Cineasta de Vargem participa de projeto do Greenpeace no Oceano Índico

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Fernanda Ligabue em seu primeiro mergulho no Índico. Foto: Laurel Chor/Greenpeace
A documentarista está registrando a pesca predatória no Oceano Índico. Foto: Laurel Chor/Greenpeace

Depois de cobrir diversos desastres ambientais brasileiros nos últimos anos, como o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), as queimadas no Cerrado e na Amazônia no ano passado e o derramamento de óleo no litoral brasileiro em 2019, a documentarista e videomaker Fernanda de Paiva Ligabue está no Oceano Índico, a bordo do Arctic Sunrise, navio do Greenpeace que está realizando uma campanha de combate à pesca predatória industrial e pela proteção da biodiversidade marinha.
O Greenpeace está navegando em todos os oceanos para fazer campanha para que um forte Tratado do Oceano Global seja aprovado nas Nações Unidas.
A vargengrandense registra os efeitos devastadores dessa modalidade de pesca, para embasar essa iniciativa do Greenpeace para a criação de um tratado global de proteção aos Oceanos, que também abrangeria ações de controle à exploração de petróleo e minérios e a poluição das águas, como criação de santuários oceânicos e áreas de proteção marinha. A meta é que até 2030, 30% dos oceanos sejam protegidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A documentarista, que é a filha mais nova de Fátima e Tadeu Ligabue, diretores da Gazeta de Vargem Grande, embarcou para o arquipélago de Seychelles, no Oceano Índico, no início de abril. Ao chegar no país que fica na costa Leste do continente africano, permaneceu em quarentena em um quarto de hotel, como medida para prevenir a contaminação por Covid-19. Em seguida, embarcou no Arctic Sunrise, que junto com os outros navios do Greenpeace, o Rainbow Warrior e o Esperanza, desenvolvem ações pelo mundo para a criação deste tratado global.

Embarcando
“Eu trabalho com o Greenpeace Brasil como documentarista e videomaker freelancer há alguns anos, já e em fevereiro fui convidada pelo Greenpeace do Reino Unido para fazer parte da campanha por proteção dos oceanos no Oceano Índico e ficar dois meses embarcada no Arctic Sunrise registrando as ações de combate à pesca excessiva”, contou à Gazeta.
Fernanda explicou que durante as filmagens, foram encontrados navios fazendo pesca em áreas de proteção, por exemplo no Saya de Malha Bank, que é o lar de um dos maiores prados de ervas marinhas do mundo e, portanto, também um dos mais importantes sumidouros de carbono marinho do planeta. Neste “hotspot climático” crítico, alguns dos piores excessos da pesca destrutiva estão ocorrendo.

Dano ambiental
A documentarista explicou também que foram registrados navios praticando a pesca predatória industrial, que por realizarem táticas de pesca em larga escala, acabam levando em suas grandes redes diversas espécies, como tubarões, tartarugas, raias e muitos outros peixes que não desejam – o que se chama de bycatch – e que são descartados, gerando uma mortandade muito grande desses animais, criando um impacto ambiental enorme naquele ecossistema.
“Também filmei armadilhas de pescas colocadas no meio do oceano, que atraem uma diversidade enorme de peixes, tubarões, raias e tartarugas. Os barcos pesqueiros vêm com redes enormes e pescam tudo de uma vez. Nós encontramos algumas durante nosso percurso, recolhemos e destruímos todas”, explicou.
Conforme o divulgado pelo Greenpeace, essas grandes empresas de pescas industriais estão arriscando a subsistência de pescadores locais nas comunidades costeiras devido à pesca excessiva. Assim, a iniciativa visa documentar a indústria pesqueira para impedir a pilhagem dos oceanos e a matança de animais selvagens. Dados do Greenpeace apontam que a população de tubarões diminuiu 60% nos últimos 50 anos e o whitetip shark, que é uma das espécies que existe na região, diminuiu 98% nos últimos 50 anos e está ameaçado de extinção.

Arctic Sunrise
No Arctic Sunrise, um navio quebra-gelo de 1975, Fernanda e seus 26 colegas de 22 países diferentes despertam todos os dias às 7h30, com um chamado geral no barco. Às 8h começa a limpeza e todo mundo precisa ir para a faxina. Banheiros, chuveiros, cozinha e outras dependências são varridos, esfregados e lavados por profissionais do Brasil, Hong Kong, México, Reino Unido, Índia, Taiwan e muitas outras nações.
Depois da limpeza, a tripulação fica livre para outras ações, de pesquisa e monitoramento. “Saímos com o Rhib, um pequeno barco inflável motorizado e vamos acompanhar os navios que detectamos que estão fazendo essa pesca predatória. Ficamos monitorando, filmando e fotografando documentando a quantidade de bycatches para entender os impactos dessa pesca excessiva na região”, disse. “Devido à Covid, mantemos sempre uma distância segura, afirmou.

Produção
Esses vídeos que Fernanda e demais membros da equipe estão produzindo serão divulgados nas redes sociais do Greenpeace “E vão fazer parte dessa campanha em busca de um tratado internacional para conseguir que pelo menos 30% dos oceanos sejam protegidos até 2030”, disse. Para acompanhar o trabalho da vargengrandense, basta seguir seu perfil no Instagram, o @ferligabue.

No UOL
No domingo, dia 2, a coluna TAB, do portal Uol publicou um perfil da vargengrandense, contando um pouco de sua biografia e do trabalho que está desenvolvendo no Arctic Sunrise. A reportagem “O mergulho de Fer Ligabue, documentarista que nadou com tubarões no Índico”, escrita por Breno Castro Alvez ficou na página principal do portal no começo da semana.

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