Editorial: Vargem pode e precisa fazer mais

Vargem pode e precisa fazer mais
Vargem Grande do Sul obteve nota 64,95, Índice de Progresso Social 2026 (IPS) divulgado nesta semana, uma graduação levemente acima da média nacional de 63,40. À primeira vista, o dado pode parecer reconfortante. Mas conforto é exatamente o que esse resultado não deveria provocar. O levantamento traz números que merecem ser lidos com atenção, como um mapa de onde a cidade está e, mais importante, para onde precisa caminhar.
O índice avalia 57 indicadores distribuídos em três eixos: necessidades básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. É nesse terceiro pilar que Vargem teve as menores avaliações. Com 41,99 pontos em oportunidades, a cidade fica bem abaixo dos outros dois eixos e sinaliza um problema que não é novo, mas que os números jogam luz: a cidade ainda não oferece aos seus moradores, especialmente aos mais jovens, as condições para desenvolver seu pleno potencial.
O indicador de acesso à cultura, lazer e esporte registrou apenas 5,00 pontos. A cidade tem um calendário cultural sólido e tem buscado investir em projetos de formação, além de roteiros e eventos, mas o município ainda apresenta indicadores baixos em áreas de lazer.
Praças e parques em áreas urbanas marcaram 0,28. Por isso é importante projetos como os novos parques em desenvolvimento, as praças em construção e uma agenda de eventos esportivos e culturais diversificada, como a que tem se buscado. Afinal, um jovem que não tem onde praticar esporte, que não encontra espaços de cultura e convivência, que vê o lazer como privilégio de quem pode pagar por ele, é um jovem com oportunidades que já começam reduzidas.
O acesso à educação superior somou 36,74 pontos, e a nota mediana no Enem foi de 550,38. O abandono escolar no ensino fundamental é baixo (0,58%) o que indica que a cidade consegue manter as crianças na escola nos primeiros anos. Mas a distorção idade-série no ensino médio chegou a 15,08%, e a reprovação nessa etapa ficou em 9,02%. Isso mostra que algo se perde no caminho entre a infância e a juventude. Se os alunos começam dentro do ritmo escolar, o que os leva a perderem o passo na fase em que as decisões sobre o futuro começam a se definir?
Há ainda o dado sobre direitos individuais, com apenas 24,74 pontos, e o registro de zero no indicador de existência de ações para direitos de minorias. A paridade de gênero e de negros na Câmara Municipal está entre as mais baixas possíveis, mas infelizmente, estão dentro de um padrão histórico que a cidade ainda não conseguiu se desvencilhar. E se não há representatividade política, como o município irá desenvolver políticas públicas que alcancem a todos?
Entre os pontos positivos a serem enaltecidos está o saneamento básico, entre os melhores indicadores do levantamento e a prefeitura vem investindo fortemente nesse quesito. A infraestrutura domiciliar é sólida, com a maioria dos imóveis construídos com o mínimo de condições. A cobertura de internet móvel é quase universal. Pontos que levantaram a nota do município no ranking.
Em seu fundamento, o IPS é feito para se responder a um questionamento: a riqueza que a cidade gera está chegando à vida das pessoas? Com base nos dados de Vargem, a resposta mostra que muito foi consultado, mas ainda há um caminho longo a ser percorrido. A cidade tem estrutura, tem história, tem um povo aguerrido. É necessário usar esses pilares e colocar em prática um plano que vá além de projeto de governo e se transforme em políticas públicas. O Plano Diretor que ainda está a ser analisado, pode ser um mapa a ser seguido.

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