Gás de cozinha em Vargem está entre os mais caros da região

Empresas que revendem gás na cidade se pronunciaram. Foto: Banco Central

A Gazeta de Vargem Grande foi procurada por moradores da cidade que questionaram a diferença no preço do gás de cozinha na cidade, comparando com os preços praticados na região. Apesar do último aumento anunciado pela Petrobras em julho de 2024, os preços do gás em Vargem Grande do Sul estão acima da média regional, sugerindo que outros fatores, como custos operacionais e margens de lucro, podem estar influenciando os valores finais ao consumidor.
De acordo com o apurado pela Gazeta de Vargem Grande, o preço do gás de cozinha no município continua entre os mais elevados da região. Enquanto cidades vizinhas apresentam valores mais acessíveis, os moradores de Vargem Grande do Sul enfrentam custos significativamente superior, podendo chegar até a 40% a mais em relação ao menor preço praticado na região.
Dados do site da Petrobras, a partir de informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apontam que o preço médio do gás de cozinha no Brasil é R$ 108,66. Em São Paulo, o preço médio é R$ 108,78. O período de coleta das informações foi de 18 a 24 de maio.

Comparativo regional
Os dados coletados indicam que o preço médio do botijão de 13 kg em Vargem Grande do Sul é de R$ 125,00. Em contraste, em São José do Rio Pardo e Itobi, o valor é de R$ 95,00, e em Casa Branca, R$ 108,00.
A pesquisa considerou três estabelecimentos locais, sendo o Ultragaz Cesargaz onde o preço do botijão é R$ 135,00 para entrega e R$ 125,00 para retirada no local; Seixas Gás onde o valor é R$ 130,00, tanto à vista quanto a prazo; e Gás Santana que trabalha com o preço sendo R$ 120,00 para retirada e R$ 125,00 para entrega.
Esses valores evidenciam uma disparidade significativa em relação às cidades vizinhas, impactando diretamente o orçamento dos consumidores locais. A diferença nos preços do gás de cozinha entre Vargem Grande do Sul e cidades próximas levanta questões sobre a competitividade do mercado local e os fatores que contribuem para esses valores mais altos.

Reajuste da Petrobras
Em julho de 2024, a Petrobras anunciou um aumento de 9,8% no preço do gás liquefeito de petróleo (GLP) para as distribuidoras, elevando o valor do botijão de 13 kg para R$ 34,70.
Esse reajuste foi o primeiro desde julho de 2023 e reflete a política de preços da estatal, que considera as variações do mercado internacional e da taxa de câmbio.

