
Vargem está no estágio crítico, mas é um dos municípios com a menor perda de água da região
Quem acompanha os noticiários já sabe que a crise hídrica é uma realidade e que tende a se agravar com o futuro. Estudos produzidos pela Agência de Águas do Estado de São Paulo-SP Águas, divulgados através do Mapa de Escassez Hídrica, mostram que o município de Vargem Grande do Sul está no estágio crítico, juntamente com a maioria dos municípios da região que compõe os comitês da Bacia Hidrográfica do Pardo-CBH-Pardo e também a Bacia Hidrográfica do Mogi-CBH-Mogi, dos quais fazem parte o Rio Jaguari Mirim e o Rio Verde, que abastece o município.
A combinação entre a diminuição das chuvas, o aumento do consumo e a pressão sobre os rios está colocando diversos municípios em situação de risco, como é o caso de Vargem Grande do Sul. Os estudos mostram que os mananciais estão recebendo menos água do que o necessário para se recuperar, enquanto a demanda da população cresce a cada ano.
Com um cenário de crise hídrica mais severo no horizonte, o Estado está recomendando que medidas de prevenção sejam tomadas pelos dirigentes municipais, reforçando a necessidade de ampliar a infraestrutura de reservação e proteção dos recursos hídricos, inclusive com a construção de represas, reservatórios e lagoas de acumulação para enfrentar a crise hídrica dos próximos anos.
Vargem sai na frente
A construção da Barragem Eduíno Sbardellini junto ao Rio Verde durante a primeira gestão do prefeito Celso Ribeiro em 2001 e inaugurada em 2004, foi um marco não só no município, como também na região, sinalizando que pequenos municípios podiam construir suas barragens para enfrentar a crise hídrica, com o município saindo na frente nesta questão de reservação de água para enfrentar a escassez do produto.
Para o município que corria o risco de colapsar o seu fornecimento de água, a construção da barragem foi um grande feito e resolveu o problema imediato, pois o antigo sistema já não conseguia atender a demanda. Além da barragem, outros investimentos foram feitos no tratamento e distribuição da água e, apesar de alguns bairros apresentarem problemas ocasionais de falta de água, a barragem evitou que houvesse uma falta generalizada de água no município.
Com a construção da Barragem Eduíno Sbardellini, Vargem conseguiu atravessar esses mais de 20 anos sem ameaças de colapsar o seu sistema de abastecimento de água, pois a represa do Rio Verde conseguiu, mesmo em períodos críticos, manter o abastecimento sem ter que recorrer a racionamento mais severo do consumo de água pela população.
O início da construção do lago junto à antiga área de Várzea do Zecão iniciada na gestão do ex-prefeito Amarildo Duzi Moraes e que está em fase de finalização pela atual administração, é outro exemplo da preocupação com a reservação de água no município. Também está em construção outro importante reservatório de água localizado acima da Barragem Eduíno Sbardelini, nas terras da família de Antônio Carlos de Mello, que depois de concluída, deverá acrescentar mais água no sistema de reservação da cidade.
Segundo o governo paulista, a crise hídrica é progressiva e já impacta a recarga dos rios e reservatórios – reforçando a necessidade de investimentos em infraestrutura de reservação de água como represas e barragens, além de medidas de uso responsável por parte da população.
Dentre as medidas estruturantes recomendadas pelo governo estão a ampliação de reservatórios de água bruta; construção de novas represas regionais; restrição de novas outorgas para proteger mananciais e incentivo a infraestrutura hídrica municipal, com os municípios se preparando para uma crise hídrica mais severa, reservando mais água do que consomem atualmente.

Reservação de água será obrigatório
Segundo análises técnicas da Secretaria de Meio Ambiente e dos Comitês de Bacia (CBH-Pardo e CBH-Mogi), a reservação de água será obrigatória para enfrentar os cenários futuros de estiagem, deixando claro que a construção de novas estruturas de reservação como represas, não é algo opcional e sim, uma ação necessária para garantir água para a população nos próximos anos.
