Câmara rejeita prorrogação da CEI do SAE

Após empate, o presidente da Câmara, Maicon Canato, realizou o voto de minerva, rejeitando o requerimento

A Câmara Municipal rejeitou na sessão ordinária realizada nesta quarta-feira, 22 de abril, o pedido de prorrogação por mais 90 dias da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura possíveis irregularidades no Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE). A decisão foi definida com o voto de desempate do presidente da Casa, vereador Maicon Canato (Republicanos), que se posicionou contra a extensão do prazo.
O pedido de prorrogação foi colocado em votação após manifestação dos membros da comissão, que solicitaram mais tempo para a conclusão dos trabalhos, conforme prevê o Regimento Interno. A votação terminou empatada, com seis votos favoráveis e seis contrários. Diante do empate, coube ao presidente exercer a prerrogativa do voto de minerva, decidindo pela rejeição do requerimento.
Votaram a favor da prorrogação os vereadores Antônio Sérgio da Silva, Felipe Augusto Gadiani, Gustavo Henrique Bueno, Paulo César da Costa, Vagner Gonçalves Loiola e Vanessa Martins. Já os votos contrários foram dos vereadores Amarildo Guimarães de Figueiredo, Fernando Donizete Ribeiro, Giovana Aparecida de Carvalho, João Batista Cassimiro, João Carlos Dias Nunes e Rafael Coracini Mendes. Com o voto contrário de Maicon Canato, a solicitação foi derrubada.
A CEI do SAE foi instalada no dia 3 de fevereiro de 2026, com prazo inicial de 90 dias para a conclusão dos trabalhos, com vencimento previsto para 2 de maio. O prazo poderia ser prorrogado por mais 90 dias, desde que houvesse aprovação da maioria dos vereadores. A comissão foi criada a pedido dos vereadores Paulinho da Prefeitura (Podemos), Serginho da Farmácia (Cidadania), Gustavo Bueno (PL), Felipe Gadiani (PSD) e Vanessa Martins.
Foram sorteados para compor a CEI os vereadores Paulinho da Prefeitura (Podemos), Gustavo Bueno (PL) e Felipe Gadiani (PSD), além dos vereadores Ratinho (Podemos) e Rafael Coracini (MDB) como suplentes. Após, de acordo com o Regimento Interno, os vereadores sorteados elegeram o presidente da CEI, que ficou a cargo do vereador Gustavo Bueno e Felipe Gadiani, que ficou como relator.
A CEI foi constituída com a finalidade de fiscalizar atos e obras do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE), abrangendo a administração do ex-prefeito Amarildo Duzi Moraes (MDB), quando era superintendente Celso Bruno e adentrando também na administração do atual prefeito Celso Ribeiro (Republicanos).
A construção das bases dos reservatórios de água, que foram consideradas pela Prefeitura Municipal inadequadas, tendo de ser refeitas e também as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado, estão entre as principais referências de investigação dos vereadores.

Debates acalorados precederam a votação
Durante a sessão, o vereador Gustavo Bueno, que preside a CEI, apresentou o requerimento pedindo mais 90 dias para concluir o relatório, dizendo que precisava ouvir mais testemunhas, analisar mais documentos e ouvir os responsáveis das empresas envolvidas. Também defenderam a prorrogação do prazo os membros da CEI, Felipe Gadiani e Paulinho da Prefeitura.
O primeiro vereador a questionar a prorrogação, foi o vereador Bilu, que questionou a demora para o início das oitivas das testemunhas, destacando que a CEI foi instaurada em 2 de fevereiro e só começou a ouvir testemunhas no dia 8 de abril, mais de 60 dias depois de aberta a Comissão. Bilu alegou falta de planejamento na condução dos trabalhos. Em resposta, o vereador Felipe Augusto Gadiani defendeu a condução dos trabalhos e ironizou a crítica, o que gerou reação no plenário.
Na sequência, o vereador Ratinho, endureceu o discurso contra a prorrogação. Além de criticar o que classificou como “palanque e politicagem”, ele rebateu a postura adotada durante o debate e saiu em defesa de Bilu. Ratinho afirmou que o vereador havia apenas apontado um fato ao lembrar que as oitivas começaram somente em abril e criticou a ironia usada na resposta. Em tom incisivo, declarou que não aceitaria “tirar sarro” de parlamentar em plenário e voltou a questionar a competência da comissão. Ele ainda afirmou que, se a presidência e a vice-presidência da CEI estivessem em outras mãos, os mesmos vereadores estariam criticando a condução dos trabalhos.
O vereador Antônio Sérgio da Silva, o Serginho, reconheceu a complexidade do processo e defendeu a continuidade dos trabalhos. Ele afirmou esperar que, com mais 90 dias, a comissão pudesse avançar e concluir a apuração.
O vereador Fernando Corretor também criticou a atuação da comissão e a demora no andamento das investigações. Durante a sessão, ele afirmou que a CEI levou 66 dias para convocar a primeira pessoa a prestar depoimento e acusou os membros de falta de responsabilidade e competência. Fernando ainda cobrou resultados concretos para a população, alegando que, próximo ao fim do prazo inicial, ainda não houve respostas efetivas sobre as denúncias investigadas.
Todas essas acusações foram respondidas à altura por Gustavo Bueno, que defendeu os trabalhos que a Comissão vinha fazendo e a discussão acabou indo pelo lado pessoal dos quatro vereadores envolvidos no debate mais duro, principalmente Ratinho e Felipe Gadiani, obrigando o presidente Maicon a cortar o microfone e ameaça encerrar a sessão.
Segundo o presidente da CEI, Gustavo Bueno, já foram ouvidos o ex-superintendente do SAE, Celso Bruno, o ex-diretor de Obras, Bisco, dentre outras pessoas e está em pauta a convocação do ex-prefeito Amarildo Duzi Moraes.
Com a rejeição da prorrogação, a CEI do SAE deverá encerrar seus trabalhos dentro do prazo original, previsto para o próximo sábado, dia 2 de maio. Até lá, a comissão terá de concluir a apuração e apresentar seu relatório final.

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