Editorial: Ouvir os bairros para priorizar as obras

As obras públicas representam a face mais concreta da atuação da prefeitura municipal. São elas que transformam discursos em realidade e que mostram, no dia a dia, o compromisso com o bem-estar da população. Mas para que esse compromisso seja verdadeiro, é fundamental que o planejamento das obras não seja feito apenas nos gabinetes. É preciso ouvir as comunidades, compreender as demandas de cada bairro e priorizar aquilo que de fato melhora a vida das pessoas.
Quem mora na cidade sabe onde estão os problemas que se arrastam há anos. No Jardim Dolores, por exemplo, o problema do esgoto é antigo e afeta diretamente a dignidade dos moradores. Em dias de chuva, o sistema não suporta o volume de água e transborda, carregando o esgoto para a Estrada da Lagoa Branca. Além de mau cheiro e desconforto, essa situação representa um risco à saúde pública, ao meio ambiente, ao desenvolvimento e à imagem da cidade. É um problema estrutural que não se resolve com medidas pontuais: exige planejamento, investimento e prioridade.
É justamente por isso que a definição do orçamento municipal precisa nascer do diálogo com os bairros. Como exemplo podemos citar que ao invés de direcionar a maior parte dos recursos apenas para recapeamento asfáltico, obra importante, mas muitas vezes mais visível do que essencial, como vem acontecendo no município, a administração deve, antes de tudo, enfrentar os problemas que prejudicam a vida cotidiana da população.
Resolver o esgoto do Jardim Dolores é uma obra que talvez não renda fotografias ou inaugurações festivas, mas representa uma transformação real e permanente na qualidade de vida dos moradores daquele bairro que há décadas convivem com o problema.
Nesse processo, o papel dos vereadores é indispensável. Cabe ao Legislativo não apenas denunciar, mas acompanhar, propor, fiscalizar e cobrar. A presença efetiva dos vereadores nos bairros, ouvindo a população, verificando a situação de perto e exigindo que a solução entre no orçamento, como foi o caso da discussão do Orçamento para 2026, cujo prazo para emendas já passou e o bairro não foi contemplado. Isso demonstra compromisso e responsabilidade pública. A cidade ganha quando o debate político se traduz em ação concreta, principalmente em uma cidade cujo orçamento é apertado, como Vargem Grande do Sul.
Por fim, a participação ativa da população é o elemento que fortalece todo esse processo. A democracia se realiza quando a comunidade fala, é ouvida e acompanha os resultados. A cidade cresce quando Poder Executivo, Câmara Municipal e moradores caminham juntos com prioridade, diálogo e responsabilidade. Se os moradores do Jd. Dolores tivessem ido à Câmara e exigir que fosse colocado no Orçamento 2026 a resolução do problema do esgoto, quem sabe o Executivo iria investir em obras públicas ouvindo quem vive a cidade e luta pelo seu futuro. E o futuro começa quando se tem coragem de enfrentar, de fato, os problemas que há décadas esperam solução.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui