
Nesta Edição Especial de Dia das Mães, a Gazeta de Vargem Grande escolheu ouvir mulheres que carregam, todos os dias, muito mais do que o amor pelos filhos. Carregam planilhas, plantões, estudos, tintas, turmas de alunos, filhos doentes, pais que envelhecem, irmãos que precisam de cuidado. Muitas vezes carregam, também, a culpa silenciosa de não conseguir estar em dois lugares ao mesmo tempo. Mas a reportagem especial desta edição não é um tributo à força materna que tudo suporta. É um retrato honesto de quem escolheu, ou precisou, conciliar maternidade e trabalho num país que ainda cobra das mulheres o dobro e oferece a metade.
Os números dessa realidade são pesados. Uma pesquisa do Infojobs de 2024 revelou que 83% das mulheres brasileiras vivem a dupla jornada, acumulando trabalho profissional com afazeres domésticos e cuidados com filhos e familiares. Quase metade delas não conta com rede de apoio ou com a ajuda do parceiro. As mulheres ainda ganham 21% menos do que os homens, mesmo sendo mais escolarizadas. E 86% avaliam que a licença-maternidade é vista negativamente no mercado de trabalho. São dados que incomodam — e que encontram correspondência direta nas histórias que você vai ler nesta edição.
O que chama atenção nos relatos das mães ouvidas pela Gazeta é o quanto suas trajetórias se cruzam, mesmo sendo tão diferentes entre si. Uma empreendedora de 21 anos aprendendo a pedir ajuda sem sentir culpa. Uma empresária do agronegócio que descobriu, na gestação difícil, que controle é ilusão. Uma técnica de enfermagem que chega em casa exausta após 12 horas de plantão e se recarrega no cheirinho dos filhos. Uma diretora de escola que perdeu o marido cedo, criou o filho com ajuda dos pais e ainda encontrou forças para cuidar do irmão autista. Uma pintora de casas que aprendeu a reinventar o tempo. Em todas elas, a mesma equação: muito amor, muita entrega e a consciência de que ninguém faz isso sozinho.
A rede de apoio aparece, de forma unânime, como o elemento que faz a diferença. Não como luxo, mas como necessidade real. Mães, pais, maridos presentes, colaboradoras de confiança, cada uma dessas figuras foi citada como parte essencial da engrenagem que permite à mulher seguir em frente sem se partir. “A maternidade não precisa, e nem deve, ser solitária”, disse a empresária Camila Fernandes. É uma frase simples que resume o que a ciência, os dados e a experiência de milhões de mulheres já confirmam há décadas.
Os conselhos que essas mães deixam também convergem. Pedir ajuda sem culpa. Aceitar as próprias limitações. Não buscar perfeição, mas presença. Cuidar de si para poder cuidar dos outros. “Se eu não estiver bem comigo, eu não vou estar bem no meu trabalho, na minha família, nem para os meus filhos”, afirmou Simone de Oliveira, CEO do Grupo Santa Vitória. É uma lição que vale para todas as mulheres e que, curiosamente, ainda precisa ser ensinada, porque a cultura da sobrecarga silenciosa segue fazendo suas vítimas.
A Gazeta de Vargem Grande parabeniza todas as mães desta cidade. As que trabalham fora e as que trabalham dentro de casa, porque ambas trabalham, e muito. As que têm rede de apoio e as que seguem em frente mesmo sem ela. As que estão presentes em cada detalhe e as que precisaram abrir mão de momentos para garantir o futuro dos filhos. Vocês não são super-heroínas. São mulheres reais, com forças reais e é exatamente por isso que merecem ser reconhecidas.











