Prefeitura acaba de informar que problema na água de Vargem foi causado por descarte irregular no Rio Verde

Após dias de transtornos no abastecimento de água de Vargem Grande do Sul, a possível causa do problema foi identificada na manhã desta sexta-feira, dia 17, pela prefeitura: uma empresa de mineração estava lançando dejetos de lavagem de areia diretamente no Rio Verde, acima da entrada d’água da Represa Eduíno Sbardellini, manancial que abastece a Estação de Captação e Tratamento de Água do município.
Segundo o publicado pela prefeitura em suas redes sociais, a empresa flagrada foi a Barro Novo Extração e Comércio de Argila Ltda-ME. Ela possui licenças de operação para extração de argila e areia, mas conforme informou a prefeitura, não poderia realizar o descarte dos resíduos em corpos d’água. O material despejado no Rio Verde causou turbidez excessiva na represa, que chegou até a estação de tratamento e dificultou o abastecimento normal da cidade.

A identificação ocorreu durante diligências investigativas realizadas nas proximidades da represa, enquanto as equipes técnicas do Serviço de Água e Esgoto (SAE) realizavam testes e tratamentos mais aprofundados para entender a origem do problema. Ao ser constatada a irregularidade, o prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) determinou providências imediatas junto ao SAE e ao Departamento de Agricultura e Meio Ambiente. A empresa foi notificada para cessar a atividade de imediato, interrompendo o lançamento dos dejetos antes que atingissem o Rio Verde.
Com a paralisação do descarte irregular, a turbidez da água da represa começou a recuar. A equipe técnica segue monitorando a situação, realizando análises e tratamentos para que o abastecimento retorne à normalidade nos próximos dias.
Fotos: Prefeitura
Moradores criticam qualidade da água e cobram prefeitura

Consumidores de diferentes bairros de Vargem Grande do Sul têm utilizado as redes sociais para relatar problemas com a qualidade da água, que, segundo constataram, apresenta sujeira, mau cheiro e até aspecto oleoso. As reclamações ganharam grande repercussão e geraram intensa polêmica, principalmente no Facebook.
Entre os relatos, moradores afirmam que a situação tem se agravado nos últimos dias. “Todo dia a água tá suja, imunda… parece piada e ninguém toma providência”, desabafou uma moradora. Outra residente também relatou dificuldades no dia a dia: “Tá muito difícil”.
Há ainda queixas sobre a baixa pressão e aparência da água. “Na torneira sai um pingo de água e suja”, afirmou uma moradora. Já outra destacou o forte odor: “Sem condições com essa água suja e com cheiro horrível”.
Um dos pontos que mais chamou atenção nos relatos é a presença de uma substância semelhante à gordura na água. “Parece que tem gordura na água”, comentou uma internauta. Em outro depoimento, a situação foi descrita com preocupação: “A água tá uma gordura pura. Entra pra tomar banho e sai engordurado”.
Além do desconforto, moradores relatam prejuízos e riscos à saúde. “Além de tá imunda, a água manchou todas as roupas que coloquei pra lavar. Beber essa água nem pensar, dá pra ver a gordura no copo”, disse uma moradora. Outra reforçou: “Impossível lavar roupa, as roupas brancas estão todas manchadas”.
Também há questionamentos sobre a falta de esclarecimentos. “Cada dia pior, e quando resolvem aparecer para dar uma explicação, a coisa fica pior”, criticou uma moradora. Já outra resumiu o sentimento de indignação: “Cidade abandonada”.
A situação, segundo os relatos, atinge bairros como Centro, Jardim Paulista e Fortaleza, indicando que o problema pode ser generalizado.
Diante da grande quantidade de reclamações, a população cobrou providências e esclarecimentos por parte da prefeitura e Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE). Ainda na quinta-feira, dia 16, a repercussão seguia intensa nas redes sociais, onde moradores continuavam compartilhando experiências e cobrando soluções.
Vereadores na ETA
Em meio à repercussão, o vereador Vagner Loiola (Bilu) também se manifestou nas redes sociais. Ele informou que, na manhã da última quarta-feira (15), esteve presente na Estação de Tratamento de Água (ETA) da Represa Eduíno Sbardellini, acompanhado dos vereadores Rafael Coracini e Ratinho, em uma visita de acompanhamento e fiscalização. Segundo ele, a ação ocorreu após o encaminhamento do ofício nº 61/2026 à Câmara, e incluiu conversas com o superintendente do SAE, Klabin Dei Romero, e com Edson Pereira, ex-funcionário da Sabesp que atualmente presta suporte técnico à estação.
Bilu destacou o compromisso com a fiscalização dos serviços e afirmou que continuará acompanhando a situação de perto, ressaltando a importância da transparência e da busca por melhorias no abastecimento.
Vereadores cobraram SAE
Outros vereadores também se pronunciaram sobre o caso. Gustavo Bueno e Felipe Gadiani publicaram esclarecimentos destacando que o acesso à água potável é um direito fundamental. Eles informaram que, diante das denúncias, realizaram cobranças formais ao SAE, incluindo questionamentos diretos à superintendência do órgão. De acordo com a explicação apresentada pela autarquia, o aumento do volume de chuvas teria alterado a turbidez da água, exigindo maior uso de produtos químicos no tratamento.
Ainda segundo os vereadores, as ações de fiscalização seguem em andamento. Gustavo Bueno também promoveu uma enquete nas redes sociais para mapear os pontos afetados, recebendo relatos de moradores de bairros como Jardim Bela Vista, Jardim São Luiz, Paraíso I e II, Residencial Verona, Santa Terezinha, Santo Expedito e Vila Polar, entre outros.
SAE apontava volume de chuva como causa provável
A Gazeta de Vargem Grande entrou em contato com a Prefeitura de Vargem Grande do Sul para obter esclarecimentos sobre a situação. A resposta do superintendente técnico/operacional do SAE, Klabin Dei Romero veio no meio da semana, antes da descoberta da ação da mineradora pelo local.
“Em decorrência das chuvas, principalmente nas nascentes, as águas estão mais turvas, apresentando alterações em seus parâmetros físico-químicos. Diante desse cenário, houve a necessidade de intensificação dos processos de tratamento, com ajuste na dosagem dos produtos químicos nas etapas de coagulação, floculação, decantação, filtração e desinfecção, tudo dentro da legalidade e conforme a legislação vigente.
Como consequência, podem ocorrer alterações temporárias nas características da água, como coloração levemente amarelada e sensação de viscosidade, descrita por moradores como aspecto ‘gorduroso’. O SAE ressalta que essas alterações não representam risco à saúde da população e não causam doenças. O sistema segue operando normalmente, dentro dos padrões de potabilidade, sem registro de desabastecimento. A expectativa é de que, com a redução das chuvas, a qualidade da água seja gradativamente restabelecida nos próximos dias, com estabilização dos parâmetros e normalização do abastecimento”, informou o SAE.


















