O avanço das ferramentas digitais e da inteligência artificial tem facilitado a ação de criminosos que se aproveitam de dados públicos para aplicar o chamado “Golpe do Falso Advogado”. O alerta é feito pelos advogados Daniela de Barros Rabelo e Rodrigo Moreira Molina, que relatam aumento de casos na cidade e reforçam orientações para que clientes não caiam na fraude.

Segundo a advogada Daniela de Barros Rabelo, os golpistas utilizam conhecimentos técnicos para acessar informações disponíveis em sites de tribunais e montar abordagens convincentes. “São pessoas que entendem de programação, que conseguem entrar nos sites, verificar processos e até utilizar dados de ações já extintas. Eles inventam que há valores a receber e apresentam supostos alvarás, pedindo um depósito para liberação do dinheiro”, explica.
Cuidados a serem tomados
Daniela ressalta que os criminosos costumam usar fotos reais dos profissionais, retiradas das redes sociais, e se passam por representantes ou gestores do escritório, prática que, segundo ela, não existe. “A pessoa precisa desconfiar. Conferir o número do advogado, procurar nas redes sociais, no Google, comparar telefones. Às vezes eles usam a foto, mas o número é outro”, orienta. Daniela também destaca a importância de procurar a Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Vargem Grande do Sul, por exemplo, para confirmar os dados do profissional caso haja dúvida.
Não faça pagamentos para PIX de contas pessoais

O advogado Rodrigo Moreira Molina reforça que nenhum pagamento judicial é realizado por meio de PIX para conta pessoal ou transferência para terceiros. “Custas e taxas judiciais são recolhidas por meio de guias oficiais emitidas pelo próprio Tribunal. Honorários são tratados diretamente com o advogado de confiança, conforme contrato firmado”, afirmou.
Ele relata que já atendeu vítimas com prejuízos expressivos. Em um caso de falso leilão, o valor perdido chegou a cerca de R$ 80 mil. Em situações envolvendo o golpe, os prejuízos giraram em torno de R$ 60 mil. “Os golpistas criam um clima de urgência, dizendo que o cliente precisa pagar imediatamente para não perder o valor da ação. A vítima, acreditando que ganhou o processo, acaba transferindo o dinheiro”, explica.
Rodrigo destaca ainda que, caso a pessoa perceba rapidamente que foi vítima, é possível tentar o bloqueio judicial dos valores transferidos, desde que as providências sejam tomadas com agilidade.
Alerta da OAB e medidas de prevenção
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP) mantém uma força-tarefa específica para enfrentamento do golpe do falso advogado e orienta que casos sejam formalmente comunicados. Também recomenda que as vítimas acionem imediatamente o banco para tentar bloquear a transação por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), disponibilizado pelo Banco Central, além de registrar boletim de ocorrência.
Entre as principais recomendações para evitar o golpe estão: Não realizar depósitos ou transferências sem confirmar diretamente com o advogado responsável pelo processo; Desconfiar de contatos inesperados por WhatsApp, telefone ou redes sociais pedindo pagamento imediato;
Não efetuar transferências para contas pessoais ou de terceiros; Conferir o número da OAB do profissional e verificar sua regularidade; Consultar o andamento processual diretamente no site oficial do tribunal; Guardar prints, números de telefone e comprovantes em caso de suspeita.
A OAB-SP também orienta advogados a publicarem alertas em suas redes sociais, estabelecerem protocolos claros de comunicação com clientes e reforçarem medidas de segurança digital, como autenticação em dois fatores e padronização de assinaturas em comunicações oficiais.
Em Vargem Grande do Sul, os profissionais reforçam que a principal ferramenta de defesa do cidadão ainda é a cautela. “A internet facilita muita coisa, mas também facilita o golpe. É preciso usar a tecnologia a favor, conferir informações e não agir por impulso”, conclui Daniela.












