Neste sábado, dia 18, é celebrado o Dia do Médico no Brasil. A data escolhida é uma homenagem ao dia consagrado a São Lucas, seguidor de Jesus, um dos quatro evangelistas e que era médico. Profissional essencial para a sociedade, o médico tem papel fundamental na qualidade de vida da população e é uma das carreiras mais buscadas por jovens estudantes em todo país.
O levantamento Demografia Médica no Brasil 2025, organizado pela Associação Médica Brasileira (AMB), em parceria com o Ministério da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), estima que o país conte atualmente com cerca de 635.706 médicos, uma proporção de 2,98 profissionais a cada 1.000 habitantes. A projeção é que em 2035, o Brasil passe a contar com 1,15 milhão de médicos, uma proporção de 5,25 a cada 1 mil habitantes.
Vargem Grande do Sul, cidade que contou e ainda conta com médicos muito queridos pela população, deve receber em breve novos profissionais da área, que contaram à Gazeta o motivo de escolherem essa profissão.

Maria Luiza Bernardes

Maria Luiza Scacabarozi Bernardes, 22 anos, aluna do 5º ano de Medicina da PUC Minas, em Poços de Caldas, contou sobre sua trajetória e visão da profissão. Ela disse: “Sempre acreditei no poder de uma escuta atenta, de um gesto de empatia e do conhecimento usado para aliviar a dor e transformar vidas”, disse.
Para Maria Luiza, ser médica é unir cuidado e humanidade. Em um mundo de relações aceleradas, ela acredita que “o médico se torna figura central na promoção do cuidado. É alguém que escuta, acolhe e se faz presente nos momentos mais difíceis”, defendendo que o profissional deve “unir ciência e sensibilidade para transformar realidades”, avaliou.
A universitária, no entanto, reconhece que o caminho não é fácil. “Acho que um dos maiores desafios é equilibrar o aprendizado técnico com o lado humano. Muitas vezes, a gente está longe da família, perde datas importantes… e isso pesa. A pressão é grande e, às vezes, vem junto com a sensação de solidão”, ponderou.
Sobre a escolha de sua área de atuação, Maria Luiza afirmou que tem interesse em Medicina Intensiva e Urgência. “Gosto de estar próximo de pessoas com diferentes histórias e necessidades. Sinto que me realizo em contextos críticos, em que a dedicação faz uma diferença imediata na vida do paciente”, disse. Nesse contexto, ela ressaltou a importância da formação e dos estágios. “É nos estágios que aprendemos a lidar com situações reais e a desenvolver habilidades que não se encontram nos livros”, afirmou.
Entre os valores essenciais da profissão, ela cita a “honestidade, respeito, responsabilidade, empatia e humildade”, ressaltando que “a humildade é indispensável, pois nos mantém abertos a aprender constantemente e a reconhecer nossos limites”, comentou.
Com o Dia do Médico, ela vê a data como “um momento para refletir sobre a importância da profissão e sobre o impacto que cada médico pode ter na vida dos pacientes”, disse. Maria Luiza defende ainda uma saúde “mais humana, acessível e estruturada”, onde “a humanização e a empatia devem estar presentes em todos os níveis de atendimento”.
Maria Luiza encerra com uma mensagem de reconhecimento aos profissionais da área. “A todos que já exercem a medicina, meu reconhecimento por manterem viva a essência do cuidado. Para quem sonha trilhar esse caminho, eu diria que é uma jornada intensa, mas profundamente gratificante. Que nunca falte empatia, coragem e o desejo genuíno de fazer a diferença”, finalizou.

