Dia Mundial do Doador reforça importância da solidariedade

Fassina mantém o hábito de doar sangue há 28 anos e incentiva novos voluntários a aderirem à causa. Foto: Arquivo Pessoal

Celebrado neste domingo, dia 14 de junho, o Dia Mundial do Doador de Sangue chama a atenção para a importância de um gesto simples que pode salvar vidas diariamente. Em Vargem Grande do Sul, pacientes atendidos pelo Hospital de Caridade dependem diretamente dos estoques mantidos pelos hemocentros da região, tornando a conscientização e o incentivo à doação fundamentais para garantir o atendimento de quem necessita de transfusões.
O Departamento Municipal de Saúde e Medicina Preventiva da Prefeitura Municipal informou à Gazeta de Vargem Grande que, por meio do Serviço Social da Saúde e das equipes de saúde, vem desenvolvendo ao longo de 2026 o projeto “Saúde em Cores”, voltado para campanhas de utilidade pública. Durante o mês de junho, segundo o informado, a assistente social Luíza Araújo realizará ações educativas em todas as unidades de saúde do município, com atividades em salas de espera, dinâmicas, rodas de conversa, divulgação de materiais informativos e instalação de murais educativos.
Além da campanha Junho Vermelho, dedicada ao incentivo à doação de sangue, também serão abordados temas relacionados ao Junho Laranja, de conscientização sobre anemia e leucemia, e ao Junho Violeta, voltado ao combate à violência contra a pessoa idosa. Segundo o departamento, a atuação integrada entre as equipes de Saúde e o Serviço Social busca ampliar o acesso da população a informações preventivas e fortalecer o cuidado humanizado.
Para esclarecer como os moradores podem se tornar doadores, a Gazeta de Vargem Grande entrou em contato com Natalha Fátima Lima Silva, assistente administrativa da Bio Clínica, responsável pelo Banco de Sangue de São João da Boa Vista. Ela explicou que a unidade de coleta funciona exclusivamente em São João da Boa Vista, mas atende moradores de toda a região.
Atualmente, os tipos sanguíneos com maior necessidade são A negativo, A positivo, O positivo e O negativo. Para doar, é necessário apresentar documento oficial com foto, estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos de idade, pesar mais de 50 quilos e atender aos critérios exigidos para a doação. Também é importante não estar em jejum, evitar alimentos gordurosos antes da coleta, ter descansado adequadamente na noite anterior e não apresentar doenças infectocontagiosas.
Embora o atendimento também possa ocorrer por ordem de chegada, a recomendação é realizar agendamento prévio pelo telefone (19) 2037-0008. Durante o mês de junho, uma faixa de conscientização foi instalada em frente ao Teatro Municipal de São João da Boa Vista, além de ações desenvolvidas com escolas, empresas e parceiros da região para incentivar a doação.

Hospital de Vargem depende da Unicamp
A Gazeta também conversou com o interventor do Hospital de Caridade de Vargem Grande do Sul, José Geraldo Ramazotti. Segundo ele, as bolsas de sangue utilizadas pela instituição são fornecidas pelo Hemocentro da Unicamp, responsável pelo abastecimento conforme a necessidade do hospital.
Ramazotti informou que existe um estoque mínimo ideal de hemocomponentes, como concentrado de hemácias e plasma, definido pelo próprio Hemocentro da Unicamp de acordo com a demanda de transfusões realizadas na unidade. Atualmente, o hospital utiliza, em média, cerca de 26 bolsas de concentrado de hemácias e quatro bolsas de plasma por mês.
As retiradas de bolsas acontecem de forma programada duas vezes por semana. Em situações de urgência ou quando há necessidade de determinado tipo sanguíneo, o hospital faz a solicitação diretamente ao hemocentro, que providencia o envio das bolsas necessárias. De acordo com o interventor, a utilização dos hemocomponentes varia conforme o perfil dos pacientes atendidos, reforçando a importância da manutenção dos estoques por meio das doações.

Quase três décadas de doação
A reportagem também ouviu o doador Marcelo José Fassina, de 55 anos, que compartilhou sua experiência e destacou o impacto que a doação pode ter na vida de outras pessoas.
“A primeira vez em que doei sangue foi em 1998, quando um colega de trabalho pediu para doar em nome de um primo dele, que tinha leucemia. No final daquele ano, recebi um cartão de Natal desse rapaz, agradecendo pelo gesto, e dizendo que ele estava se recuperando bem do transplante de medula que havia recebido. Fiquei muito tocado, e também me cadastrei como doador de medula óssea, quando a Unicamp fez uma campanha aqui na cidade”, disse.
Marcelo conta que mantém a prática há quase três décadas. “Já são 28 anos como doador, e o faço de três a quatro vezes por ano. Em Vargem, as campanhas da Unicamp foram interrompidas devido à falta de doadores, já que eles precisam deslocar uma equipe e todo o material para a coleta. Sendo assim, hoje a única opção próxima é doar no Banco de Sangue em São João da Boa Vista”, explicou.
Para ele, a divulgação ainda é um dos principais desafios. “Acredito que falta divulgação por parte do Poder Público, pois muita gente não sabe como fazer para doar sangue. Doar sangue é um ato de amor, pois muitas pessoas precisam receber sangue e seus derivados devido a doenças, transplantes ou acidentes de trânsito”, comentou.
Ao final, ele deixa um convite à população. “Convido especialmente os jovens, que iniciem as suas doações aos 16 ou 18 anos, para que se tornem doadores frequentes também. O procedimento causa um pequeno desconforto, mas não dói e não causa nenhum prejuízo à saúde. Consultem os requisitos e ajudem o próximo”, finalizou.

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