Empreendedorismo para driblar o desemprego

Especialista em gestão de pessoas, Gabi Lourenço falou à Gazeta. Foto: Arquivo Pessoal

A pandemia do novo Coronavírus completou um ano no mês de março e hoje se comemora o dia do trabalho. Para um número elevado de pessoas em todo o país não há muito o que comemorar, uma vez que muitas empresas foram obrigadas a encerrar as atividades porque não tiveram meios para manter as portas abertas durante essa crise. Com isso, o desemprego, que sempre teve altos índices, deu um salto ainda maior, fazendo com que muitas famílias chegassem a passar por dificuldades financeiras.
Ouvida pela Gazeta de Vargem Grande, Gabi Lourenço, que é especialista em Liderança e Gestão de Pessoas, afirma que mesmo com esse cenário lamentável de incertezas e de crise econômica agravada por conta do Covid-19, há muitas empresas contratando, porém, em um ritmo menos acelerado do que o habitual, e por isso, essas contratações não são suficientes para fazerem um contraponto ao déficit apresentado pelas demissões.
Gabi, que já chegou a receber mais de 80 currículos em menos de uma hora para vaga de auxiliar administrativo, afirma que nesse cenário de desemprego, a tendência é haver uma concorrência ainda mais acirrada por uma vaga no mercado de trabalho e nos concedeu uma entrevista onde explica melhor esse cenário e dá orientações para as pessoas que estão em busca de novas oportunidades. Confira:

Gazeta: Como você avalia esse cenário sob a ótica do empresário?
Gabi Lourenço:
Muitos empresários estão lutando para manterem as portas abertas e sobretudo os empregos, pois sabem que existe muitas famílias que dependem dessas vagas. Eu vejo muita consciência dos empresários nesse sentido e aqueles que fecham as portas é porque todos os recursos e possibilidades já foram esgotados. Em cidades maiores, por exemplo, muitas lojas tradicionais têm fechado as portas, principalmente em shoppings onde o custo operacional é mais elevado.

Gazeta: Você acredita que ao final da pandemia as contratações estarão em alta?
Gabi Lourenço:
Acredito que algumas áreas como turismo, eventos e entretenimentos que estão entre as mais atingidas terão uma movimentação rápida por estarem parados há muito tempo, embora, isso, não necessariamente, representará alta nas contratações de imediato. Isso significa que, de modo geral, essa retomada acontecerá de forma contida, pois devemos lembrar que a luta não é apenas contra o vírus, e que estamos em meio a uma das maiores crises econômicas dos últimos tempos, e, por isso, o turismo e eventos podem demorar para dar sinais de vida, sobretudo nas classes econômicas mais atingidas pela pandemia.

Gazeta: Qual a sua orientação para as pessoas que perderam o emprego na pandemia?
Gabi Lourenço:
Eu costumo dizer que procurar um trabalho também é trabalhar, ou seja, demanda planejamento e tempo. As melhores maneiras de conquistar um emprego sempre foram por meio de networking e contato prévio com a empresa, porque hoje a concorrência está ainda mais acirrada e as vagas, quando anunciadas, contam com um número surreal de candidatos, o que dificulta ao selecionador fazer uma boa triagem, sobretudo se ele não é expert em Recrutamento e Seleção, e com isso diminuem muito as chances dos candidatos. Portanto, o caminho mais saudável é continuar sua busca por uma vaga normalmente, atentando sempre que as vagas mais difíceis e concorridas são as vagas anunciadas e que o melhor é se antecipar ao anúncio, e paralelo a isso, buscar no empreendedorismo o caminho para a sobrevivência.

Gazeta: Para uma pessoa que nunca empreendeu, como ela pode trilhar esse caminho?
Gabi Lourenço:
Quando falamos sobre empreendedorismo logo as pessoas imaginam grandes empresas, mas vale lembrar que grande parte das empresas grandes começaram a partir de uma ideia e com poucos recursos, algumas até nasceram por acidente. Então o primeiro ponto é identificar algo que a pessoa faz bem feito e que pode ser transformado em uma ideia de negócio ou identificar oportunidades simples que podem ser revertidas em negócio, por exemplo, com a pandemia as pessoas estão mais dentro de casa, com base nessa informação, quais ideias de negócio poderiam ser validadas? O que a pessoa pode fazer online, levando em conta que as crianças estão em casa, festas de aniversário estão mais compactas? Uma grande ideia deve vir após esses questionamentos. O passo seguinte é validar essa ideia entre a família e amigos, identificar a demanda. Isso vale para venda de produtos ou serviços, e é importante salientar também que algo simples, que as pessoas já fazem muito que é a venda de salgados, doces, bolos, serviços de jardinagem, elétrica, montagem de móveis, tudo isso é empreendedorismo e salva muita gente do desemprego. A sacada está na pessoa levar a sério a atividade que ela está desenvolvendo e nunca tratá-la apenas como um “bico”, e isso envolve também a formalização do negócio, para gerar mais credibilidade para o empreendedor e para seus clientes.

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