Nova barragem a ser construída
Atento à falta de água que poderá ocorrer nos próximos anos, conforme acima descrito, o prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) deverá em breve dar início em mais uma etapa do projeto Parque Águas do Rio Verde. Trata-se da construção de uma nova barragem junto ao Rio Verde, nas áreas de várzeas que vão desde a avenida localizada em frente onde hoje está localizado o Supermercado Gricki, margeando o Rio Verde, até a Estação de Tratamento de Esgoto-ETE, na Estrada das Perobeiras.
O prefeito já tinha assumido este compromisso quando da realização da 1ª Conferência Municipal do Meio Ambiente de Vargem Grande do Sul, realizada no dia 23 de janeiro, na Casa da Cultura. Na ocasião ao falar sobre suas metas para o Meio Ambiente, disse que iria recuperar as nascentes do Rio Verde, construindo no mínimo 60 nascentes; dinamizar o viveiro de mudas da prefeitura, plantando mais árvores na cidade.
Também abordou a questão da construção do Parque Linear do Rio Verde, que uniria a Barragem Eduíno Sbardellini, o lago que está sendo feito acima do asfalto, nas terras da família Mello e a da Várzea do Zecão, além de citar uma quarta que seria a maior do município, não especificando qual. Hoje já se sabe que a represa que seria construída é a que se localizará nas áreas de várzeas existentes entre o Supermercado Gricki e a ETE (Imediações do Jd. Iracema e adjacências).
O projeto da construção do Parque Linear do Rio Verde, onde consta a nova barragem que será construída, foi previsto durante a realização dos estudos do Plano Diretor da Prefeitura Municipal em 2019, quando Tadeu Fernando Ligabue era diretor de Desenvolvimento do então prefeito Amarildo Duzi Moraes e presidiu a Comissão Gestora do Plano Diretor Participativo (PDP) de Vargem Grande do Sul, que foi arquivado.
Também recentemente, os vereadores aprovaram no dia 9 de outubro, uma emenda à Lei Municipal n º 2.681, de 19 de dezembro de 2006, que instituiu o antigo Plano Diretor do Município de Vargem Grande do Sul, priorizando ações junto ao Meio Ambiente, para prevenção, controle e recuperação de áreas localizadas no entorno dos sistemas de reservatórios de água que compõem o Projeto do Parque Linear Municipal, ao longo do Rio Verde.
Na emenda aprovada consta que entre os reservatórios cuja preservação é estratégica para a segurança hídrica, está a implantação do lago para reservatório de água bruta a ser implantado nas imediações do Jardim Iracema e adjacências.
Perda de água em Vargem é considerada baixa
Nos estudos realizados pelo CBH-Pardo, Vargem Grande do Sul aparece como destaque positivo quanto à perda de água nas suas redes de abastecimento. O município apresenta 12,6% de perda, segundo os dados do Comitê, muito abaixo da média regional e estadual. Só para comparação, Tambaú é um dos menores em perda de água, com 2,7% e Caconde aparece com uma perda de 77,9%.
Porém, os estudos indicam que a drenagem urbana, é um ponto que merece maior atenção. A drenagem subterrânea é um sistema de controle de água que visa evitar o acúmulo e o escoamento inadequado de água no solo e neste quesito, Vargem apresenta somente 13% de cobertura, o que aumenta os riscos de enchentes, dificulta a absorção da água da chuva e reduz a recarga dos mananciais.
Rio Jaguari sob pressão
Também os estudos do CBH-Mogi apontam que o Rio Jaguari Mirim, que percorre o município, sofre pressão agrícola e apresenta quedas de vazão nos períodos secos. Ele é responsável pelo abastecimento de vários municípios e num futuro, poderá também servir de abastecimento de água à população de Vargem Grande do Sul. Dentre as prioridades a serem feitas pelo município, contam proteger o Rio Jaguari Mirim, com o replantio de árvores, combate ao assoreamento e proteção de suas nascentes.
Finalizando, os estudos mostram que para Vargem Grande do Sul, com base nos relatórios oficiais, as prioridades são: Investir em represas e reservatórios de água bruta; manter o bom índice de perdas; proteger o Rio Jaguari Mirim; ampliar a drenagem urbana e apoiar a captação de água da chuva em residências e prédios públicos.












