Editorial: População tem de se unir contra a dengue

Ao lermos a matéria publicada na edição da semana passada sobre a dengue em Vargem Grande do Sul, nos deparamos com um quadro que nos chama a atenção pela eloquência dos números de casos da doença ocorridos no município no ano passado. Em 2024 foram 7.463 notificações e 3.275 casos confirmados, um número que precisa de uma explicação bem plausível, uma vez que em 2022, apenas dois anos antes, foram tão somente 17 notificações e 8 casos, um salto monstruoso em apenas dois anos de 43.784% em notificações e 40.837,5% em casos confirmados. Algumas cidades da região também apresentaram esse quadro de baixíssimos números de dengue em 2022 e explosão em 2024, o que pode ter como causa além do baixo número de casos de fato, o problema envolvendo a pandemia da Covid que estava chegando ao final, mas ainda era a prioridade nos serviços de saúde dos municípios naquele ano. A dengue de fato explodiu em todo o Brasil no ano passado, e segundo dados obtidos pelo jornal, disponíveis em várias reportagens na internet, até agosto de 2024, teriam sido notificados 6,4 milhões de casos prováveis de dengue no Brasil, sendo 5 milhões deles confirmados pelo Ministério da Saúde, um número seis vezes maior em comparação a 2023, quando o surto chegou a 1,6 milhão de pessoas. Este descontrole no combate à doença, leva o Brasil a liderar a quantidade de casos da maior epidemia de dengue da história na região das Américas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme consta de matéria publicada pela Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo. De acordo com o médico infectologista e diretor de Desenvolvimento Clínico do Instituto Butantan, José Moreira, o surto verificado em 2024 foi multifatorial, pois houve a circulação dos quatro sorotipos, as mudanças climáticas, a falha das medidas de prevenção, além da urbanização descontrolada, indivíduos suscetíveis à doença e baixas condições socioeconômicas, tudo isso impactaram diretamente na epidemia no ano passado e certamente Vargem vivenciou todos estes problemas, o que levou à explosão dos casos. Portanto, todo cuidado é pouco, pois só quem pegou a doença, sabe o quanto ela agride o corpo, causando seríssimos problemas de saúde, chegando a óbitos a depender da evolução da doença, sem falar no transtorno causado no sistema de saúde municipal e no prejuízo econômico que atinge a todos, indistintamente, porém, sacrificando ainda mais as pessoas mais vulneráveis economicamente. Este ano o combate à dengue já está nas ruas da cidade, com o mutirão contra a dengue recolhendo entulhos nas casas e fazendo um trabalho de conscientização junto à população. Toda a população de Vargem Grande do Sul tem de se unir contra a doença e olhar não só dentro do terreno da sua casa, mas também os terrenos vizinhos, onde qualquer recipiente pode acumular água e se tornar um criadouro de dengue. A preocupação das autoridades sanitárias é que neste ano já está aparecendo a dengue tipo 3, que responde por quase metade dos casos registrados em 2025 no Brasil. Ela pode causar mais infecções e quadros graves da doença. O tipo 3 não circulava há muitos anos no Brasil, com a população tendo baixa imunidade contra ele e uma vez contaminada, a pessoa corre o risco da doença se agravar seriamente.

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