
A história do livro de Ganymédes José tem uma trajetória pouco conhecida dos casa-branquenses que conhecem e leram a obra.
Tudo se iniciou com um concurso, promovido pela Câmara Municipal, sobre a história de Casa Branca, cujo prêmio ao vencedor seria a publicação do trabalho em livro. Precisamos destacar, também, a época em que isso aconteceu. Eram os anos 1960/1970, pós 1964, em plena efervescência da ditadura militar. Casa Branca, como toda pequena cidade do interior, assistia de longe aos acontecimentos, e seus governantes e demais autoridades cumpriam à risca as determinações que vinham das instâncias superiores. Os anos 1960 foram para Casa Branca uma época de pouca informação. A cidade, nessa década, não contava com jornal impresso, o que dificulta a pesquisa histórica dos fatos cotidianos do local. O único meio de comunicação em atividade era a Rádio Difusora, pertencente à Congregação Estigmatina. Em 25/10/1970, finalmente, surgiu o jornal Folha de Casa Branca, propriedade da gráfica O Movimento, de Pirassununga, comandado pelo jornalista Daniel Caetano do Carmo, que editava diversos jornais na região. Entre os primeiros colaboradores da Folha, estavam Ganymédes José e seu irmão Tenê.
Para o concurso promovido pela Câmara Municipal, apresentou-se o jovem Ganymédes José, que na época já tinha uma trajetória de participação em eventos artísticos e culturais da cidade: foi vencedor do concurso promovido pela Prefeitura Municipal para elaboração do Brasão do município, em 1958, sob a gestão do prefeito João Salles Cunha, além de participar dos festivais de música popular promovidos pelo Tiro de Guerra no Cine Casa Branca, sob a coordenação do sargento Moacir de Aguiar, onde foi apresentador e vencedor, com a composição Mensagem.
Nessa ocasião, Ganymédes era professor do Colégio Comercial, dirigido por Jonas Capelli, que funcionava no antigo prédio dos laticínios Ararat, de Krikor Sanossian, na esquina das ruas Duque de Caxias com Altino Arantes, em frente à Igreja Presbiteriana, ao lado do Banco do Brasil. Utilizando-se de seu espírito de pesquisador e interessado pelas histórias da cidade, Ganymédes valeu-se de seus alunos para resgatar o acervo de jornais publicados durante várias décadas pelo maestro Justino de Castro, falecido na década de 1940 e continuado por seu filho, Silvio de Castro. O extinto jornal O Casa Branca foi uma fonte inesgotável de material para compor a história de Casa Branca ao longo de todo o século XX, uma vez que Justino de Castro também tinha veia de pesquisador e continuamente publicava informações históricas do município. O acervo de O Casa Branca possuía, também, vasta coleção de exemplares de diversos outros periódicos publicados em Casa Branca, desde que a imprensa se instalou na cidade. Desses inúmeros jornais, muitos dos quais restavam ou foram editadas pequenas e limitadas edições, também fluíram preciosas informações, que Ganymédes juntou, selecionou e costurou em seu futuro livro sobre a sua cidade.
Ganymédes, além do enorme acervo de jornais de Justino de Castro, utilizou em sua pesquisa os livros de atas da Câmara Municipal, enorme registro da vida pública, política e administrativa de Casa Branca desde a criação da vila, em 1841, além dos livros da igreja matriz, outra fonte inesgotável de informações.
Não sabemos se, no concurso promovido pela prefeitura, tenha havido algum outro participante. O fato é que Ganymédes pesquisou e elaborou seu trabalho, apresentando-o, mas sem conseguir o prêmio prometido, ou seja, a publicação do livro. Depois de muito reclamar e passada a gestão promotora do evento, o então prefeito Ary Marcondes do Amaral, atendendo ao compromisso assumido pela municipalidade, determinou a impressão de Uma Vez, Casa Branca…












