Neste sábado, dia 10 de maio, haverá comemorações ao centenário do Hospital de Caridade, cuja data de fundação cai no dia 13 de maio, terça-feira. A solenidade está prevista para ter início às 11h, com a presença de várias autoridades, convidados, diretoria, corpo clínico e funcionários.
Na terça, será celebrada uma missa em prol dos 100 anos de fundação da entidade. Também na Câmara Municipal, na terça-feira, dia 13, às 19h, haverá uma sessão solene em homenagem aos 100 anos de fundação do Hospital.
Novas instalações, algumas já em funcionamento, serão inauguradas neste sábado durante as comemorações, como o Setor B, o novo ambulatório, a cozinha e a lavanderia. Segundo o interventor José Geraldo Ramazotti, é aguardada a presença da deputada federal Luiza Erundina (PSOL) responsável por importantes emendas destinadas à instituição que permitiu muitas das reformas realizadas. O vereador Paulinho da Prefeitura teve papel importante na vinda das verbas através da deputada. Outros parlamentares também foram convidados.

Embora o clima seja de festa, dado a importância histórica da data, a crise ronda de perto a principal instituição de saúde dos vargengrandenses. Uma das principais delas, é que desde o dia 1º de janeiro de 2023, o Hospital não consegue ter uma diretoria eleita, continuando sem um provedor, sendo dirigida por um interventor nomeado pelo prefeito municipal.
A nomeação do interventor pelo prefeito Amarildo Duzi Moraes na época, foi necessária porque a diretoria que estava administrando o Hospital, tendo como provedor o empresário Jair Gabricho, não teve interesse em continuar à frente da instituição e o prazo de inscrição de novas chapas para o biênio 2023/2024 terminou sem interessados para compor a Mesa Administrativa. Os associados foram convocados, conforme Estatuto Social do Hospital, para eleição do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal para complemento do período de 1º de janeiro de 2023 a 31 de dezembro de 2023, e também não houve registro de nenhuma chapa.
Através de decreto, o prefeito Amarildo na ocasião nomeou Valmir Costa como interventor do Hospital de Caridade, com início no dia 1º de janeiro de 2023. Valmir ficou por um ano e dois meses no cargo e no dia 1º de março de 2024 o prefeito Amarildo nomeou como seu substituto, o interventor José Geraldo Ramazotti, que desde então continua provisoriamente na direção da instituição, tendo o prazo prorrogado inclusive quando assumiu a prefeitura o atual prefeito Celso Ribeiro em janeiro de 2025.
Como foi explicado à reportagem do jornal, não é uma intervenção judicial que a prefeitura fez no Hospital de Caridade, motivada por alguma irregularidade, mas sim devido à não eleição de uma nova diretoria. Embora o Hospital venha fazendo continuamente as convocações para novas eleições, não há candidatos a preencherem as vagas tanto para a diretoria, como para a Mesa Diretora, o Conselho Deliberativo e o Conselho Fiscal da entidade.

Até dezembro deste ano é tido como certo que Ramazotti continuará como interventor, mas segundo apurou o jornal, tanto o Estatuto da entidade como juridicamente, a persistir esta situação, sem uma diretoria eleita, pode haver complicações como o impedimento de receber verbas do governo e até da própria prefeitura, o que poderia levar a uma intervenção maior e o Hospital de Caridade passar a ser municipalizado. Até o presente momento, ele continua como sendo uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos.
Outro problema sério enfrentado pelo Hospital de Caridade, é a crise financeira, com um enorme déficit orçamentário. Mesmo o atual interventor admite que a situação é dificílima e que só as festas e atividades para angariar ajuda financeira, não bastam. “Falta aporte de verba de todos os setores do governo, tanto federal, como estadual e municipal para o custeio”, falou uma fonte do Hospital ao jornal.
Só a folha de pagamento atual é de R$ 465 mil por mês, com os encargos sociais. Os plantões médicos consomem algo em torno de R$ 420 mil mensais, e os repassem não são suficientes. O maior deles, é o da prefeitura municipal, que todo mês repassa ao Hospital cerca de R$ 340 mil, mas a conta no final do mês não fecha e para o final deste ano é esperado um déficit em caixa que pode chegar a R$ 5 milhões negativos.

O interventor Ramazotti tem se esforçado no limite para angariar verbas, principalmente junto à sociedade vargengrandense que tem contribuído no que pode e as emendas parlamentares, que ajudam muito, mas está longe de ser o suficiente para zerar o déficit do Hospital.
Em entrevista ao jornal Gazeta de Vargem Grande, o prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) enalteceu a história do Hospital de Caridade, que neste mês de maio completa 100 anos de fundação. “É a principal instituição de nosso município e merece todo nosso respeito, bem como todos que até hoje se sacrificaram para que o Hospital de Caridade funcionasse e cumprisse sua tão nobre missão, salvando vidas”, afirmou Celso.
Com relação ao déficit orçamentário, o prefeito disse que tem feito a sua parte, repassando uma enorme quantia de dinheiro ao Hospital, para que o mesmo continue com suas funções. É sabedor que a atual administração herdou uma dívida muito grande a ser paga, devido aos empréstimos que foram feitos para melhorar a infraestrutura da cidade, como o tratamento da água e a troca dos antigos encanamentos do Centro e de vários outros bairros da cidade, o que certamente dificulta o aumento do repasse de verbas municipais ao Hospital no atual momento.
Celso acredita que o governo federal deveria aumentar sensivelmente o repasse às entidades que atendem pelo SUS, como é o caso do Hospital de Caridade e que apelos neste sentido deveriam ser feitos aos deputados e outras autoridades políticas, para sensibilizar os governantes a ajudarem uma instituição centenária como o Hospital de Vargem e tantas outras que no momento passam por dificuldades iguais ou até maiores que a nossa entidade.
Fotos: Arquivo Gazeta











