Danutta Rosseto fala sobre campanha a deputada federal

Danutta em atos de sua campanha à Câmara Federal. Fotos: Arquivo Pessoal

A nutricionista vargengrandense Danutta de Figueiredo Falcão Rosseto, ex-vereadora e ex-presidente da Câmara Municipal de Vargem Grande do Sul, disputa pela segunda vez uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília. Em 2022, na primeira tentativa, somou cerca de 4,8 mil votos.
Neste ano, o Estado de São Paulo terá 1.118 candidatos a deputado federal, todos em busca de uma das 70 cadeiras que o Estado possui na Câmara dos Deputados. A Gazeta de Vargem Grande traz a entrevista com Danutta, que falou sobre como foi sua campanha, as pautas que defende e os aprendizados da eleição anterior. Confira:
Gazeta de Vargem Grande: Como você avalia essa sua segunda campanha para um cargo ao Legislativo Federal?
Danutta Rosseto: Da primeira campanha para esta, houve um amadurecimento importante da minha convicção sobre o motivo pelo qual decidi entrar na política. Na eleição anterior, o desafio era abrir espaço e mostrar que era possível fazer política de uma maneira diferente. Hoje, vejo essa caminhada com mais maturidade e com uma responsabilidade ainda maior em relação àquilo que defendo.
Minha decisão de colocar novamente meu nome à disposição não nasceu de uma oportunidade eleitoral isolada. Ela é consequência da experiência que vivi, da confiança que recebi e da convicção de que a política precisa ser compreendida como serviço público, compromisso e responsabilidade com as pessoas.
Nesta campanha, ampliamos o alcance do nosso trabalho para diferentes regiões do Estado e também aprofundamos algumas pautas que passaram a ter um significado ainda mais pessoal para mim, como a causa dos neurodivergentes e a conscientização sobre a importância da doação de órgãos, tema que conheço também pela experiência de vida.
Continuo acreditando em uma política humanizada, mas hoje compreendo ainda melhor que humanizar a política não significa deixar de ter posição. Significa defender aquilo em que acreditamos sem desrespeitar quem pensa diferente.
Gazeta: Como foi a receptividade dos eleitores?
Danutta: Foi muito positiva e, sobretudo, muito emocionante. Para mim, o contato direto com as pessoas continua sendo uma das formas mais importantes de compreender o que elas esperam da política. Nesta segunda campanha, percebi que muitas pessoas se lembravam das pautas que defendemos anteriormente e reconheciam a continuidade do nosso posicionamento. Isso tem um significado especial, porque coerência, para mim, não é repetir discursos, mas permanecer fiel aos princípios que nos levaram a entrar na vida pública.
Também encontrei pessoas que passaram a conhecer meu trabalho agora e que se identificaram com as pautas que apresentamos. Os encontros, as conversas e até as cobranças foram importantes porque mostram que existe uma expectativa para que a política seja exercida com mais proximidade, respeito e responsabilidade.
Tive também a oportunidade de contar com a colaboração do deputado estadual Sebastião Santos, cuja maneira próxima e humanizada de lidar com as pessoas foi uma experiência importante nesta caminhada. Aprendi muito observando sua forma de ouvir, compreender necessidades e tratar as pessoas com simplicidade.
Gazeta: Quais foram os principais desafios que você enfrentou nessas semanas de campanha?
Danutta: Um dos grandes desafios é a própria dimensão e diversidade do Estado de São Paulo. São regiões com realidades, necessidades e características muito diferentes.
Estar presente, ouvir as pessoas e apresentar nossas propostas em um período eleitoral tão curto exige muita disposição e organização. Existe também o desafio de fazer com que uma candidatura com menos estrutura consiga alcançar pessoas em diferentes regiões e apresentar, com clareza, aquilo que defendemos. Para mim, entretanto, existe um desafio ainda maior: conseguir transformar convicções em propostas concretas e mostrar que é possível fazer política com posicionamento, responsabilidade e respeito por quem pensa diferente.
Gazeta: E o que mais te surpreendeu positivamente?
Danutta: O que mais me surpreendeu foi perceber a quantidade de pessoas dispostas a participar espontaneamente, simplesmente porque se identificaram com aquilo que estamos defendendo. Tenho encontrado jovens mais interessados em discutir política, pessoas que passaram a acompanhar nosso trabalho e cidadãos que se dispõem a conversar, compartilhar ideias e apresentar suas próprias preocupações.
Isso me alegra porque reforça uma convicção que carrego desde a primeira campanha: as pessoas não precisam necessariamente concordar em tudo para participar da construção política. Elas precisam encontrar espaço para serem ouvidas e representantes que tenham clareza sobre aquilo que defendem. Para mim, essa participação espontânea é uma demonstração de que existe interesse por uma política mais próxima, transparente e conectada com a vida real.
Gazeta: Qual sua expectativa para o pleito?
Danutta: Minha expectativa é chegar ao final desta eleição com a tranquilidade de saber que fizemos uma campanha coerente com aquilo que defendemos. Naturalmente, todo candidato espera uma boa votação e deseja que seu trabalho seja reconhecido nas urnas. Mas aprendi, ao longo dessa caminhada, que existe uma parte do processo que está sob nosso controle e outra que pertence ao eleitor.
O que estava ao meu alcance foi trabalhar, apresentar minhas convicções, ouvir pessoas, percorrer diferentes regiões e defender as pautas nas quais acredito. Independentemente do resultado, quero olhar para essa campanha e reconhecer nela a continuidade de um propósito: fazer política com responsabilidade, posicionamento, respeito e humanidade. Tenho fé e sigo fazendo a minha parte com coragem e serenidade, confiando que nem tudo está sob o nosso controle.
Gazeta: Qual seu recado para os eleitores nesta reta final?
Danutta: Eu não pretendo chegar ao Congresso Nacional com a promessa de resolver tudo. Seria desonesto dizer isso. O que posso assumir é o compromisso de trabalhar, fiscalizar, propor, cobrar e me posicionar diante das questões que considero importantes. Minhas bandeiras podem parecer diferentes entre si, mas, para mim, todas têm uma mesma raiz: dignidade.
Dignidade para quem espera um transplante. Para uma pessoa neurodivergente e sua família. Para quem enfrenta um câncer. Para a criança que precisa de uma educação de qualidade e para o professor que precisa ser valorizado. Para uma mãe que cria seus filhos sozinha. Para uma mulher vítima de violência. Para uma criança vítima de abuso. E também para o trabalhador que precisa de condições para viver com mais segurança e perspectiva.
É esse olhar que quero levar para a vida pública: defender minhas convicções com clareza, sem transformar quem pensa diferente em inimigo. Acredito que política precisa produzir consequências concretas na vida das pessoas. No fim, por trás de cada decisão tomada no Legislativo, existem vidas, famílias e histórias que serão afetadas por ela.
E sigo com aquilo que sempre me sustentou: lutar, trabalhar, me posicionar e fazer tudo aquilo que estiver ao meu alcance. Mas também aprendi que nem tudo está sob o nosso controle. Por isso, faço a minha parte com amor e coragem e confio a Deus aquilo que as minhas mãos não podem alcançar. Eu não sei onde essa caminhada vai me levar, mas sei em Quem confio: minha vida está nas mãos de Deus.

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