Polícia rejeita legítima defesa em chacina com dois de Casa Branca

Tiroteio em Formosa, em Goiás, deixa quatro mortos

Dois moradores de Casa Branca estão entre as quatro vítimas de uma chacina ocorrida na tarde de terça-feira, 11 de agosto, no Setor Parque Lago, na cidade de Formosa, em Goiás. André Ferreira, conhecido como “Tarobá”, e Gustavo Aurélio Miguel, de 31 anos, eram naturais de Casa Branca. As outras duas vítimas, Gustavo Fernandes Graças, ex-secretário municipal de São João d’Aliança, e Luiz Antônio Rodrigues, conhecido como “Nego”, sogro de Gustavo Fernandes, tinham ligação com o Nordeste de Goiás.
A Polícia Militar de Goiás foi acionada após relatos de disparos em via pública e encontrou os quatro mortos dentro e nas proximidades de uma caminhonete Volkswagen Amarok crivada de tiros, com as portas abertas e o motor ligado. Uma arma de fogo foi localizada junto a uma das vítimas. Os suspeitos do crime são o policial militar aposentado Matusalem Silvério, seu filho Maurício Correa e seu irmão de criação, Rodrigo Barbosa. Os três se apresentaram voluntariamente na Delegacia de Polícia de Formosa na quinta-feira, 13 de agosto, alegaram legítima defesa e foram liberados após prestar depoimento.
A Polícia Civil de Goiás, no entanto, não acreditou na versão apresentada. O delegado José Antônio Sena afirmou, em entrevista ao G1, que a versão dos suspeitos está dissonante dos elementos probativos produzidos até o momento. Imagens de câmera de segurança mostram a caminhonete das vítimas chegando à residência dos suspeitos, de onde saem três homens que imediatamente iniciam os disparos. Em menos de dez segundos, é possível escutar vários tiros. Segundo o delegado, as imagens mostram ainda que, após as dezenas de disparos iniciais, o PM aposentado se aproxima das vítimas, verbaliza algo e, alguns segundos depois, efetua mais dois disparos. A perícia confirmou zona de chamuscamento nesses projéteis, o que comprova a proximidade da arma com o corpo da vítima no momento dos últimos disparos. O perito Hérico Avohai informou que uma das vítimas que estava dentro do veículo foi atingida por mais de dez tiros.
O delegado apontou duas linhas investigativas: a primeira é que as vítimas foram ao local para receber um valor previamente acordado; a segunda, que estariam pressionando os suspeitos a realizarem o pagamento de uma dívida estimada em R$ 250 mil relacionada à venda de um caminhão. O delegado Sena afirmou que a hipótese de que as vítimas chegaram efetuando disparos é a que está mais distante da realidade. As imagens da câmera de segurança instalada na frente da casa onde o crime ocorreu foram apagadas, segundo a polícia. O advogado dos investigados informou que orientou os três a se apresentarem para esclarecimentos e que aguarda o desenrolar das investigações.

Fotos: Reprodução Redes Sociais

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