A busca pela valorização continua

Larissa Bertoloto Ranzani tem 19 anos, é estudante de marketing e já sente a pressão de ser mulher

Para Larissa Bertoloto Ranzani, uma jovem de 19 anos, os objetivos a serem almejados são bem pessoais, independentes do gênero. Mas, no grupo como todo, acredita que as mulheres buscam ser ouvidas e, a partir disso, serem tratadas com equidade: moral, profissional e social.
A vargengrandense é estudante de Marketing pela Universidade Cruzeiro do Sul. Larissa, porém, já está inserida no mercado de trabalho há anos e sente o peso que é ser mulher na sociedade. Atualmente, ela é redatora publicitária na Íonz e content strategist na Palmer Hargreaves BR.


Ao jornal, ela pontuou que acredita que, quando uma mulher é ouvida sem precisar se esforçar para isso, sua busca por equidade passa a fluir e os efeitos deste movimento passam a ser realmente concretizados.
Larissa comentou que o maior fluxo informacional e os diversos movimentos que levaram em consideração a possibilidade da entrada da mulher no mercado de trabalho mudaram efetivamente a postura social feminina. “Essa busca pela independência financeira, ou até pelo sustento familiar, reposicionaram a mulher, tanto em casa, quanto fora, uma vez que a desobrigatoriedade da maternidade, a relevância profissional, a presença política, e o desfoco de atividades que antes eram consideradas femininas passam a ser as principais distinções entre as gerações da virada do século”, disse.


Os obstáculos para alcançar seus objetivos não são poucos. “Sem contar o fator econômico (super decisivo quando se fala sobre obstáculos), a mulher, como sexo biológico, enfrenta todos os problemas vinculados a uma sociedade estruturalmente patriarcal que, infelizmente, ainda não se adaptou ao novo modelo social”, pontuou.
“A desigualdade salarial debitando quase 25% a menos das mulheres assalariadas, a pressão para exercer a maternidade, as coações para se posicionar sempre de maneira delicada e a forte associação à figura masculina e ao dever do trabalho doméstico ainda são sentidos e presenciados, uma vez que direitos simples, como o voto feminino, foram conquistados apenas em 1943, algo extremamente tardio, contando que a primeira Constituição foi criada em 1824, 119 anos antes”, completou.
A estudante de marketing ressaltou que o papel de mãe e esposa, antes indispensável e inquestionável, hoje, felizmente, tornou-se opcional. “E, as mulheres que hoje optam por assumir a maternidade e o matrimônio passaram, de forma individual, a buscar entendimento familiar e social, aderindo às práticas de respeito e equidade dentro de casa, nos seus trabalhos e nas diferentes atuações que exercem”, pontuou.
Para Larissa, com uma rede de apoio, a caminhada fica mais leve e mais prazerosa. “Rede de apoio, seja de quem for, é sempre fundamental, afinal, historicamente, quebra de estruturas antigas acontecem quando um movimento é formado. Ao ter com quem contar, a caminhada ao protagonismo e presença feminina passa a ser facilitada, não só pelo conforto emocional, mas também pelos atos de suporte práticos dentro e fora de casa”, disse.


Questionada sobre qual o papel da sociedade na busca pelos seus objetivos, Larissa afirmou que concordância nunca é obrigatória. “Afinal, a população ainda se acostuma com a nova estrutura social, mas respeito e apoio às amigas e familiares que estão nesta busca é fundamental; mais que isso: é um dever. E, se caso não houver apoio, basta não se tornar um obstáculo para as milhares de mulheres que desejam seguir suas vidas de uma forma diferente do padrão antigo”, falou.
Para que as mulheres possam se auto realizar, a estudante acredita que o maior sacrifício é o egoísmo e o tempo de busca. “Pensar naquilo que ambiciona e não dar ouvidos a palavras desanimadoras durante o processo, além de dedicar seu tempo e esforço aos seus próprios desejos, independentemente de quais sejam, são pontos chave para a autorrealização, por mais difíceis que sejam”, expôs.


Segundo Larissa, os ganhos materiais, porém, não suprem essa necessidade. “Afinal, nem todas as mulheres desejam aumento de capital. Para algumas, inclusive, a necessidade individual envolve muito mais o campo emocional, o apoio dos familiares e a realização profissional, independente do retorno econômico”, argumentou.
Ela opinou sobre como conciliar as buscas pessoais, profissionais e familiares. “Apesar de serem vertentes diferentes, precisamos lembrar que todas essas buscas e desejos compõem apenas uma única pessoa: nós mesmas. O primeiro passo sempre é a auto valorização, colocando-se em primeiro lugar para as escolhas que envolvem a auto realização e separando cada objetivo por ordem de importância durante a jornada, lembrando que cada um deles se tornará uma parte da satisfação encontrada”, finalizou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui