Na última semana, Maria Aparecida de Andrade Zamora, uma senhora de 74 anos que reside sozinha próximo ao Centro, foi vítima do chamado ‘golpe do telhado’ ou ‘golpe do cupim’. Ela procurou a Gazeta de Vargem Grande e falou sobre o caso.
Segundo o relatado ao jornal, ela foi alertada que poderia estar caindo em um golpe, procurou a Polícia Militar e a Polícia Civil, mas não obteve ajuda. Assim, além de sair no prejuízo ao perder R$ 4 mil para os criminosos, a mulher disse que ficou angustiada com a falta de segurança que sentiu.
Ela contou que três homens, um mais velho e dois na faixa dos 20 anos, que se diziam ser pai e filhos, bateram na porta de sua casa no dia 9 dizendo que estavam trabalhando em um telhado na vizinhança e viram que o dela estava com problemas.
Um dos filhos subiu no telhado e voltou com uma telha cheia de cupim, informando que as vigas estavam podres e que, com as chuvas que estão caindo na cidade, o telhado dela poderia ceder. A mulher entrou em desespero e ficou preocupada. Os rapazes, então, ofereceram o serviço para arrumar o telhado por R$ 7 mil e, em negociação, o valor caiu para R$ 4 mil. O trio emitiu um recibo com um nome e um CPF.
Conforme contou, ela foi ao banco retirar o dinheiro, uma vez que os homens não recebiam cheque e ela não utilizava Pix. Ela relembrou que, ao ver o seu nervosismo, o atendente perguntou o que estava acontecendo. “Eu contei a ele a história e ele me alertou de que poderia ser um golpe. O atendente sugeriu que eu fosse à Polícia Militar e foi isso que eu fiz. Ao chegar lá, havia um policial na calçada, eu expliquei, falei do recibo e ele disse pra eu procurar a Delegacia de Polícia Civil, pois poderiam pesquisar o nome e o CPF”, disse.
“E, então, eu fui à delegacia. A atendente me informou que o delegado estava em horário de almoço e que nada poderia fazer para me ajudar. Saí de lá chorando e com a certeza de que estava caindo em um golpe. Pensei em voltar para casa e dizer que o banco não havia liberado o valor ou que havia liberado só metade, mas tive medo por serem três homens. A surpresa foi que quando cheguei à minha casa, havia cinco homens”, completou.
Segundo informou, ela pagou os homens, que informaram que retornariam no dia seguinte para retirar o saco de sujeira. O saco, contudo, está até hoje na calçada de sua casa.
Maria relatou o acontecido aos filhos no domingo, dia 12, sendo que eles a aconselharam a procurar a Delegacia na segunda-feira, dia 13, e fazer um boletim de ocorrência. “Voltei à delegacia e conversei com o delegado, que entendeu a minha decepção e me deu razão em estar frustrada por não ter recebido ajuda. Ele pesquisou e o CPF era de outra pessoa, então eles perderam a chance de prender os homens enquanto eles estavam no meu telhado. O delegado informou que a Polícia Militar também poderia ter feito a pesquisa e que a atendente deveria tê-lo acionado, mesmo que estivesse em seu horário de almoço, para que providências fossem tomadas”, contou.
Ela ressaltou que, agora, de cabeça fresca, consegue perceber que tudo era um golpe, mas que na hora o susto não deixou que ela raciocinasse. “Eu fiquei paralisada, sem saber o que fazer e, agora, vejo que as informações que eles davam não se encaixavam e acredito que o rapaz trouxe o cupim em uma sacola em seu bolso, pois eles estavam se movimentando muito. Mas, na hora, não dá para perceber nada disso”, disse.
A Gazeta de Vargem Grande contatou o delegado de Polícia Civil Antônio Carlos Pereira Jr., que informou que o caso está sendo investigado e que a Delegacia de Polícia Civil já tem alguns suspeitos do crime.
Na pandemia, golpes em idosos foram destaque
Um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) revela que desde o início da pandemia da Covid-19 houve um aumento de 60% em tentativas de golpes financeiros contra idosos. O estudo foi realizado em 2020.
Para combater as fraudes financeiras, a entidade, com o apoio da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e do Banco Central, a Febraban lançou uma campanha para informar e conscientizar sobre as tentativas de golpes financeiros.
Segundo a Febraban, os bancos investem R$ 2 bilhões por ano em segurança da informação para garantir tranquilidade e segurança a seus clientes e colaboradores. “Estamos intensificando nossas ações, pois quadrilhas se aproveitaram do aumento das transações digitais causado pelo isolamento social e da vulnerabilidade dos consumidores, em especial dos idosos, para aplicar golpes por meio da chamada engenharia social, manipulação psicológica do usuário para que ele lhe forneça informações confidenciais”, explica o presidente Isaac Sidney.
Outro dado levantado pela Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da Federação dos Bancos revelou que, atualmente, 70% das fraudes estão vinculadas a tentativas de estelionatários em obter códigos e senhas.
