Batata de Vargem e região perto da indicação geográfica

ABVGS, Cooperbatata, Sebrae, produtores e prefeitura estão envolvidos na iniciativa. Foto: reprodução Internet

Os estudos para Vargem Grande do Sul e região serem reconhecidas como área geográfica de procedência da batata, conhecido no Brasil como Indicação Geográfica (IG) e que foram iniciados no ano passado, estão em andamento, conforme afirmou ao jornal Kátia Regina Santiago Pereira, que está colaborando como coordenadora do projeto através do Sebrae. Na prática, trata-se de um selo concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que atesta que a batata tem qualidades, reputação ou características diretamente ligadas ao seu local de origem, ou seja, em Vargem Grande do Sul.
Estão envolvidos nos estudos a Associação dos Bataticultores de Vargem e Região (ABVGS), tendo apoio do Sebrae, da Cooperbatata e dos Departamentos de Desenvolvimento e da Cultura da prefeitura municipal de Vargem Grande do Sul, além de produtores de Vargem e região.
A proposta, que deve ser submetida ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), busca consolidar a relação histórica entre a produção de batata no território vargengrandense e também da região. Mais do que um reconhecimento formal, a Indicação Geográfica (IG) pode posicionar a cidade em um novo patamar dentro do agronegócio paulista.
Vargem Grande do Sul e a região já possuem tradição no cultivo da batata, com produtores experientes e condições de solo e clima favoráveis. Ao transformar essa vocação em um selo oficial de origem, tanto o município como a região passam a agregar valor ao produto, diferenciando-o no mercado e abrindo portas para novos canais de comercialização.
A expressão “Batata de Vargem Grande do Sul e Região” é mais do que um nome — ela representa um conceito estratégico importante dentro do processo de busca por uma Indicação Geográfica (IG).
Ao incluir “e região”, o projeto liderado por Vargem Grande do Sul amplia o alcance territorial da iniciativa, reconhecendo que a produção de batata não se limita apenas ao município, mas envolve um conjunto de cidades com características semelhantes de solo, clima e tradição agrícola.
Esse formato é comum em processos de IG no Brasil e fortalece o pedido junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), porque aumenta a escala de produção e ao englobar municípios vizinhos, o volume produzido ganha relevância econômica, o que facilita a inserção em mercados mais amplos.
Também reforça a identidade territorial. A região passa a ser reconhecida como um polo produtivo, e não apenas uma cidade isolada. Isso cria uma marca mais forte e coletiva. Por fim, estimula a cooperação regional. Produtores, cooperativas e prefeituras precisam atuar de forma integrada, definindo padrões de qualidade e práticas comuns.
No caso da “Batata de Vargem Grande do Sul e Região”, a proposta pode envolver cidades próximas que compartilham essa vocação agrícola, formando um verdadeiro cinturão produtivo da batata. Esse tipo de articulação é essencial para dar consistência ao processo e demonstrar ao INPI que há uma relação consolidada entre o produto e o território.
Além disso, o uso do nome da cidade como referência principal mantém o protagonismo de Vargem Grande do Sul, ao mesmo tempo em que reconhece a contribuição regional — um equilíbrio importante para o sucesso da iniciativa.
Quando o jornal Gazeta de Vargem Grande realizou a matéria em 2025 sobre o assunto, o diretor de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho Juliano Scacabarozi demonstrou otimismo na ocasião pelo envolvimento de todos no projeto, pois o reconhecimento da região geográfica como produtora de batata, pode fomentar a economia local, aumentando o turismo e comércio da cidade, movimentando os restaurantes, por exemplo, em relação ao produto e seus derivados.
“Cumpre ressaltar que a indicação geográfica está presente em várias regiões do Brasil, como o já conhecido Queijo da Canastra, Vinho da Região do Vale dos Vinhedos, Cafés da Região Vulcânica de São Sebastião da Grama”, explicou na época, afirmando que a região geográfica da batata ainda não existe no Brasil e seria a primeira região, ou seja, uma região inédita para o produto.
Segundo explicou Kátia Regina ao jornal, foi ofertado pelo INPI uma mentoria gratuita para o prosseguimento dos estudos por seis meses visando a elaboração do projeto que está sendo realizado por um Comitê constituído pelos membros da ABVGS, SEBRAE, Cooperbatata e departamentos de Desenvolvimento e Cultura da prefeitura municipal. O projeto está em fase de pesquisas para decidir o nome que levará a indicação geográfica e tudo indica que será “Batata de Vargem Grande do Sul e Região”.

Cooperbatata apoia o projeto
Em entrevista à Gazeta de Vargem Grande, o presidente Lucas Ranzani da Cooperativa dos Bataticultores da Região de Vargem Grande do Sul, afirmou que a Cooperbatata apoia o projeto, contribuindo com todo seu arquivo para o sucesso do mesmo. “Nossa região tem suas particularidades climáticas com noites frias e dias quentes a partir de abril, que se intensificam vindo a beneficiar a cultura da batata em Vargem e região”, explicou o presidente.
Lucas explicou que o grande legado da bataticultura na região de Vargem Grande do Sul vem dos imigrantes italianos, espanhóis e portugueses que cultivavam a batata nas áreas mais altas na região, citando como exemplo São Roque da Fartura e locais junto à Serra da Mantiqueira.
Segundo o presidente da Cooperbatata, com a evolução e necessidade de mais áreas, os produtores com auxílio da irrigação e da correção de solo conseguiram estabelecer a cultura em regiões mais baixas, desbravando o cerrado onde se encontra Vargem Grande do Sul e outras cidades próximas.
“O crescimento foi exponencial e contou com a experiência de famílias tradicionais de produtores de batata. Assim, Vargem Grande do Sul e região passam a ser um grande centro não só de produção, como também um ponto estratégico de comercialização, beneficiamento e escoamento deste produto”, falou.
Para Lucas Ranzani, a região de Vargem é referência para inovações, desenvolvimento de projetos tecnológicos, produtos e cultivares de batata a nível nacional. “Assim, é muito louvável e justo que este projeto do SEBRAE ratifique a tradição e a história da bataticultura em nossa região”, concluiu o presidente da Cooperbatata.

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