
A evolução das religiões em Vargem Grande do Sul nos últimos 50 anos
Em 1975, quando foi realizada a primeira Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana, Vargem Grande do Sul contava com uma população de cerca de 17 mil habitantes. A década de 70 foi uma das que mais cresceu a população vargengrandense, em torno de 5,32% ao ano. Em 1970 a população do município era de 13.369 habitantes, segundo dados do IBGE. Em 1980, uma década depois, a cidade já contava com 20.363 habitantes, segundo consta no Censo de 1980.

A criação da Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana deu-se sob a forte influência católica verificada na época, quando a cidade tinha a grande maioria de seus habitantes professando a religião católica, apostólica, romana e como liderança espiritual, o monsenhor Celestino C. Garcia, pároco local. A padroeira da cidade era a Senhora Sant’Ana, mãe de Nossa Senhora e avó de Jesus.

Os números colhidos pelo jornal junto ao IBGE, mostram que na década de 70, o número de católicos no Brasil era de aproximadamente 92,6%, e o de evangélicos de 5,2%. Se aplicarmos esses percentuais com base na população estimada de 17.324 habitantes em Vargem Grande do Sul em 1975, no quesito religião, teríamos algo em torno de aproximadamente 16.000 pessoas católicas, sendo cerca de 900 pessoas evangélicas. Esses valores são estimativas, já que os percentuais usados são nacionais e podem variar localmente.

Desde então, o número de evangélicos vem subindo muito no Brasil, e Vargem Grande do Sul acompanha esse crescimento. De acordo com os mais recentes dados divulgados pelo IBGE, o Brasil apresentava 56,7% de sua população como sendo católicos; 26,9 evangélica; 1,8 espírita; 1,1 umbanda/candomblé; 4,2 outras religiões e 9,3 sem religião.
O Censo Religioso 2022 feito pelo IBGE apontou que para uma população de 40.133 habitantes, Vargem Grande do Sul apresentava uma população de 26.897 católicos, ou seja, 67%; enquanto os evangélicos somavam 9.433 habitantes, totalizando 23,5% e os espíritas 659 habitantes, sendo 1,6% da população. Estes números podem não ser exatos, mas se aproximam da realidade atual sobre o comportamento religioso da população do município.

Impactos sentidos na Romaria
Passados quase 50 anos da realização da primeira Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana, é natural que houvessem mudanças nos seus componentes, com a maioria dos pioneiros já falecidos e os jovens daquela época apresentando idades mais avançadas nos dias atuais. Os jovens de hoje têm outros olhos para a Romaria que chega à sua 49ª edição.

Também o público expectador da romaria mudou, diminuindo na população vargengrandense a porcentagem do grande número de católicos que havia na época da sua criação, com mais de 90% sendo católicos, para cerca de 67% atuais. O número de evangélicos evoluiu de 900 habitantes nos anos de 1975, para algo em torno de 9.500 nos dias atuais. Um crescimento notável, que muda também o olhar para a romaria que caminha para seus 50 anos de existência.

É do conhecimento de todos que os evangélicos embora respeitam a doutrina católica, têm uma visão sobre a devoção dos santos em geral e também de Sant’Ana, que difere dos católicos, seguindo princípios fundamentados da teologia protestante, não compartilhando de devoções a santos. Como parte da população vargengrandense, eles se interagem de outra maneira com a realização da Romaria dedicada a Sant’Ana.

Todas estas mudanças refletem no maior acontecimento religioso e cultural da cidade, que se tornou a Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana que também vai incorporando na sua realização, os novos comportamentos da sociedade vargengrandense, um reflexo natural da mudança dos tempos.

Também com o advento da internet muitas pessoas na cidade tem a oportunidade de se manifestar nos grupos sociais e nas matérias postadas pelos órgãos de imprensa. Nota-se que há muitas críticas no tocante à realização da Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana, com pessoas criticando os maus tratos dos animais, o uso exagerado de bebidas alcóolicas e também até aqueles que pedem que a romaria deixe de existir.
São os novos tempos e os novos atores interagindo com o acontecimento que ainda procura preservar na sua essência o seu caráter religioso, cultural e também turístico, cuja existência depende da ação de seus organizadores, dos poderes públicos constituídos, das lideranças religiosas católicas e da comunidade católica para continuar com sua caminhada rumo a mais meio século de existência.











