
A preocupação com os maus-tratos aos animais que participam da Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana, sempre está presente durante a realização do evento. O tema já foi objeto de inúmeras matérias em todos estes anos que o jornal cobre a festa, alertando a todos para evitar esforços excessivos, falta de cuidados adequados ou até mesmo agressões físicas aos cavalos.
A Comissão Organizadora faz todo um trabalho de conscientização a cada ano que ocorre a Romaria, um esquema grande de fiscalização é montado, mas mesmo assim, dado a grande participação de romeiros, sempre acaba acontecendo atos de maus-tratos, que repercutem negativamente contra a festa.

Para trabalhar melhor a questão, a Gazeta de Vargem Grande entrevistou alguns veterinários e pessoas que tratam com a questão da segurança animal, para contribuir com a conscientização dos romeiros quanto à questão da boa lida com os animais.
Leonardo Paulo de Mello, 32 anos, é médico veterinário e trabalha na Clínica Veterinária Municipal “Antônio Bertoloto”. À reportagem do jornal, Leonardo disse que a Romaria é uma festa muito bonita, de grande devoção e justamente por este motivo, a lida com os animais tem de ser respeitosa. “Não pode haver exageros no manejo, como exigir demais da parte física do animal, devemos respeitar suas limitações e partes fisiológicas”.

Também a veterinária Bianca Teijada Moraes, que é médica veterinária e assessora na clínica, disse que os veterinários sempre tentam focar na tradição da festa, pedindo para as pessoas evitarem o uso de som muito alto, pois isso irrita e assusta muito os animais. “A audição dos cavalos é muito sensível e eles não estão acostumados ao som alto no dia a dia”, comentou.
O veterinário Leonardo falou que é necessário preparar o animal para a cavalgada, cuidando bem da alimentação, ferrageamento e buscar fornecer água para manter o suporte hídrico do animal, hidratando-os muito bem.

Citou que a falta de cuidados, pode ocasionar lesões físicas em pele e boca, pelo uso incorreto das ferramentas de lida, como reio, esporas, embocaduras (bridão). Também lembrou dos problemas metabólicos que os animais são acometidos pelo cansaço, uma vez que não estariam preparados para uma longa caminhada, muitas vezes com um sobrepeso.
“Tudo isso pode causar ferimentos e dor ao animal”, observou Bianca, explicando que às vezes o animal por sentir dor, acaba negando os comandos, o que leva o condutor a exceder ainda mais em algumas atitudes, piorando a situação do animal e de outros ao seu redor, pois o cavalo pode acabar escoiceando, atingindo pessoas e outros animais próximos.
Lembraram que se deve ter uma atenção maior com as fêmeas no cio e com os garanhões que são levados a desfilar na Romaria. “Eles requerem uma atenção redobrada devido às alterações de comportamento”, afirmaram.