Golpes
Entre os exemplos de como os golpistas agem, de acordo com a Febraban, estão as ligações para a casa dos clientes, nas quais o estelionatário diz ser do banco e pede para confirmar algumas informações, como dados pessoais e senhas. Ao fornecer informações pessoais e sigilosas, como a senha, o consumidor expõe sua conta bancária e seu patrimônio aos golpistas. Há também casos em que o fraudador se apresenta como um “funcionário do banco” e pede para o cliente realizar uma transferência como um teste. Os bancos nunca ligam para clientes para realizar transações.
Durante o período de quarentena, as instituições financeiras chegaram a registrar aumento de mais de 80% nas tentativas de ataques de phishing, que se inicia por meio de recebimento de e-mails que carregam vírus ou links e que direcionam o usuário a sites falsos, que, normalmente, possuem remetentes desconhecidos ou falsos.
O golpe do falso motoboy teve aumento de 65% durante o período de isolamento social. Nele, criminosos entram em contato com as vítimas se fazendo passar pelo banco para comunicar a realização de transações suspeitas com o cartão de crédito do cliente. Usando técnicas de convencimento para obter dados, os golpistas informam que um motoboy será enviado para recolher o cartão supostamente clonado para que sejam feitas outras análises necessárias para o cancelamento das compras irregulares.
Para passar uma imagem de segurança, alerta a Febraban, os criminosos orientam a vítima a cortar o cartão ao meio, para inutilizar a tarja magnética, antes de entregá-lo ao motoboy. No entanto, o chip permanece intacto, o que permite que a quadrilha faça compras com o cartão, ainda que o plástico esteja partido ao meio.
Durante a campanha postagens e vídeos ensinarão a proteger-se dos principais golpes aplicados atualmente contra os clientes bancários. Fique atento às principais dicas: O banco nunca liga para o cliente pedindo senha nem o número do cartão; também em hipótese alguma vai mandar alguém para a casa do cliente para retirar o cartão; bancos nunca ligam para pedir para realizar uma transferência ou qualquer tipo de pagamento, ao receber uma ligação dizendo que o cartão foi clonado, o cliente deve desligar, pegar o número de telefone que está no cartão e ligar de outro telefone para esclarecer a informação; se receber um SMS ou e-mail do banco com um link, apague imediatamente e ligue para o seu gerente; e jamais compartilhe sua senha com ninguém.
Os principais golpes
A Secretaria da Justiça e Cidadania do Governo do Estado do Paraná lançou uma campanha a fim de informar e orientar os idosos quanto aos principais golpes aplicados.
Entre os principais golpes em idosos há o do bilhete premiado, onde uma pessoa, normalmente aparentando origem humilde, diz ter ganho na loteria ou diz ter uma indenização a receber no banco, porém sempre há um impedimento para receber o dinheiro. Apresenta sempre diferentes versões: ou está sem o documento, ou tem uma dívida no banco, ou a agência já está fechada e a pessoa precisa viajar para outra cidade. O golpista repassa à vítima os direitos do “prêmio” em troca de um valor mais baixo do que deveria receber e desaparece.
O golpe da saidinha de banco acontece em razão da dificuldade que muitas pessoas idosas possuem com tecnologia, por vezes este público precisa de auxílio para o uso de caixas eletrônicos. Golpistas se aproximam de vítimas em potencial identificando-se como funcionários do banco e oferecem ajuda, coletando dados pessoais como senha e código de segurança do cartão.
No golpe do empréstimo consignado, estelionatários falsificam documentos pessoais e realizam empréstimos em nome das pessoas apenas em posse de dados pessoais.
Um golpe bem famoso é o do falso sequestro, na qual alguém liga para o celular da vítima e ouve choro e pedidos de ajuda. Diz se tratar de alguém da sua família e que esta pessoa foi sequestrada. Quem atende geralmente fica nervoso e confuso, passando informações sobre a vítima em potencial. O golpista exigirá dinheiro em troca da liberdade do familiar sequestrado.
No golpe do processo judicial, uma carta ou telefonema de um escritório de advocacia avisa que o aposentado tem o direito a uma causa ganha na justiça, mas que é necessário pagar os honorários e custas judiciais para que este escritório entre com a ação. Por vezes apresentam dados pessoais furtados de outras fontes para o convencimento da vítima. O depósito é realizado em contas de pessoas inexistentes ou que desconhecem o fato, nunca recebendo valores de qualquer ação.
O golpe amoroso pela internet também é preocupante, na qual as vítimas geralmente são pegas em salas de bate papo. O criminoso busca pessoas mais maduras e que preferencialmente, morem sozinhas. Diz morar no exterior e ter boas condições financeiras. Aos poucos e com tempo vai envolvendo afetivamente a vítima, até despertar a confiança. É neste momento que o estelionatário arma o golpe: tenta marcar encontros, solicita empréstimos ou apresenta fotografias de presentes e valores pedindo para que a vítima realize depósitos ou pagamentos.
No golpe de compra no cartão de crédito, por telefone, estelionatários ligam para confirmar a compra de algo, geralmente de alto valor. E com a conversa extrai dados pessoais da vítima.
Um outro golpe famoso é o do cartão retido no caixa eletrônico, onde estelionatários instalam um equipamento para travar cartão magnético em caixas eletrônicos, a fim de reter os dados.












