População enfrenta fumaça intensa, cheiro forte e problemas respiratórios enquanto aguardam uma solução definitiva para o descarte irregular dos resíduos agrícolas
Os moradores do bairro Jardim Santo Expedito, em Vargem Grande do Sul, enfrentam há anos um problema que se repete quase diariamente: a queima de cascas de cebola e alho em terrenos baldios. A prática, além de irregular, vem trazendo inúmeros transtornos à população local, especialmente pelo excesso de fumaça e o cheiro forte, que se prolonga por horas, muitas vezes durante a madrugada.
Segundo relatos de quem vive no bairro, a situação já se arrasta há anos. Jaqueline Cruz, moradora da Rua Francisco Bertoloto, afirma que a beneficiadora de cebola instalada no bairro é importante para a economia local, pois gera empregos. No entanto, destaca os prejuízos causados pelo descarte incorreto das cascas.
A máquina de cebola aqui no bairro é de grande valia porque emprega bastante gente. Mas o descarte ilegal nos terrenos aqui de cima está insuportável. É muita fumaça. Tem dias que fica difícil respirar. Moro aqui há mais de 10 anos com meu marido, Pedro Rodrigues Todero, de 37 anos, que cuida da pracinha. A gente ama nosso bairro, todo mundo se conhece, mas está muito difícil. Enquanto cuidamos aqui no começo da rua, no final vemos o oposto — lamenta Jaqueline.
A situação é ainda mais grave para quem mora próximo aos terrenos usados para queima. Dona Rosa Helena de Oliveira, de 49 anos, vive ao lado de um desses pontos e descreve a rotina de sufoco, “A prefeitura até limpa, mas no mesmo dia já jogam mais palha. O pior é o cheiro de cebola queimada. A casca da cebola não queima de uma vez, ela fica chamuscando, soltando aquele cheiro forte. A fumaça dura a madrugada inteira. Minha vizinha tem um filho com asma que não sai do PPA por causa disso. Já estamos desesperados”, afirmou a moradora.
Os moradores afirmam que, apesar de reiteradas denúncias, nada foi resolvido. Em 2021, Rosa Helena diz ter procurado o então vereador Guilherme Nicolau, hoje ocupando o cargo de vice-prefeito, que prometeu acionar a CETESB. Segundo ela, não houve nenhum avanço concreto desde então.
Outro ponto crítico citado pelos moradores é a segurança. Rosalina Aparecida Souza Costa, moradora há seis anos no local, denuncia o uso do terreno também por usuários de drogas.
“Faz seis anos que moro aqui e todo dia é isso. Os “nóia” põe fogo na palha e depois ficam escondidos lá, usando droga, brigando, fazendo barulho. É difícil demais viver assim. Precisamos de mais policiamento à noite”, desabafa.
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande, em outubro de 2024, já havia tratado do problema. Na ocasião, a prefeitura informou que a Departamento de Agricultura e Meio Ambiente esteve no local e constatou que não havia incêndio no momento da visita. Disse ainda que foram feitas tratativas com o proprietário da beneficiadora, que teria conseguido permissão para descarte das cascas em uma propriedade rural, onde seriam utilizadas como adubo orgânico ou alimentação animal.
Foram tomadas as devidas providências para solucionar esse problema. As cascas seriam levadas diariamente para um local adequado, dizia a nota da prefeitura à época.
Contudo, moradores afirmam que a realidade continua a mesma. A fumaça, o cheiro e o acúmulo de resíduos nos terrenos voltaram com força, e a comunidade agora cobra um posicionamento mais firme das autoridades responsáveis. Enquanto nada é resolvido, o ar segue denso e a paciência dos moradores, cada vez mais curta.
Fotos: Reportagem























