esteja funcionando e levando água para os bairros da Vila Polar, Jd. Fortaleza e outros existentes naquela região.
Vereadores cobram soluções
Na última sessão de Câmara realizada no dia 15 de setembro, vários vereadores fizeram uso da palavra cobrando providências para a falta de água que estava acontecendo na Vila Polar, especialmente nas imediações do Jd. São Lucas.
Também os vereadores Gustavo Bueno (PL) e Felipe Gadiani (PSD) abordaram a questão das caixas d’água construídas na cidade, pedindo documentos sobre as licitações feitas e apurar possíveis responsabilidades, aventando inclusive a possibilidade de uma CEI para apurar os fatos. Durante os debates, eles pediram soluções para o problema da falta de água em vários bairros da cidade.
Também abordaram o problema os vereadores Serginho da Farmácia (Cidadania), que descartou a abertura de uma CEI que levaria muito tempo e o problema da falta de água tinha de ser resolvido de imediato. Já Fernando Corretor (Republicanos), disse que juntamente com o presidente da Câmara, Maicon Canato (Republicanos) esteve com o prefeito Celso Ribeiro visitando o SAE e previu que a situação da falta de água na Vila Polar logo ia ser resolvida.
O vereador Paulinho da Prefeitura (Podemos) que vem desde o início do ano questionando a construção dos reservatórios, questionou a atuação do atual superintendente do SAE, e pediu inclusive abertura de sindicância para apurar determinados fatos. Ele pediu a mudança da superintendência do SAE, criticando a ausência do responsável neste período crítico da falta de água nos bairros da Vila Polar, e chegou a citar alguns nomes de pessoas que trabalham na autarquia ou que nela já trabalharam para uma possível substituição do cargo.
Paulinho também comentou sobre um registro de água que estava fechado e que abastecia um dos bairros onde estava havendo falta de água, no Jd. Manacás, estranhando o fato e pedindo apuração. O vereador do Cidadania pediu explicações sobre porque em algumas residências em bairros mais antigos, com casas construídas no fundo, não é permitido uma segunda ligação de água, o que prejudica os proprietários dos imóveis, sendo que o SAE poderia ganhar com mais uma ligação.
Fotos: Prefeitura / Reportagem















