
Para Ganymédes José, ter o seu livro sobre a história de Casa Branca publicado foi uma enorme vitória. No ano anterior, 1972, ele já havia conseguido alcançar o grande objetivo da sua vida de escritor: a Editora Três, através da ajuda do amigo Ignácio de Loyola Brandão, publicara ao longo do ano os fascículos de A Vida de Cristo, portentosa obra vendida em bancas de jornais de todo o país que, reunidos, davam origem a um maravilhoso volume, ricamente ilustrado. A pesquisa e o texto eram do escritor casa-branquense e esse é considerado o seu primeiro livro publicado. Ganymédes José tinha, na época, 36 anos.
A publicação de Uma Vez, Casa Branca… tinha alguns elementos de prazer ainda maiores em relação ao livro A Vida de Cristo. Se, no primeiro, Ganymédes trabalhara sobre um assunto de conhecimento mundial, com poucas chances de exercer a sua criatividade literária, no segundo livro a sua imaginação correu solta. Embora construída sobre acontecimentos históricos, o escritor pode alinhavar os fatos da história da cidade com a criação de personagens e histórias de fundo que vinham da sua fértil imaginação. Por isso, Uma Vez Casa Branca…, embora tenha uma construção cronológica fielmente relacionada aos eventos da história da fundação e evolução do município, pode ser lido como um romance. Na obra, Ganymédes revela o seu grande dom de contador de histórias que prendem o leitor do começo ao fim, sem cansar.
Em entrevista ao jornal Folha de Casa Branca, edição de 14/10/1973, Ganymédes disse: “Tentei escrever uma história aconchegante e de bom paladar como jabuticaba madura. Para que os jovens não desanimassem de ler, usei da síntese. Para os mais velhos, pedi ao seu Domingos e à bem humorada dona Narcisa – pessoal da Editora São Paulo (gente bacana e paciente, pois me aguentaram sem me enxotarem às vassouradas…) que imprimissem com tipos bem grandes. Como o ser humano repete-se em outras almas e em outros corpos, espero que meu livro não seja para uma geração específica.”
Outro fator de júbilo para o escritor foi o município, através do poder público, investir na publicação do seu trabalho, num gesto de reconhecimento cultural de um filho da terra, algo extremamente raro em cidades pequenas.













