
Nos últimos anos, a saúde mental se tornou uma pauta urgente em todo o país, e em Vargem Grande do Sul não tem sido diferente. De acordo com a prefeitura, com a pandemia ocorrida nos anos de 2020 a 2022, houve um aumento drástico na procura pelos serviços de saúde mental, desde pacientes que foram acometidos pela Covid ou que tiveram perda de seus familiares. Mas a dificuldade de acessar profissionais da rede pública tem sido alvo de questionamentos por parte de moradores.
A Gazeta de Vargem Grande procurou o diretor de Saúde e Medicina Preventiva, Mário Olinto Merlin Módolo, que detalhou à reportagem as mudanças em curso no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) municipal, que funciona na Rua Major Antônio de Oliveira Fontão-Centro e os planos da gestão para ampliar e qualificar o atendimento aos pacientes.
O município opera atualmente com um Caps do tipo I (Centro de Atenção Psicossocial), ou seja, não possui habilitação para Caps-i, voltado exclusivamente para o público infantil. Apesar disso, o atendimento a crianças e adolescentes tem sido uma prioridade, conforme ressaltou Mário. Cerca de 250 atendimentos infantis e juvenis são realizados por mês pela equipe do Caps.
Essa equipe conta hoje com quatro médicos psiquiatras, seis psicólogos, um terapeuta ocupacional, um enfermeiro, um assistente social, uma fonoaudióloga, uma coordenadora, dois técnicos de enfermagem e três recepcionistas. Os serviços voltados ao público infantil incluem terapias em grupo para crianças e adolescentes, oficinas terapêuticas com a terapeuta ocupacional, além de visitas domiciliares sempre que necessário, tanto para os pacientes quanto para os familiares.
Demanda alta
Como explicou o diretor à Gazeta, o atendimento no Caps segue critérios de gravidade e urgência, e não por tipo de serviço. Casos graves, como tentativas de suicídio ou abuso sexual, têm atendimento imediato, no mesmo dia, tanto com psicólogos quanto com psiquiatras. Já casos considerados leves podem ter uma espera maior, especialmente na psicologia, devido à alta demanda. Na psiquiatria, o tempo máximo de espera é de até três meses.
Desde que assumiu a direção da saúde municipal, em janeiro de 2025, Mário afirma que tem buscado ajustes em todas as áreas da saúde, e a saúde mental não ficou de fora. Uma das principais estratégias foi a criação do cargo de coordenador municipal de saúde mental, ocupado desde o dia 18 de agosto de 2025 pela psicóloga da rede Priscila Manzoni.
A profissional já está conduzindo um levantamento das demandas e implementando estratégias para reduzir a fila de espera e melhorar a qualidade do atendimento. Entre essas ações estão: atendimentos em grupo, divisão de atendimentos entre Caps e SASP, criação de protocolos de contrarreferência, entre outras. Caso seja identificado que o número de profissionais precisa ser ampliado, o diretor garantiu que a questão será levada ao prefeito Celso Ribeiro para avaliação.
Nos bairros
O município já estabeleceu como meta no Plano Municipal de Saúde 2026/2029, elaborado neste mês, a descentralização da saúde mental. Isso inclui realocar psicólogos para atuarem diretamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com protocolos de referência e contrarreferência que deem mais agilidade aos atendimentos.
O Caps funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, com atendimentos agendados por demanda espontânea, por encaminhamentos das UBSs ou da rede intersetorial, como escolas, Centro de Referência em Assistência Social (Cras), Ministério Público, serviços de saúde e assistência social. A triagem inicial avalia a prioridade do caso, e a frequência dos atendimentos varia conforme a necessidade: semanal, quinzenal, mensal ou trimestral.
O diretor destaca que não existe canal externo de agendamento. A lista é organizada internamente pelos profissionais do CAPS, com base na prioridade de cada caso. Dúvidas e informações podem ser esclarecidas pelo telefone 3641-8171.
Infelizmente, como apontou o diretor Mário, as faculdades da região ainda não mantêm vínculos de estágio ou residência em saúde mental com o município, o que dificulta a entrada de novos profissionais em formação.
Ações na Saúde
Durante a conversa com a Gazeta de Vargem Grande, Mário enfatizou o compromisso da atual gestão municipal, comandada pelo prefeito Celso Ribeiro (Republicanos), com toda a rede de saúde. Entre os avanços recentes, ele destacou a modernização da rede de informática nas UBSs, com novos computadores e 70 tablets entregues aos agentes de saúde e endemias; a nomeação da coordenadora de atenção básica Alessandra Lodi, dando suporte técnico às 11 Equipes de Saúde da Família; a regulação de exames e consultas com especialistas, agora sob responsabilidade da médica Marina Tomé, melhorando a efetividade dos encaminhamentos e priorizando os casos de urgência.
Destacou também o reforço no quadro de enfermagem, coordenado pela enfermeira Adriana Conceição, com a atuação de até cinco médicos simultâneos no PPA em períodos críticos, sob supervisão de André Fechio e da técnica Crislene Gindro.
Elencou ainda o fortalecimento da vigilância em saúde, com nova equipe e liderança da enfermeira Kátia Faustino, o que elevou a cobertura vacinal, colocando o município entre os melhores da região da DRS XIV e também a retomada dos atendimentos à mulher, com destaque para o programa “Bem Gestar”, coordenado pela enfermeira Luana de Andrade, em parceria com a diretora de Ação Social Eva Vilma e com o apoio ativo da primeira-dama Micaela Ribeiro.