Denúncias não foram formalizadas
O jornal procurou o Procon de Vargem Grande do Sul para verificar sobre o assunto e o órgão de fiscalização retornou que não havia recebido nenhuma denúncia formal, esclarecendo que o Procon não é um órgão que fiscaliza preço. Segundo o explicado, como o preço do gás de cozinha, assim como a gasolina por exemplo, não é tabelado, os fornecedores estimam o preço que vão trabalhar e as pessoas compram por necessidade.
Muitas pessoas ouvidas pelo jornal falam que como os preços dos botijões de gás vendidos em Vargem não diferem muito, não estaria havendo competição entre as revendedoras para que os preços ficassem mais barato, como acontece por exemplo, nos produtos vendidos nos supermercados da cidade onde a concorrência é muito grande.
A Gazeta apurou que, em casos onde o consumidor se sentir lesado o Ministério Público pode ser acionado, uma vez que está entre as suas funções investigar e agir para proteger os direitos dos consumidores. Em locais onde se constata preços abusivos em produtos ou alguma irregularidade, a promotoria pode promover ações civis para reparar os danos aos consumidores.
A promotoria tem como objetivo proteger os direitos dos consumidores, garantindo que eles não sejam lesados por práticas irregulares no mercado, acompanhando os inquéritos policiais e processos criminais que apuram crimes contra as relações de consumo, como a venda de produtos impróprios ou a prática de preços abusivos.
Em conjunto com outros órgãos, como a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a promotoria pode fiscalizar e regular as atividades da cadeia produtiva de gás, garantindo que as empresas cumpram as normas e não pratiquem abusos. A promotoria pode participar de iniciativas do governo e de outros órgãos para reduzir o preço do gás, como a implementação de políticas públicas e o combate à especulação.
A Gazeta de Vargem Grande aprofundando seu trabalho jornalístico, enviou algumas perguntas ao Ministério Público e à promotoria de Vargem Grande do Sul para saber se já receberam alguma denúncia sobre os preços do gás de cozinha, se alguma investigação sobre o assunto já foi realizada, se os preços podem ser considerados abusivos, e o que se deve a alta do preço na cidade e, se alguém quiser fazer uma denúncia ou se sentir lesado pelos valores praticados na cidade, quem deveriam procurar.
Foi respondido à Gazeta de Vargem Grande que, até o momento, o caso ainda não havia chegado ao conhecimento do MPSP. Foi informado também que, qualquer pessoa pode fazer uma Notícia de Fato ao Ministério Público, e o evento será apurado. Segundo o informado, quanto mais circunstanciada a Notícia de Fato, melhor é para o início de algum procedimento.
Conforme apurou o jornal, o munícipe que se sentir lesado deve fazer uma denúncia no site do Ministério Público, acessando a aba ‘Atendimento ao Cidadão e à Cidadã’ e preenchendo os dados, ou enviar um e-mail ao Ministério Público, explicando a situação. Assim, uma apuração pode ser aberta.
A Gazeta de Vargem Grande também procurou alguns vereadores da Câmara Municipal de Vargem Grande do Sul para saber se as queixas têm chegado no Legislativo. O jornal questionou os vereadores Felipe Augusto Gadiani (PSD) e Vagner Gonçalves Loiola, o Bilu (Solidariedade), para saber se, como vereadores, haviam recebido alguma reclamação a respeito.
Eles também foram questionados do preço do gás na cidade e se a Câmara poderia fazer algo a respeito. O vereador Bilu apenas retornou que estava analisando o preço do gás de cozinha na região para responder ao jornal.
Ao jornal, o vereador Felipe disse que não havia recebido nenhuma queixa sobre o assunto. Argumentou que acredita que o valor do gás está acima da região, mas que nada foi passado à Câmara Municipal.

Indignação na internet
A recente publicação da Gazeta de Vargem Grande sobre o preço do gás de cozinha na cidade provocou uma enxurrada de comentários indignados da população. A publicação foi realizada na terça-feira, dia 27, e, em menos de 24 horas, registrou mais de 180 comentários, alcançando mais de 15 mil pessoas.
Nos comentários, a imensa maioria dos moradores expressou revolta, considerando abusivos os valores praticados em Vargem que variam de R$ 120,00 até próximo de R$ 140,00, especialmente quando comparados aos preços das cidades vizinhas, onde o botijão custa entre R$ 90 e R$ 100.
Os internautas apontaram Vargem como uma das cidades com o custo de vida mais alto da região, não apenas no gás, mas também em combustíveis, alimentos, roupas e materiais de construção. Muitos atribuíram os altos preços à falta de concorrência, a um suposto “cartel” e à ausência de fiscalização efetiva. Também houve ironias e críticas à classe política local, acusada de inércia diante da disparidade de preços. Enquanto em cidades menores e mais distantes o valor do gás é consideravelmente inferior, Vargem continua com valores elevadíssimos, mesmo sendo, em muitos casos, a base de distribuição para a região.
Outros leitores compartilharam soluções alternativas para escapar dos preços altos, como comprar gás em cidades vizinhas, como Itobi, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Andradas, entre outras, onde o valor do botijão pode ser até R$ 50 mais barato. Também houve quem mencionasse a substituição do gás por equipamentos elétricos, como air fryer e micro-ondas, como tentativa de reduzir os custos.

