Bacia leiteira de Vargem já chegou a produzir 30 mil litros por dia

Sr. João Batista Machado do Amaral, durante Leilão de Gado realizado pelo Sindicato Rural Patronal em 2011, no Recinto de Exposições Christiano Dutra do Nascimento. Foto: Arquivo Gazeta

Há muito pouco registro sobre a história da bacia leiteira de Vargem Grande do Sul. Mas, ela já foi muito grande no passado e segundo pode apurar o jornal, chegou a tirar mais de 30.000 litros de leite por dia. Esses dados foram conseguidos junto ao empresário e também produtor André Tiago Prudente, dono da marca Leite Puro da Fazenda e que há cerca de 20 anos compra leite da maioria dos produtores de Vargem e conhece um pouco da história. Hoje, Tiago afirma que a produção leiteira do município não deve chegar a 6 mil litros diários.
Produzir leite sempre foi uma das principais atividades do homem do campo. A partir dos anos 70, além do leite tradicional in natura, vendidos nas tradicionais garrafas de vidro, algumas novidades começaram a aparecer dos derivados do leite, como o iogurte com sabor de frutas, as sobremesas lácteas, os queijos especiais e o leite esterilizado.
Grandes empresas multinacionais passaram a comprar leite dos produtores, exemplo a Parmalat, que depois de muitas negociações com a empresa Mococa, passou a concentrar na linha de leite esterilizado. Produto que foi conquistando aos poucos a preferência dos consumidores. Aumentar a produção para atender este novo mercado atraiu muitos empreendedores que atuavam em outros setores.
Em Vargem Grande do Sul, muitos passaram a vender também para a Danone. Outros grandes compradores eram a Cooperativa de Laticínio de Aguaí (Colag), o Laticínio Argenzio de Casa Branca, a Leco de São João da Boa Vista, o Laticínio Roni de São Sebastião da Grama.
Em 1985, os produtores de leite de Vargem lutavam para tentar melhores ganhos. Foram dessa época iniciativas como a de se associar à Cooperativa Laticínios de Aguaí (Colag), que chegou a construir um posto de resfriamento em Vargem Grande do Sul e uma loja para vender aos cooperados produtos veterinários e rações a preço de cooperativa.
À frente destes empreendimentos, o presidente do Sindicato Rural de Vargem, o agropecuarista João Batista Machado do Amaral e produtores como Fábio Dutra. Foi por esta ocasião, no ano de 1986, que foi construído o Recinto de Exposições Christiano Dutra do Nascimento, no governo do então prefeito Alfeu Rodrigues do Patrocínio, ele também um dos antigos produtores de leite de Vargem Grande do Sul e incentivador da classe.
Foi através do uso do Recinto de Exposições, que João Batista Amaral como presidente do Sindicato, realizou diversos leilões e exposições de gado leiteiro, visando aprimorar o rebanho do município, que passou a ter no gado girolando, uma das suas principais raças produtoras de leite.
Muitos fatores levaram ao declínio da produção de leite em Vargem, fato que ocorreu em todo o Estado de São Paulo e também no Brasil. Um dos que mais pesou certamente foi o elevado custo de produção e os prejuízos com os baixos preços pagos aos produtores. Os sérios problemas econômicos vividos pelo Brasil no final da década de 80 e início da década de 90, no auge da hiperinflação vivida pelo país, contribuíram para levar muitos dos grandes produtores a desistirem da atividade, uma vez que investiram muito na época e não tiveram o devido retorno.
A abertura do mercado brasileiro também trouxe consequências negativas para o setor. A importação de leite em pó da Argentina, Uruguai, Nova Zelândia e principalmente da Comunidade Europeia cujo leite era subsidiado pelos seus governos, atingindo os produtores que passaram a sofrer com a redução dos preços pagos pelos laticínios e grandes grupos multinacionais.

Leite começa a perder espaço na década de 90

No início da década de 90, a situação começou a ficar mais crítica e segundo o agrônomo e proprietário da Agrovar Alberto Magno Dantas, que vendia muitos produtos aos pecuaristas, principalmente ração e produtos veterinários, deu-se início ao desmonte da bacia leiteira de Vargem, com muitos produtores vendendo seus planteis e desfazendo de seus equipamentos.
A produtora Jaci Beni Bolonha foi uma das primeiras a vender as matrizes de seu rebanho, um dos mais produtivos e selecionados da cidade. Geralmente as vacas eram comercializadas com produtores de Goiás, onde a produção de leite estava em expansão.
Como ela, produtores que chegaram a tirar milhares de litros de leite por dia, como Fábio Dutra, João Batista Amaral, José Luís Amaral, Carlos Dutra, José Antônio de Souza (Zé Mineiro), Antônio Maziero, José Aparecido da Fonseca (Tota), Antônio Fiorini, Alzira Gambaroto, Gilberto Gomes, Angelin Cavalheiro, Luís Antônio Cavalheiro (Totonho), Reinaldo Ranzani, Ismael Casaroto (Mazinho) Valdomiro Rui Gomes, Gilberto Gomes, Carlos Alberto de Oliveira (Carlitão), dentre outros, foram aos poucos se desfazendo de seu gado leiteiro e a bacia começou a declinar.
Os pequenos produtores também se viram inviabilizados e aqueles que no passado foram os responsáveis por tornar o município, apesar de pequeno na sua extensão territorial, um dos grandes produtores de leite do Estado de São Paulo, foram obrigados a deixar todo um patrimônio e uma experiência adquirida ao longo de décadas em equipamentos, manejo e melhoria genética do gado, ir se perdendo. A maioria voltou para as atividades que exercia antes de se dedicar à produção de leite e quem já era do ramo, partiu para outras, como a engorda de bois, que passou a ser mais rentável.

Retomada seria difícil
Para o atual presidente do Sindicato Rural Patronal, Gustavo Siqueira do Amaral, a tendência do leite é ficar nas mãos dos grandes produtores nacionais. Quem tinha uma produção média em relação a estes grandes, acabou não tendo condições de competir. Também vão tocar seus retiros, os pequenos produtores, cuja produção é familiar e esses não vão parar.
Gustavo acha difícil a bacia leiteira de Vargem voltar ao que foi no passado, uma vez que quem parou as atividades, suas instalações ficaram obsoletas, vendeu-se o plantel e montar tudo de novo é difícil e caro. Ele lamenta, porque de todas as atividades na roça, a leiteira é a que mais gera empregos diretos e indiretos.
Para ele, achar o equilíbrio entre o preço pago ao produtor e na ponta o quanto o consumidor vai poder pagar, é a chave da questão. “O leite é um alimento básico. Ele tem de ser acessível ao consumidor e ao mesmo tempo, o produtor tem de ganhar o suficiente para poder produzir e investir”, afirmou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui