A importância da prática de atividades físicas para manter o cérebro saudável

Desde o início da década de setenta os médicos cardiologistas recomendam a prática regular de exercícios físicos para a saúde do aparelho cardiorrespiratório, mais recentemente os geriatras estimulam as pessoas que estão envelhecendo a fazer o mesmo para manter o cérebro saudável. Várias pesquisas reforçam a necessidade das pessoas se manterem ativas, fisicamente, para impedir o rápido declínio das funções cognitivas. Como já é sabido os exercícios físicos mudam a estrutura e a função do cérebro e podem reduzir o efeito da idade na perda de massa branca e cinzenta. Alguns estudos realizados com animais mostraram que a atividade física aumenta a neurogenese, que é a criação de novas células cerebrais, no indivíduo adulto. Os cientistas mostraram que o treinamento físico pode dobrar, ou triplicar, o número de novos neurônios no hipocampo dos animais investigados e que isso também pode acontecer para nós, humanos. O hipocampo é uma área chave do cérebro para o aprendizado e memória. Importante destacar que alguns tipos de exercícios podem ser muito mais eficazes do que outros para promoverem mudanças benéficas na estrutura do cérebro. Estudo publicado no mês de março no Journal of physiology pelos pesquisadores de uma Universidade da Finlândia comparou a prática de três tipos de exercícios e seus efeitos para a neurogênese. Os ratos foram separados em três grupos cada um deles praticando um tipo de exercício para, após um período de treinos, serem comparados com um quarto grupo que permaneceu sedentário. Um dos grupos foi estimulado a correr livremente todos os dias de forma moderada. O outro treinava escalada com pequenos pesos presos à cauda simulando uma sessão de musculação e o terceiro grupo corria em alta velocidade durante três minutos e depois trotava dois minutos em sessões de 15 minutos. A rotina de treinos se estendeu por sete semanas e depois os pesquisadores examinaram, microscopicanente, o tecido cerebral do hipocampo de cada animal. O grupo de ratos que corria moderadamente apresentou melhor resultado do que aqueles que fizeram treinamento de alta intensidade e do que os outros que carregaram pesinhos presos à cauda. Interessante destacar que os animais que fizeram musculação, embora tivessem ficado muito fortes no final do experimento, não mostraram aumento visível da neurogênese. Para os pesquisadores os resultados sugerem que o exercício aeróbio moderado, de longa duração, pode ser mais benéfico para o cérebro dos ratos e também para os seres humanos. Os cientistas acreditam que as corridas de longa distância estimulam a liberação de uma substância, conhecida como fator neurotrófico, derivada do cérebro que regula a neurogênese. Eles não desestimulam o treinamento intervalado de alta intensidade e o treinamento com pesos porque acham que ambos podem provocar mudanças em outras partes do cérebro, criando novos vasos sanguíneos e novas conexões entre células cerebrais. Entretanto, os benefícios observados no hipocampo, pelos resultados encontrados na pesquisa realizada na Finlândia, dependem muito mais dos exercícios aeróbios de longa duração. Para os adeptos do sedentarismo as perspectivas não são animadoras.

José Alberto Aguilar Cortez, acortezi@usp.br

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