
Estudante de Vargem Grande do Sul conta à Gazeta como teve o interesse pela vida pública despertado
A importância da participação dos jovens na política foi um dos temas abordados pelo bispo diocesano de São João da Boa Vista, Dom Eugênio Barbosa Martins, durante a solenidade na semana passada, em que recebeu o Título de Cidadão Vargengrandense, no último dia 22, na Câmara Municipal de Vargem Grande do Sul. A homenagem foi concedida por meio do Decreto Legislativo nº 01, de 19 de fevereiro de 2026.
A reflexão do bispo sobre a presença da juventude na vida pública encontra um exemplo em Vargem Grande do Sul. Aos 17 anos, o estudante Pedro Henrique Machado Moreira acompanha a política nacional, participa de atividades políticas e afirma que pretende, no futuro, disputar um cargo eletivo.
O interesse de Pedro pela política começou ainda na infância, influenciado pela atuação de sua mãe, Natália Machado Moreira, que trabalhou na assessoria de deputados e prefeitos e coordenou campanhas eleitorais. “Aos meus 3 anos eu tive o primeiro contato com a política”, contou. Na época, sua mãe coordenava a campanha da ex-prefeita de Espírito Santo do Pinhal, Cristina Brandão. Em meio a carreatas e bandeiraços, Pedro disse que passou a enxergar a política como algo que despertava seu interesse.
Com o passar dos anos, afirmou ter compreendido que a política representa mais do que campanhas eleitorais. “Percebi que além de ser legal, ela também é extremamente importante para a garantia da vida em sociedade”, afirma. Apesar de seu envolvimento, Pedro avalia que os jovens não estão mais interessados em política atualmente. Segundo ele, existe uma “onda de aversão política entre os jovens”, que pode ser percebida no comportamento de colegas que evitam discutir o assunto por considerá-lo chato ou causador de brigas.
Na avaliação do estudante, a polarização também contribui para afastar a juventude do debate político. Ele observa que parte dos jovens participa de discussões e manifestações pelas redes sociais, mas considera menor o envolvimento em manifestações presenciais e na participação direta da política.
Pedro também fala abertamente sobre sua identificação política. Ele afirma que, depois de começar a estudar o assunto, passou a se identificar com a esquerda e, posteriormente, com o Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo o jovem, sua identificação está relacionada principalmente à importância que atribui às causas sociais. Ele cita políticas públicas nas áreas de educação, saúde e transferência de renda como fatores que influenciaram sua visão política.
“Eu, que não me encaixo em camadas sociais superiores, que sou filho de pais trabalhadores que lutam diariamente para trazer o sustento para casa, vi no Partido dos Trabalhadores uma forma de garantia à qualidade de vida que minha família sempre sonhou”, afirmou.
Pedro considera que as decisões políticas interferem diretamente na vida da população e, particularmente, no futuro dos jovens. Ele cita educação, saúde, economia e tecnologia como áreas que terão reflexos na vida adulta dessa geração. “A juventude é o futuro do país, por isso políticas públicas que afetam os jovens refletem diretamente na nação”, afirma. Para ele, acompanhar a política é também uma forma de participar das decisões que poderão influenciar as condições de vida no futuro.
O estudante afirma que procura acompanhar diariamente as notícias. Entre os meios que utiliza estão o podcast “Café da Manhã”, os portais G1, UOL e Metrópoles e os telejornais Jornal Nacional e Jornal da Band. Pedro também diz que pesquisa o histórico dos políticos que acompanha. No caso de Lula, afirma buscar matérias jornalísticas antigas e registros de campanhas anteriores para conhecer sua atuação e verificar propostas apresentadas ao longo do tempo. “Isso é extremamente crucial para entender o que ele continuará fazendo”, afirma.
Fotos: Arquivo Pessoal
Encontro
O interesse pela política também levou Pedro a participar de uma atividade eleitoral em São Paulo no último dia 26. Ele esteve em São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital, durante uma caminhada com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin, do candidato ao governo paulista Fernando Haddad e das candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet.
Pedro relata que teve a oportunidade de conhecer e conversar com Haddad, Alckmin, Eduardo Suplicy, Marina Silva, Guilherme Boulos, Simão Pedro e Paulo Teixeira. Depois da concentração, acompanhou o deputado Simão Pedro em outras mobilizações realizadas em São Miguel Paulista, União Vila Nova e Itaquera.
Ao falar sobre os critérios que considera na escolha de um candidato, Pedro afirma que procura analisar o histórico, o partido e as propostas. “Acredito que para o voto ser 100% consciente, devemos analisar todos os fatores”, afirma. Em relação a Lula, Pedro aponta como fatores de identificação a trajetória pessoal do presidente e as políticas públicas que, segundo sua avaliação, contribuíram para a população de menor renda. Também cita entre suas prioridades propostas relacionadas à educação, como a continuidade de programas como Pé-de-Meia, ProUni e Fies, além de investimentos em saúde pública, segurança, economia e geração de empregos.
As avaliações sobre Lula e o PT refletem a posição política pessoal do estudante, que afirma considerar tanto o histórico dos candidatos quanto suas propostas para o futuro. Pedro também manifesta o desejo de participar diretamente da política.
Questionado se gostaria de disputar cargos no futuro, responde: “Sem dúvidas”. Segundo ele, ocupar um cargo público seria uma maneira de defender direitos e participar de forma mais efetiva das decisões da sociedade. “Creio que quanto mais ativos na política, mais conseguiremos trazer à sociedade aquilo que queremos”, afirma. Ao resumir sua visão sobre a participação cidadã, Pedro conclui: “Um povo precisa de voz, e a voz do povo está na política”.
A experiência do estudante vai de encontro à reflexão apresentada por Dom Eugênio durante a entrega do título de cidadão, a importância de aproximar os jovens da discussão sobre os rumos da sociedade e estimular sua participação na vida pública.













