Prevenção e fiscalização por parte dos organizadores e do poder público, impedindo que os animais fragilizados participassem da Romaria, seria uma saída para evitar maus-tratos, no entender de Alberto Magno Dantas, sócio proprietário da Agrovar e que há 35 anos trabalha no ramo de medicamentos e rações para animais.

Alberto e sua família moram em um local privilegiado, na Av. Hermeti Piochi de Oliveira, de onde assistem todos os anos o desfile da Romaria dos Cavaleiros de Sant’Ana. Ao jornal comentou que tem observado nos últimos anos menos maus-tratos aos animais durante o percurso dos cavaleiros. “Já não vemos tantos animais debilitados, puxando uma charrete ou uma carroça com várias pessoas em cima”, afirmou.

Com o conhecimento de quem trata quase todo dia da questão alimentar de cavalos e outros animais de grande porte, disse que o ideal seria o animal ter um preparo uns dois meses antes de participar da Romaria. “Quem pretende participar do desfile tem de entender que dar uma boa alimentação ao animal, dar o vermífugo correto, tratar de possíveis doenças é primordial. Também tem de ter a consciência de saber se o animal está em condições de fazer o percurso”, explicou.

Geralmente os animais tratados em baia, estão em melhores condições de participar da Romaria, mas tem muitas pessoas que de última hora decidem participar e o animal que vão montar estão em regime de pasto, ou simplesmente em um terreno baldio. “Neste caso, a pessoa tem de ter muita consciência e preparar seu animal bem antes, para não impor sacrifícios ao mesmo, o que pode caracterizar maus-tratos”, advertiu Alberto.

Com relação ao sobrepeso que muitos colocam nas charretes, Alberto aconselha no máximo três pessoas se o animal for forte, um animal enfraquecido vai sofrer muito, não vai dar conta e pode acontecer um ato de crueldade, se a pessoa insistir.

Para ele, no ato da inscrição para quem vai participar da Romaria, os organizadores já deveriam analisar todas estas questões com um profissional da área ou com alguém com experiência na lida com animais. “Se não apresentar as condições necessárias, não deveriam deixar o animal participar”, argumentou. Também é a favor de que uma vez feito o percurso e terminada a Romaria, o responsável tem de levar o animal embora, para o devido descanso, dar-lhe um banho, alimentação e água.

Para ele, a proibição de bebidas alcóolicas pelos participantes foi excelente e recordou o bom trabalho feito pelo padre Paulo Valim neste sentido, conscientizando as pessoas. Trabalho que prossegue no seu entender, com a Comissão Organizadora e que só tende a melhorar.
“A Romaria é bonita, a nossa mantém uma quantidade boa de cavaleiros. É bom ver esta relação homem/cavalo. Vale a pena. Em Vargem presenciamos uma Romaria onde estão presentes a religiosidade e a cultura caipira, sendo uma das maiores da região em participação de cavaleiros e amazonas”, disse Alberto Dantas.












