A morte de uma adolescente de 15 anos, atropelada por uma carreta enquanto aguardava para atravessar a rua no último final de semana, reacende uma discussão que a cidade debate há anos: o trânsito de veículos pesados pelo perímetro urbano. Mais do que o incômodo causado por esses veículos, que fazem tremer casa e levantam poeira nas ruas em tempos de estiagem, um acidente fatal mostra que o momento exige ações mais concretas.
O problema tem raiz conhecida. Uma usina de cana-de-açúcar situada na divisa entre Vargem Grande do Sul e São João da Boa Vista obriga carretas a cruzar bairros residenciais da parte de cima do asfalto para alcançar a rodovia. Somam-se a esse fluxo, os caminhões que transportam tijolos, telhas e batata, produtos que sustentam parte importante da economia local. O resultado é a convivência diária, em vias pensadas para uso residencial, entre pedestres, ciclistas e veículos de grande porte.
Moradores da Cohab I reclamam há tempos de danos nas residências provocadas pela passagem desses veículos. Procurado pela Gazeta, o Departamento de Segurança e Trânsito afirmou permanecer à disposição da população para analisar cada caso tecnicamente. Sobre o acidente fatal, o Desetran esclareceu que o trajeto usado pela carreta envolvida é hoje o único acesso viável às operações da empresa Abengoa, sem rota alternativa disponível.
O departamento afirma já estudar formas de reduzir a circulação de veículos pesados na malha urbana, mas reconhece que, neste caso específico, a alternativa ainda não existe. Em 2026, apenas um acidente grave envolvendo veículo de grande porte foi registrado, exatamente este, embora incidentes menores, como danos a sinalização e semáforos, sejam recorrentes.
Diante desse cenário, a cidade precisa evitar tratar o caso como fatalidade isolada e também não pode impor restrições genéricas ao tráfego de caminhões sem oferecer rota alternativa às empresas que geram emprego e renda ao município. O caminho está indicado pelo próprio Desetran: estudos técnicos conjuntos, com prazo e resultado público, que apontem rotas alternativas, sinalização adequada e, se necessário, horários restritos para o tráfego pesado nas áreas mais sensíveis.












