Fazer uma matéria sobre a importância dos pequenos negócios e empresas que tornam Vargem Grande do Sul grande, tem a ver com os primórdios da formação do município, do seu comércio incipiente e também das primeiras indústrias que aqui se estabeleceram gerando empregos e rendas. Elas servem de exemplo e motivação para todos os empreendedores atuais, que podem se inspirar na sua história de sucesso e aprender com os erros a que todas as empresas estão fadadas a acontecer.
A história da Gambaroto & Gambaroto ME Ltda, de propriedade de Ricardo Vieira Gambaroto remonta ao passado, há mais de 80 anos atrás, quando em 1938, o avô Américo Gambaroto mascateava produtos na roça com uma carrocinha e o filho mais velho Nelson Gambaroto, que trabalhava na fábrica de enxadas da Família Sbardellini, propôs abrir uma firma para também produzir esta importante ferramenta agrícola na época.
Foram trabalhando e em 1945, conseguiram o alvará e licença da prefeitura e passaram a fabricar além das enxadas, enxadões, também sulcadores, arados e demais implementos agrícolas. O local onde até hoje existe o comércio, localizado na esquina da Rua Cel. Lúcio, ao lado do Poupatempo, foi adquirido do sr. João Coracini, que na época ferrava cavalos, fazia carrocinhas e também outros artigos que eram consumidos pelos agricultores.
Dos treze irmãos Gambaroto, quatro ficaram trabalhando na indústria que foi montada. Era uma época pós guerra, as dificuldades eram imensas e a lavoura principalmente de café, era a grande consumidora das ferramentas produzidas. Naquela época Vargem chegou a ter 10 empresas do ramo, que praticamente desapareceram com as mudanças que ocorreram no campo.
A firma de Américo Gambaroto criou a marca “Aliança” e chegou a ter nove pessoas trabalhando no setor, num tempo de escassez de produtos como o aço, onde se aproveitava o material das enxadas usadas para a fabricação de novos produtos, principalmente o “olho”, onde vai o cabo, pois era mais difícil das indústrias locais produzi-lo naquela época. “Aproveitava as carcaças das enxadas velhas, calçando e transformando em novas. Era o que todo mundo fazia”, explicou Ricardo.
Trabalhando na fábrica desde adolescente, hoje aos 43 anos, Ricardo aprendeu todo o ofício com seu pai e demais parentes, dominando todo o processo de fabricação de enxadas e outros implementos, dando continuidade à antiga empresa de seus familiares.
Os clientes foram mantidos, abriu novos mercados e expandiu o catálogo de produtos. Hoje além de Vargem e região, também atende o Sul de Minas. Como trabalha sozinho, Ricardo faz desde a coleta dos produtos, a matéria prima, para a fabricação e entrega.
Utilizando aço reciclado de sucata, como bacia de arado e mola de caminhão para fazer as enxadas, enxadões, foices, picaretas e machados, usando forno, prensa e a solda, Ricardo também compra enxadas prontas da indústria e tem mais de cem produtos que vende no seu comércio.
Embora o tempo áureo da enxada tenha passado, a marca “Aliança” ainda é lembrada pelos pequenos sitiantes e passados 87 anos, ela está presente na lavoura. “Hoje procuramos manter a tradição, pois o pequeno produtor necessita de uma enxada, uma foice, inclusive os grandes, que procuram menos, mas precisam destas ferramentas para fazer reparos em suas fazendas”, comentou Ricardo.
Conciliar o trabalho e procurar viver bem a vida com o que ele e os pais conquistaram com a pequena empresa de fabricação de enxadas e demais produtos semelhantes, é a meta de Ricardo. Tranquilo na sua concepção de vida, vai mantendo a tradição da marca “Aliança”, que sustentou ao longo de décadas várias famílias vargengrandenses e teve seu papel no desenvolvimento da lavoura do município, hoje o tão reconhecido agronegócio.












