José Ernesto Bologna e Bia Bologna
22 de julho de 2024
Aos
Fundadores, Seguidores
Cavaleiros e Amazonas
de Sant’Ana
Corria 74 …
Não era um sorteio, era um ano
e pelo azar e abandono,
bem na beira lá da leira,
tombou uma cruz de madeira
Repararam no ocorrido,
mas o fato foi esquecido
Porém as desgraças cresceram
até o ponto em que os Peões
revelaram as impressões
de que o cruzeiro caído
cobrava assim seu castigo
Alguns creram, outros riram,
mas pelo espaço da dúvida
muitos disseram: – Confiram!
Somente fé não é razão,
(uma é alma, outra é cabeça)
e por mais que a ciência meça
o que é verdade ou invenção,
no caso da fé é necessário
que se acredite primeiro
pela reza que restava,
para ver, em derradeiro,
aquilo que se esperava
Assim renasceu o Cruzeiro,
na Igreja de Nossa Senhora,
cuja fama, tão ufana,
pede à sua Mãe, que é Sant’Ana
o papel de Padroeira
dos Tropeiros Cavaleiros
Esse encontro religioso
desdobrou-se em outros ritos,
mas os que amam seus mitos
não abrem suas tradições
A festa celebra os Peões!
Chegando
(sorrindo ou moído)
a religião é de todos,
a fé é de cada indivíduo
É dos muladeiros, tropeiros,
é dos bois de carretela,
é dos velhos mensageiros
cuja fé, nas suas costelas,
a todos nós emociona
com tanta autenticidade
quando beijam a Fita Santa
e aprofundam os seus laços,
quando pedem à Mãe de todos
que os proteja nos seus passos
Peões são humanos de aço
cuja alma é tão sensível
que aguentam todo cansaço
mas choram ante o milagre,
cada ano, e todo ano,
dos pedidos à Sant’Ana
Por força da tradição
é bela sua procissão
Honrando tantas memórias,
aqui se inscrevem as histórias
Ao invés de pelo avesso,
comecemos do começo
Um a um o espaço adentra,
São Joaquim todos concentra
Muitos chegam … abre o dia
lá começa a Romaria
Cruza o asfalto e se dirige
à Aparecida e à Matriz
Primeiro bandeiras e bênçãos,
depois os carros de boi
trazendo Santana e seus Santos,
então … princesas … rainhas
amazonas … cavaleiros
charretes e muladeiros
Com o tempo cresce o corso
celebrando a sua raiz:
– Beije a Fita à Aparecida
rumo à Igreja Matriz
Relembrando os ancestrais,
traz o passado ao presente
ensinando que o futuro
é a fé que as gentes da gente
têm em todos ao redor

Acima deles, por Mór,
reinam as Santas sagradas
e bem aqui, nessas fitas,
beijamos as graças benditas
com nossa crença infinita
Porém, os humanos variam
Alguns insistem na fé
outros vêem a Romaria
mais como um fato social
Consideremos, no entanto,
que em todo embate
em que um Bem
testemunha com seu pranto,
o que é Choro de Alegria
a resposta vai além …
Ela leva e traz a Paz!
Não importa qual a opinião,
a verdade é que é preciso
completar a Educação
com a Moral da Religião
O caboclo é a voz do povo
puro, crente, honesto e reto
sabedor que a gratidão
é o mais nobre dos afetos
Portanto gratos, Sant’Ana!
Todo ano, a cada ano,
seus Cavaleiros da Fé
tornam real a utopia
cavalgando a Romaria …
Tornam real a utopia …
Cavalgando a Romaria …
Dedicado Célia, Dôra e Goiaba













