Neste domingo, dia 8, é festejado o Dia Internacional da Mulher. Entre as histórias que esta edição especial da Gazeta de Vargem Grande traz, está a das mulheres que ganham seu sustento nas lavouras de Vargem Grande do Sul. Mulheres como Luana e Simone que, diariamente, dividem o tempo entre a produção agrícola e os cuidados com o lar. Com disposição, autoestima e otimismo, elas mostram que a presença feminina no campo é sinônimo de competência, resistência e transformação.

Luana acorda cedo, encara a rotina intensa da lavoura e ainda encontra tempo para cuidar da casa e da família. No campo, desempenha funções que exigem esforço físico, responsabilidade e dedicação. Fora dele, exerce com orgulho o papel de mãe e esposa. Há 13 anos na lida do campo, Luana Pereira, 37 anos, relata rotina intensa, desafios sob o sol e a importância da união e da força feminina no dia a dia.
Apesar da rotina exigente na lavoura, Luana encontra tempo para cuidar de si, manter a autoestima, organizar a casa e acompanhar de perto a rotina dos filhos. Nascida em Poços de Caldas e moradora de Vargem Grande do Sul há 17 anos, ela construiu no município sua trajetória como trabalhadora rural, esposa e mãe de três filhos.

Casada e mãe de Pedro Henrique, 19 anos, Ana Júlia, 13, e Isis Helena, 5, Luana contou que o dia começa cedo. “Acordo às 4h da manhã e começamos o dia na roça por volta das 7h, sem horário definido para chegar em casa. Às vezes chegamos cedo, mas também já voltamos às 20h, quando a cidade é muito longe”, relatou.

Segundo ela, o esforço físico é o principal desafio da profissão, especialmente no calor. “A maior dificuldade é o esforço, pois é um serviço muito pesado e o sol também está sendo uma dificuldade porque está muito quente”, afirmou.
A rotina varia conforme a época do ano. Durante a safra da batata, o trabalho é concentrado na colheita. Fora desse período, Luana realiza diferentes atividades no campo. “Quando é safra da batata, só colhemos. Mas fora de safra eu planto batata, vou para as diárias que têm, catar mato, catar milho, o que aparece eu faço”, explicou.

Mesmo diante das dificuldades, ela destaca o convívio como um dos pontos positivos do trabalho rural. “Apesar de ser sofrido, é divertido. Tem muitas risadas, muitas histórias. A gente conhece bastante gente. Eu mesma, em Vargem, conheço praticamente a cidade toda. Conheço pessoas que vêm de fora, do Nordeste e até de outros países”, contou.
Luana também compartilhou que o trabalho no campo teve papel importante em um momento delicado de sua vida, após a perda recente dos pais. “Perdi meu pai e minha mãe há pouco tempo e te digo uma coisa: trabalhar na roça realmente me ajudou muito no meu luto”, disse.

Ela afirma que nunca enfrentou preconceito na atividade. “Ali estamos todos no mesmo barco. Um ajuda o outro, somos unidos”, declarou. Conciliar o trabalho na lavoura com as responsabilidades domésticas é um desafio constante. “Chegamos em casa e nós mulheres temos casa para limpar, filhos para cuidar, às vezes pegar na escola quando a babá não pega, lavar, passar, cozinhar”, relatou. Luana destaca o apoio do marido na rotina familiar, mas reconhece que muitas mulheres enfrentam essa jornada sozinhas.

A maior motivação, segundo ela, são os filhos. “Eles são minha maior inspiração, pois é por eles que enfrento essa batalha diária”, afirmou. Orgulhosa da profissão, Luana diz que não pensava seguir carreira na área rural. “Eu nunca imaginei que um dia eu seria trabalhadora rural. Sempre achei que não era para mim. Hoje tenho orgulho e falo em alto e bom som que eu sou do agro”, declarou.
Ao lembrar da mãe, ela destaca o incentivo recebido ao longo da vida. “Minha mãezinha lá no céu sempre dizia: ‘Filha, você é uma guerreira, você é muito trabalhadeira’. Eu herdei isso da minha mãe”, contou. Em mensagem direcionada às mulheres, Luana reforçou a importância da autoconfiança. “Nunca desacredite de você, nunca deixe ninguém te diminuir por ser mulher. Independentemente do que você passe, mostre que somos mulheres, mas também somos capazes de mudar o mundo com nossas mãos”, concluiu.