Empresas comentam sobre preço do gás
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande procurou ouvir as empresas que revendem gás de cozinha em Vargem Grande do Sul sobre a questão envolvendo o preço do produto praticado na cidade.
Segundo a Cesargaz Revendedora Autorizado da marca Ultragaz, o preço no Brasil é livre, não tabelado, inclusive para as companhias. Explicou o proprietário que a Ultragaz pratica a diferença de até R$ 15,00 no custo na mesma região. “A companhia faz preços menores para clientes novos para ajudar a alavancar as vendas dos mesmos”, afirmou, esclarecendo que a diferença de preço é devido ao custo de compra de cada revenda e o custo de distribuição de cada um.
Que como custo da sua empresa é elevado, uma vez que é feita com veículos e não com motos, com os veículos rodando o dia todo em todos os bairros, para que a entrega seja rápida, eficiente e com segurança, isso acaba refletindo no preço do botijão do gás vendido em Vargem.
Comentaram também que seus colaboradores têm a maior média salarial da região e que elevados custos para manter a frota e a revenda impecável e segura, para melhor atender a população, acabam refletindo no preço do botijão de gás por eles comercializados.
Thiago Henrique Silveira, proprietário da Água e Gás Seixas, destaca que somente neste ano o gás já sofreu três reajustes por parte das distribuidoras, o que impacta diretamente o preço repassado ao consumidor.
Além disso, ele aponta que os custos operacionais da empresa são significativos, uma vez que o serviço de entrega é realizado por uma frota composta por quatro caminhonetes e duas motos, com o objetivo de garantir agilidade. Esse compromisso com a qualidade da entrega, no entanto, gera altos gastos com combustível e manutenção dos veículos.
A empresa de Thiago conta ainda com sete funcionários, o que implica encargos trabalhistas e despesas fixas mensais. Ele também ressalta que sua revenda é totalmente regulamentada, declara todas as vendas corretamente e cumpre rigorosamente suas obrigações fiscais. Isso, segundo ele, resulta em uma alta carga tributária.
Um dos principais desafios enfrentados, segundo o empresário, é a concorrência desleal com estabelecimentos clandestinos que atuam sem regulamentação, não pagam impostos e conseguem operar com margens mínimas. “Em muitas cidades surgem depósitos de gás irregulares (clandestinos) que não pagam os impostos e conseguem trabalhar com uma margem mínima, gerando disputa de preço pelos concorrentes, que acabam cedendo sua margem de lucro para poder sobreviver no mercado e muitos acabam fechando”, comenta.
Romeu Paulo Pereira Tagliolatto, proprietário da Avenida Gás e Água, também abordou a questão dos preços, destacando que eles podem variar significativamente entre as cidades, em função dos valores repassados pelas distribuidoras. “Cada companhia trabalha em um preço, então ela entrega um gás em Campinas em um preço, ela trabalha em Mogi Guaçu em outro preço, aí ela entrega em Aguaí com outro preço, em São João outro preço, não é um preço estabelecido para o país. As companhias trabalham com preço diferenciado em cada cidade, em cada revenda, é onde tem essas diferenças de preço entre distribuidoras daqui, diferença de preço da outra em São João, a diferença de preço em Casa Branca, de Santa Cruz das Palmeiras. Não é o depósito de Vargem que faz isso, infelizmente as empresas mesmo que vêm com preço em cada cidade”, pontuou.
Segundo ele, cada revendedor precisa calcular seu preço de venda com base nos custos envolvidos para trazer o produto até sua cidade. “Não consigo acompanhar os valores das cidades vizinhas, mas sabemos que as distribuidoras repassam valores diferentes de uma cidade para outra, o que resulta em preços diferentes nas revendas de cada cidade. Cada um sabe o preço que consegue trabalhar, e parte do preço que cada um paga para ter o gás entregue na sua cidade”, afirmou.
Romeu reforça que manter uma revenda legalizada implica em uma série de custos obrigatórios que influenciam diretamente no valor final do gás. “Eu, como os outros revendedores que sei que seguem a lei e partem de ter uma revenda totalmente legalizada e dentro das normalidades da lei, temos uma grande quantia de gastos dentro de uma revenda que também tem que ser levados em consideração para chegar no preço final de revenda. Infelizmente pagamos muitos impostos para ter a empresa aberta”, pontuou.
Entre as despesas citadas, estão taxa de licença anual da prefeitura, alvará, taxa do Corpo de Bombeiros, IPTU, custos com escritório de contabilidade, impostos na compra e venda dos botijões, manutenção de veículos, salários e encargos dos funcionários registrados, exames médicos anuais obrigatórios para os colaboradores (PCMSO), entre outros gastos variáveis. “Esses são alguns dos gastos para se ter uma revenda legalizada na cidade hoje”, explicou.
O empresário também pontuou que outra variável de preço é a compra de gás de um revendedor clandestino que não tem os mesmos gastos que uma empresa legalizada e também não tem o suporte técnico da venda e da pós-venda necessários e exigido pela lei. Ele alerta para os riscos da compra de gás de fontes clandestinas. “Nunca compre gás de clandestinos. Você coloca a sua vida e a de outros em risco! Pois não é uma empresa autorizada com treinamento e qualidade”, advertiu.

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