Instabilidade nos combustíveis chegou a Vargem

No dia 13, preços de gasolina e álcool tinham subido

Ao longo da última semana, consumidores de Vargem Grande do Sul sentiram no bolso e no tanque do veículo, o impacto da instabilidade do abastecimento e na variação de preços de combustíveis nos postos da cidade. Na terça-feira, dia 10, a reportagem da Gazeta de Vargem Grande percorreu alguns estabelecimentos verificando com os responsáveis como a crise no Oriente Médio estava afetando o comércio de gasolina e diesel. Os relatos foram de incerteza sobre volume disponível para compra nas distribuidoras e também preços praticados. Na quinta-feira, dia 12, o governo federal anunciou que estava zerando imposto e subsidiando diesel para conter a alta do petróleo.
A instabilidade no abastecimento e a alta nos preços dos combustíveis no Brasil é resultado de uma combinação de fatores geopolíticos internos e externos. O conflito atual no Oriente Médio, com os ataques ao Irã pelos Estados Unidos e as tensões no Estreito de Ormuz causados pela reação iraniana, afetaram rotas estratégicas de petróleo, gerando temores de restrições na oferta em todo mundo. Isso levou à disparada nos preços internacionais, impactando a maioria dos países do globo. Além disso a defasagem dos combustíveis produzidos no Brasil (diesel e gasolina) em comparação com os preços internacionais atingiu níveis elevados e o país, embora tenha uma alta produção de petróleo bruto, ainda possui uma alta dependência de importações, especialmente de derivados do petróleo.

Instabilidade preocupou empresários e consumidores
Na terça-feira, a Gazeta esteve em quatro postos de combustíveis na cidade, após verificar relatos de falta de gasolina e diesel e também variação de preços. No Auto Posto Santana, do Grupo Irmãos Longuini, a reportagem entrevistou a gerência da empresa que informou que naquele momento as bombas estavam sem gasolina, mas que o abastecimento seria normalizado ainda na terça-feira. Também foi relatado preocupações com possíveis aumento no preço do litro do diesel por parte das distribuidoras.
Já no Posto São Paulo, Maquis Ranzani Júnior, observou que a guerra no Irã teve como consequência essa alta no preço do combustível. Ele ainda comentou sobre o papel da estatal Petrobrás. “É a guerra e um pouco também a especulação da Petrobrás, que não está liberando bombeio para as distribuidoras”, pontuou. “A Petrobras pensa só no dinheiro. A verdade é essa. Então, como é de acionista, tem que gerar lucro. E eles não estão segurando, e não estão enviando bombeio para as distribuidoras. E as distribuidoras elevam o preço lá em cima”, avaliou. “Nós aqui estamos perdidos. Tanto eu, como os donos dos outros postos, estou vendendo no escuro. Cada hora é um preço. E não acha combustível, [diesel] S10 principalmente, não tem no mercado. Tanto é que já tem postos aqui em Vargem Grande e já está faltando combustível”, afirmou.
No Posto São Joaquim, a gerência explicou à reportagem no dia 10, que havia uma instabilidade grande nos valores do preço do diesel, que poderia durar até o final de semana e que iria impactar no preço final ao consumidor. No local, na segunda-feira, dia 9, houve um período de duas horas em que não havia gasolina para os clientes, problema que foi sanado rapidamente.
Por fim, no Posto Avenida, Everton, o proprietário do estabelecimento relatou que vinha enfrentando dificuldades para comprar combustível junto à distribuidora. “A gente vai fazer compra, eles não têm preço e também não têm certeza do volume que eles vão liberar para a gente comprar”, explicou. Ele ainda comentou sobre o monopólio da Petrobrás. “A gente está sofrendo com essa instabilidade, negócio da guerra e não sabemos se é verdade ou se não é que a guerra está influenciando nisso ou se tem algum tipo de manipulação do mercado lá, porque a Petrobras é sozinha não tem concorrente, ela faz o que ela quiser”, disse.
O empresário comentou que até o preço do litro do álcool seria influenciado pela instabilidade dos combustíveis. “O álcool com certeza vai ter um reflexo no preço, porque o álcool é produzido com caminhões a diesel. Colheita é com a maquinário a diesel, transporte é com a maquinário a diesel. Então, uma hora ou outra ele vai ter um reflexo. E a gasolina? A gasolina é como se fosse um petróleo. O diesel e a gasolina são derivados do petróleo. Então, subir o diesel sobe a gasolina, subir o diesel sobe o diesel. O que eu estou achando estranho é que o diesel está subindo mais que a gasolina. É isso que eu estou achando estranho nesse país. Sendo que o diesel nunca foi mais caro do que a gasolina”, ponderou.

Preço praticado no dia 10 em um dos postos da cidade

Preços continuaram subindo até sexta-feira
Na sexta-feira, dia 13, a reportagem da Gazeta de Vargem Grande voltou a visitar os mesmos postos de combustíveis para verificar se os valores continuavam em alta. A constatação foi de novos reajustes desde a última terça-feira.
De acordo com o levantamento feito pela reportagem, o etanol apresentou aumento médio de R$ 0,10 por litro, enquanto a gasolina registrou elevação de cerca de R$ 0,20. Já o diesel apresentou comportamento diferente entre os estabelecimentos: em alguns postos o preço se manteve estável, enquanto em outros houve aumento significativo de até R$ 0,50 por litro.
Outra informação considerada preocupante pelos empresários do setor é a incerteza sobre o abastecimento nos próximos dias. Os responsáveis pelos postos visitados afirmaram que não há garantia de que haverá gasolina disponível para venda na próxima segunda-feira.
Segundo eles, a situação ocorre porque a Petrobras estaria segurando o fornecimento do combustível, enquanto as distribuidoras relatam dificuldade para conseguir o produto e repassar aos postos.

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