
A estudante de jornalismo Hellen Indrigo Perez fez um curta para o Jornalismo Junior, portal de notícias produzido pelos estudantes de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Estudante do 1º ano, a vargengrandense optou pelo núcleo de projetos de áudio visual, produções que o aluno faz.
“Produzir documentários foi algo que sempre quis trabalhar e ter experiência. Os alunos tem total liberdade de escolher o assunto, com total liberdade criativa”, comentou, explicando que o jornalismo é atrelado à faculdade e quem ajuda são os alunos do segundo ano. “Aprendemos uns com os outros”, comentou Hellen.
A ideia de gravar O Cangaceiro, de poder contar a história, não foi a primeira opção da estudante. Ela estava procurando o que fazer, mas como vinha para Vargem, decidiu que seu projeto seria sobre a cidade.
“O que me marca quando volto para Vargem, é que tem uma história legal por trás. Eu tocava violino no projeto Guri, quando teve a inauguração de O Cangaceiro na Biblioteca Municipal Victor Lima Barreto e fomos lá tocar e tocamos “Mulher Rendeira”. Cresci vendo e ouvindo histórias sobre O Cangaceiro”, comentou sobre a decisão de fazer o documentário sobre o filme rodado em Vargem Grande do Sul em 1951.
Para sua realização, Hellen foi em diversos lugares. Esteve na pedreira localizada no Jd. Morumbi, onde foi filmado uma das mais belas cenas do filme, a abertura com os cangaceiros andando a cavalo e cantando “Mulher Rendeira”. Disse que na Biblioteca abriram as portas para ela, que entrevistou a servidora municipal Maria de Lurdes Dutra, a Lurdinha, que lhe deu toda atenção, com a entrevista ficando muito boa.
“Foi muito importante para mim, fiquei feliz, minha primeira experiência, tanto editando como fazendo o roteiro do documentário, foi desafiador, não tinha experiência antes. Ver depois o documentário publicado, tem muito a ver com minha vida, fui criada e cresci em Vargem. É muito bom poder mostrar tudo isso, estou em São Paulo, mas somos vários retalhos de tudo que fizemos”, falou Hellen.
Embora tenha feito tudo, gravando, elaborando o roteiro, a entrevista, a edição, o que segundo ela é um grande aprendizado, Hellen teve o acompanhamento das diretoras do núcleo de áudio visual Aline Fiori, Isabela Nahas e Maria Luiza Negrão, que a ajudaram muito, orientando e corrigindo durante a elaboração do documentário.
O longa O Cangaceiro foi escrito e dirigido por Victor Lima Barreto, natural de Casa Branca e teve diálogos redigidos pela escritora Raquel de Queiroz. O filme conta a história do cangaceiro Galdino, que resolve sequestrar uma professora para lucrar com o resgate.
Gravado totalmente em Vargem Grande do Sul em 1951, pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, O Cangaceiro ganhou o prêmio no Festival Internacional de Cannes com a melhor trilha sonora e melhor filme de aventura. Foi levado a mais de 80 países na época e seus direitos autorais foram vendidos para a Columbia Pictures, antes da Vera Cruz falir.
A vegetação de cerrado que existia no município de Vargem Grande do Sul e parecia com a do Nordeste, além da contenção dos gastos filmando em São Paulo, foi o que levou Lima Barreto a escolher a cidade. A Biblioteca Municipal inaugurada durante a primeira gestão do prefeito Celso Ribeiro, leva o nome do cineasta Victor Lima Barreto. Vários vargengrandenses participaram das gravações do filme e também trabalharam para a realização do mesmo, que durou nove meses de gravação e transformou a cidade na época.
A pedreira existente no Jd. Morumbi e também as casas, a Igreja da Vila Polar e o atual prédio da Casa da Cultura, serviram de palco para as gravações do filme que foi premiado em Cannes, um marco do cinema nacional. Quem quiser assistir o documentário, basta acessar https://www.instagram.com/reel/DRo_QzhEbh5/?igsh=MXJsNjYxdGcycnVtOQ==, ou https://youtu.be/-h5mwPAmWhU.













