Em abril, celebra-se o Mês da Conscientização do Autismo. O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, data definida em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi celebrado na quarta-feira, dia 2, com objetivo de chamar atenção para a importância de conhecer e tratar o autismo. O jovem Gustavo Leandrin de Oliveira, de 11 anos, foi diagnosticado com TEA ainda aos três anos e, hoje, é goleiro oficial do time Mirim Masculino de Handebol de Vargem Grande do Sul.
À Gazeta de Vargem Grande, Geisa Leandrin de Oliveira, mãe de Gustavo, contou como foi receber o diagnóstico em 2017. “Depois de passar por várias avaliações, recebi o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) do meu filho em 2017, ele tinha três anos, foi o momento mais difícil da minha vida. Fui tomada pelo medo, pela insegurança, angústias, incertezas, enfim uma mistura de sentimentos que eu jamais pensei em viver na maternidade, a partir daquele momento eu era uma mãe atípica”, contou.
“Eu já não tinha certeza de mais nada, meu filho lindo, tão pequeno com aquele diagnóstico que mudaria totalmente a sua vida, eu não sabia se ele iria falar, se iria aprender a ler e escrever, se ia ter amigos… Me senti totalmente no escuro, chorei muito, é como se eu tivesse perdido aquela maternidade tão esperada. Mas depois de passar por esse período de ‘luto’, senti uma força enorme, e como em fênix uma mãe ressurge das cinzas para amar e cuidar do filho”, completou.
Embora as incertezas tenham tomado conta, Geisa se dedicou totalmente à criação e ao bem-estar de Gustavo. “Tudo foi modificado para que meu anjo se sentisse bem acolhido, daquele momento em diante eu era somente mãe, não podia mais trabalhar, pois meu filho era totalmente dependente de mim. Era uma vida intensa focada somente nele, com muitas terapias, muitas idas na escola, no neuropediatra, medicações, pois ele era muito agitado, e também tinha muitas crises. Como ele não falava, ele ficava brincando do jeitinho dele e emitindo uns sons, uns gritos o dia todo, era muito difícil ver aquilo”, relatou.
A fala de Gustavo demorou para sair e, infelizmente, Geisa sentiu a dor e a frustração do preconceito das pessoas. “Eu me sentia muito frustrada, meu sonho era ver meu filho falar mãe, mas com muito amor, paciência e levando ele em todas as terapias ele foi se desenvolvendo. Logo comecei a sentir o preconceito, pessoas me julgando colocando a culpa daquele diagnóstico em mim, ah! como foi difícil… pessoas com olhares diferentes, muitas olhando com dó, outras dizendo que era falta de educação, e eu e meu filho não precisávamos de nada disso, ele era perfeito apenas tinha um modo diferente de agir”, comentou.
Aos poucos, no entanto, Gustavo foi se desenvolvendo. “Com o passar dos anos, ele começou a falar, a se comunicar, a brincar com as crianças, aprendeu a ler e a escrever”, comemorou.
Ao jornal, ela contou que em 2023 Gustavo deu mais um passo importante e começou a treinar Handebol com o professor Juliano Garcia no Projeto Atleta Nota 10. “No início, foi muito difícil a adaptação, mas eu sempre persisti com ele. Foram dois anos treinando em várias posições, ele não conseguia se desenvolver no jogo, ficava frustrado e isso engatilhava crises nele”, contou.
“Foram muitas crises dentro do Poliesportivo CEE José Cortez, até que um dia ele treinou de goleiro e se identificou com aquela posição. Ele começou a disputar campeonatos em outras cidades, foi Campeão da Liga Guidorizzi em Mococa pelo sub 11 e foi eleito o melhor jogador da partida”, completo.
Para Geisa, desse momento em diante, o esporte mudou a vida do seu filho e também a sua. “Trouxe socialização, novas amizades, ajudou na frustração do ganhar e perder entre outras conquistas. Ele é um exemplo de superação”, pontuou.
Este ano, Gustavo está no time Mirim Masculino de Vargem Grande do Sul. “Ele já começou jogando em Louveira no último sábado, dia 29 de março, e foi o destaque da partida em dois dos quatro jogos disputados”, informou.
Geisa comentou que, olhando o começo do diagnóstico que era cheio de incertezas, hoje é imensamente grata por tudo. “Ele continua o acompanhamento com as terapias e com neuropediatra, também faz uso de medicamentos. A vida me trouxe o autismo, eu aceitei, enfrentei e vivo uma luta diária, que cada dia me traz vitórias! Nunca desista em um momento de fraqueza, olhe para seu filho e ele renovará suas forças”, finalizou.
O autismo
O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por padrões de comportamentos repetitivos e dificuldade na interação social, que afeta o desenvolvimento da pessoa com TEA. Os transtornos começam na infância e tendem a persistir na adolescência e na idade adulta. Na maioria dos casos, segundo os dados, as condições são aparentes durante os primeiros cinco anos de vida.
Não há só um tipo de autismo, mas muitos subtipos, que se manifestam de uma maneira única em cada pessoa. É tão abrangente que se usa o termo espectro pelos vários níveis de comprometimento, uma vez que há desde pessoas com outras doenças e condições associadas, como deficiência intelectual e epilepsia, até pessoas independentes, com vida comum, algumas nem sabem que são autistas, pois jamais tiveram diagnóstico.
A data, desde 2019, faz parte do calendário de Vargem Grande do Sul. O projeto de lei de iniciativa do então vereador Wilsinho Fermoselli (Democratas) foi aprovado pela Câmara e sancionado pelo prefeito Amarildo Duzi Moraes (PSDB). Pela proposta, para marcar a data, a prefeitura deve realizar eventos, seminários, palestras e ações de conscientização dos direitos das pessoas com transtornos do espectro autista.
A campanha nacional do Dia Mundial de Conscientização do Autismo tem como tema em 2025 “Informação gera empatia, empatia gera respeito!”. O objetivo é promover a inclusão e o respeito às pessoas autistas.
A campanha busca disseminar conhecimento sobre o autismo, sensibilizar a sociedade sobre as necessidades e os direitos das pessoas autistas, derrubar preconceitos, fortalecer a inclusão e construir um mundo mais acessível para todos.


