Ângelo Paluan

Ângelo Nascimento Paluan, 24 anos, recentemente se formou em medicina pela Uninove de Bauru e atualmente tem se especializado em ortopedia. Ele compartilhou suas experiências iniciais na carreira e seus planos futuros. O médico define esse momento como “a sensação de estar começando uma nova fase da vida, com mais responsabilidade, mas também com mais clareza sobre o caminho que quero seguir”, comentou.
Seu interesse pela medicina surgiu ainda na infância, motivado pela curiosidade sobre o corpo humano e o desejo de ajudar os outros. “Sempre me chamou atenção a capacidade de entender como cada coisa funciona e poder auxiliar os demais com esse conhecimento. Era um sonho de infância que, com muito esforço, hoje se realiza”, afirmou.
Segundo ele, a escolha pela ortopedia veio naturalmente, unindo afinidade com o esporte e interesse pelo funcionamento biomecânico. Atualmente residindo em Arapongas (PR), onde faz especialização, ele comentou que pretende complementar sua formação com pós graduação em nutrologia. “Acredito que a combinação entre ortopedia e nutrologia pode proporcionar uma abordagem mais eficiente, especialmente para quem busca qualidade de vida e recuperação funcional”, avaliou.
Ângelo reconhece que o caminho foi desafiador, especialmente pela distância da família e pelos impactos da pandemia da Covid-19. “A pandemia mostrou que, apesar das falhas, a medicina tem avançado. Algo que poderia levar décadas, conseguimos controlar em poucos anos graças ao desenvolvimento científico”, disse. Para ele, o Dia do Médico é um momento importante. “É uma data para lembrar a importância do nosso papel no cuidado com a vida e na construção de uma sociedade mais saudável.”
O médico planeja concluir a residência em ortopedia, fazer pós-graduação em nutrologia e talvez um mestrado, sem descartar o retorno à sua cidade natal. “Com certos auxílios, Vargem pode ser um ponto de moradia e crescimento profissional, tanto na área de consultório quanto na parte cirúrgica”, observou.
Aos futuros médicos, deixa um conselho: “A medicina exige atualização constante. Aconselharia a focar em se especializar e se diferenciar o máximo possível. Isso faz toda a diferença no atendimento e na trajetória profissional”, afirmou.

Gustavo Tomasio

Gustavo de Oliveira Tomasio, 23 anos, estudante do 3º ano de Medicina na Unifae, em São João da Boa Vista, compartilhou sua trajetória e visão sobre o papel do médico na sociedade. “Desde criança sempre me imaginei sendo médico. A vontade de cuidar das pessoas e fazer a diferença na vida delas foi o que me impulsionou a correr atrás desse sonho. Hoje, já na metade do curso, sigo cada vez mais certo de que escolhi o caminho certo”, afirmou.
Sobre a formação, Gustavo destacou os desafios da medicina no Brasil, especialmente pela concorrência e pela necessidade de equilíbrio. “A formação exige muita dedicação, e hoje o mercado está cada vez mais competitivo. Conciliar teoria, prática e vida pessoal é um grande desafio. É preciso organização e equilíbrio”, observou.
Ainda sem ter escolhido uma especialidade, ele disse que começou o curso com interesse em pediatria, mas mantém a mente aberta. “Conforme vou passando pelas especialidades, vou aprendendo e vendo o que posso ou não seguir. Acredito que até o internato já terei decidido”, comentou. Para ele, “ser médico é muito mais do que tratar doenças. É cuidar de pessoas. É saber ouvir, acolher, respeitar e entender o paciente como um todo. Ser médico é ter empatia e compromisso com a vida, buscando sempre aliviar o sofrimento e promover o bem-estar”, afirmou.
Gustavo comentou sobre sua rotina intensa em São João da Boa Vista: “Ter que conciliar aulas, atendimento e estudo em casa é desafiador. Mas para tudo é possível e dá tempo… Com organização, a gente consegue”, disse. Para ele, a ética, a empatia e a humildade são fundamentais para a boa prática médica. “É importante saber ouvir o paciente, entender o que ele está sentindo e agir com sinceridade. Ser médico é ter responsabilidade com a vida e com o outro”, observou.
Com a chegada do Dia do Médico, ele reflete: “É um lembrete da importância dessa profissão e do impacto que ela tem na sociedade. Para nós, estudantes, é uma motivação para continuar estudando com propósito, lembrando o motivo que nos fez escolher essa jornada”, disse.
Pensando em seu futuro, Gustavo afirma: “Primeiro quero fazer minha residência e ganhar mais experiência na área que eu escolher. Depois disso, tenho vontade de voltar e poder contribuir com a cidade”, adiantou. Ele deixa uma mensagem de admiração aos profissionais da área: “Meu respeito e admiração por todo o esforço e dedicação que a profissão exige diariamente.” E aos que sonham com a medicina, conclui: “É desafiadora, mas também é uma das formas mais bonitas de cuidar e transformar vidas”, finalizou.












