Classe Média, de Ganymédes José, chega aos 50 anos

Algumas ilustrações internas do romance Classe Média, de Ganymédes

Sérgio A. Scacabarrozzi – Casa Branca/SP

O ano de 2024 assinala, dentro da biografia do escritor casa-branquense Ganymédes José Santos de Oliveira, ou simplesmente Ganymédes José, o cinquentenário do seu terceiro livro. Classe Média teve sua publicação apoiada pelo CPP – Centro do Professorado Paulista, instituição de classe criada e presidida pelo político casa-branquense Sólon Borges dos Reis, que durante várias décadas esteve à frente das lutas pela valorização do magistério do estado de São Paulo, tendo sido, por isso, eleito em diversas oportunidades deputado estadual, federal (inclusive deputado constituinte) e vice-prefeito da capital paulista, sempre com o apoio de grande parte do professorado. Graças às suas raízes em Casa Branca, Ganymédes José, já demonstrando ser um grande talento literário, obteve o apoio para a publicação de sua terceira obra. Como já mencionamos em artigos anteriores, o escritor vinha há um bom tempo tentando publicar por alguma grande editora, bem como firmar-se como escritor, embora ainda, nesse momento, não tivesse definido qual a área da literatura onde se fixaria. Isso viria em pouco tempo e estimamos que Classe Média foi o fim de um período e o início de outro, onde ele cresceria e permaneceria até a sua morte prematura.
O lançamento de Classe Média deu-se na noite de 3 de abril de 1974, na sede do Centro do Professorado Paulista – CPP, em São Paulo, fazendo parte das atividades comemorativas do 44º aniversário da entidade. Na ocasião, Ganymédes José, então uma jovem promessa na literatura, foi saudado por muitos amigos e autoridades políticas e do judiciário, considerando a sua profissão junto ao cartório do pai, João de Oliveira, onde iniciou suas atividades profissionais. Nessa época, Ganymédes, já formado em Letras pela Faculdade de São José do Rio Pardo, era professor em escolas de Casa Branca e Santa Cruz das Palmeiras, daí a sua vinculação ao CPP, organismo representativo da classe.
Sólon Borges dos Reis, além de viabilizar o patrocínio do CPP à publicação do livro, também se tornou um importante divulgador da obra, que chegou às mãos de importantes nomes da literatura brasileira, graças à sua proximidade com instituições como a APL – Academia Paulista de Letras, e ABL – Academia Brasileira de Letras. O romance, então, pode ser lido e recebeu elogios dos acadêmicos Hernani Donato e Fernando de Azevedo, integrantes dessas arcádias literárias.
Dias depois do lançamento em São Paulo, no final de abril, foi a vez de Classe Média ser apresentado aos casa-branquenses, em Casa Branca, no Instituto de Educação, e Aguaí, na Câmara Municipal. Nesse mesmo mês, Ganymédes José havia recebido a notícia que a editora Tecnoprint (atual Ediouro), do Rio de Janeiro, pioneira na publicação de livros de pequeno formato (bolso), muito populares nas décadas de 1970 a 1990, iria publicar seus primeiros livros infantis: Júlia Pata e A Noite dos Grandes Pedidos.
É certo, então, que, finalmente, o ano de 1974 foi o grande momento do escritor Ganymédes José, quando seus livros deixaram a pequena Casa Branca e começaram a chegar às mãos dos leitores de outro lugares, como se verá com a enorme produção do autor que viria na sequência, sendo a série Inspetora, com dezenas de títulos, um verdadeiro marco na literatura infanto-juvenil brasileira.
A capa do romance Classe Média é do irmão de Ganymédes, o reconhecido artista Tenê de Casa Branca (Clístenes), como ficaria conhecido pela sua participação no caderno infantil Folhinha de S. Paulo, encarte publicado durante muitos anos pelo jornal Folha de S. Paulo. Tenê também fez a caricatura de Ganymédes, que ilustra o início do livro. Os desenhos internos são do próprio Ganymédes José, e transmite ao leitor o humor do autor em representar seus personagens. O deputado estadual Sólon Borges dos Reis prefaciou o livro.
No romance Classe Média, Ganymédes já revelava o estilo que iria permear praticamente toda a sua vasta obra posterior, calculada em quase duzentos livros, publicados até a sua morte, aos 54 anos, em 9 de julho de 1990. São cenas do cotidiano das pequenas cidades do interior, onde são revelados os mais diversos perfis da gente simples e até divertida, num majestoso quadro da convivência nos pequenos lugares, em que todos praticamente se conhecem e tudo o que acontece é, também, do conhecimento de todos. Esse estilo marcante e simples do autor torna a leitura de Classe Média, e, por conseguinte, da sua obra inteira, prazeirosa e divertida, o que o fez angariar uma legião de fãs ao longo de sua carreira.
Lembrar os 50 anos de publicação de Classe Média, é também recordar o início da trajetória do escritor que conquistou o público juvenil, de norte a sul do Brasil. Quando publicou esse livro, Ganymédes já tinha 38 anos (nasceu em 15/5/1936). Não era, assim, um “jovem”, como diziam seus admiradores. A partir daí, teve apenas mais 16 anos, até a sua morte inesperada, para produzir insanamente tudo o que viria a publicar, com enorme sucesso.

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