O problema envolvendo vazamento de esgoto e alagamento da Estrada da Lagoa Branca logo depois do Jd. Dolores, com a água das chuvas fortes que acabam sendo drenadas para o local é antigo. Se arrasta há quase 40 anos, quando o bairro foi criado na década de 80 e até hoje está sem solução, se agravando e agora precisando ser resolvido com urgência, uma vez que a estrada está sendo asfaltada e logo a obra vai chegar na entrada do bairro, sem que a questão esteja resolvida.
Esta semana o problema foi debatido na Câmara Municipal após o Requerimento 154/2025, de autoria do vereador Paulinho da Prefeitura (Podemos) ser aprovado por todos. E entre outros questionamentos ao prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) ele pergunta ao chefe do Executivo se com a implantação da estrada nova da Lagoa Branca, o problema do esgoto que corre a céu aberto na região será solucionado. Também indaga se existe projeto de saneamento para a área, integrando a nova via às redes de escoamento e tratamento de esgoto do município.
Com as fortes chuvas que caíram na semana passada, principalmente a de domingo, a estrada ficou toda alagada. Também com o aumento das chuvas, o esgoto no final da Rua Aparecido Cossi no Jd. Dolores transborda e leva os dejetos para o leito da estrada, criando uma situação que já não se admite mais em pleno século XXI.
A questão do esgoto e alagamento da vicinal vem sendo acompanhada nestes mais de 40 anos da Gazeta de Vargem Grande, sempre denunciando os fatos, mas várias administrações municipais passaram sem que o problema fosse resolvido.
As últimas matérias foram as de abril de 2019, com os vereadores municipais criticando na época o vazamento de esgoto, que foi debatido nas sessões de Câmara daquele ano, levantado pelo ex-vereador Gabé e também pelo Paulinho da Prefeitura que já reclamava da situação há seis anos atrás.
“Na rua do Jardim Dolores, o mal cheiro se intensifica com o tempo quente e o vazamento alaga a via quando há chuvas. Além dos animais que aparecem no local, infecções e dores de cabeças fortes em razão do mal cheiro são comuns, principalmente nas crianças”, escreveu a reportagem da Gazeta de Vargem Grande na ocasião.
O jornal questionou a prefeitura na época e o superintendente que comandava o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE), Edson Nardini Sbardelini, respondeu que os entupimentos estavam ocorrendo devido à população jogar resíduos sólidos, tais como tecidos, fraldas descartáveis, bolinhas de plásticos, entre outros, o que dificultava muito o trabalho do SAE, pedindo mais conscientização da população.
Em agosto de 2021, nova matéria sobre a questão foi realizada, com a Câmara voltando a debater o assunto na presença do então superintendente do SAE, Klabin Dei Romero.
O vereador Paulinho da Prefeitura naquele ano perguntou a respeito do vazamento de esgoto existente há muitos anos na Rua Paulo Fogarolli até a Avenida Antônio Pedro Cavalheiro, no início da Estrada para a Lagoa Branca. O superintendente lembrou que se trata de um caso difícil, mas que estavam buscando uma solução.
O vereador e ex-prefeito Celso Itaroti observou naquela sessão, que o problema seria de difícil reparo por conta do relevo. Klabin concordou. “Será preciso um estudo mais aprofundado, da topografia, mas vamos procurar uma solução. Ali é complicado”, comentou na ocasião.
Em dezembro daquele mesmo ano o problema volta à baila, com os moradores do final do Jardim Dolores voltando a sofrer com os rompimentos da rede de esgoto devido a uma chuva mais forte.
No final de outubro de 2021, a equipe de reportagem da Gazeta de Vargem Grande esteve no local, na avenida Antônio Pedro Cavalheiro, no início da estrada que vai para a Lagoa Branca, onde mais uma vez, havia o acúmulo de água e esgoto após a chuva que atingiu a cidade naquela semana.
Segundo comentários dos moradores com a reportagem, naquela ocasião houve um rompimento na rede, na altura do final da rua Hélio Beloni, onde ao menos uma casa teve retorno de esgoto. A água ainda escorreu pela rua Aparecido Cossi, até chegar no início da estrada da Lagoa Branca.
A Gazeta perguntou em 2021 à prefeitura se o município foi alertado a respeito do problema e qual providência foi tomada. Lembrou que neste ponto, o acúmulo de água e rompimento da rede é constante, sendo questionado por moradores, debatido na Câmara e tema de várias reportagens da Gazeta.
Fotos: Reportagem
Sujeira e objetos entopem a rede
De acordo com o novo superintendente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAE), Celso Bruno, que tinha assumido a autarquia em 2021, o sistema de esgotamento sanitário da Avenida Antônio Pedro Cavalheiro trata-se do Tronco Coletor mais extenso da cidade, do total de três, o mesmo inicia-se no Conjunto Habitacional Homero Correa Leite, passa pelo Jardim Paulista, Jardim do Lago I, Jardim Ferri, Jardim Cristina II, Jardim do Lago II, Jardim Dolores, Jardim São Cristóvão, Parque Industrial I, atravessa a SP 215, próximo a Lajes Picolo, descendo pelos fundos do Jardim Iracema e conecta-se ao Tronco Coletor I, às margens do Rio Verde, onde segue seu percurso até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).
Esse tronco coletor tem a extensão de aproximadamente 4,30 km, sendo que o local do extravasamento acontece no ponto mais baixo, ou seja, o ponto crítico em que os dejetos jogados na rede de esgoto tendem a parar, causando a obstrução e consequentemente o vazamento do efluente, sendo neste caso o Poço de Visita (PV) no final da avenida Antônio Pedro Cavalheiro.
“Sendo assim, uma das causas do constante entupimento e extravasamento do esgoto neste local é pelo fato de vários objetos que são descartados de forma indevida na rede de esgoto como animais mortos, sacos de estopas, toalhas de banho, panos de prato, cacos de telha, pedras, cabo de vassoura, galho de árvore, pé de mesa de madeira, sacolas plásticas, terra, cabelo, areia entre outras, formando uma grande obstrução, represando os efluentes dentro do Coletor Tronco, causando o vazamento no PV mais baixo, sendo o local em questão, gerando transtornos para os moradores do local”, informou na época o superintendente.
Celso Bruno disse que o problema estava relacionado a ligações irregulares de águas pluviais (água de chuva) dos quintais das casas na rede esgoto, o que era muito grave, enfatizando que o problema não é nas tubulações, mas o que é lançado nela sobrecarregando a rede de esgoto.
Problema preocupa empresários e moradores
A reportagem da Gazeta de Vargem Grande esteve novamente esta semana no local e entrevistou a moradora Ana Paula de Souza, que mora na Rua Aparecido Cossi há 7 anos e convive com o problema do mau cheiro e vazamento do esgoto este tempo todo. Disse ao jornal que os moradores estão cansados de reclamar na prefeitura, inclusive uma vizinha dela que convive há mais de 30 anos com o problema e acha uma grande falta de respeito do poder público municipal com eles.
Explicou que ao lado da sua casa, quando chove muito, desce uma enxurrada que traz muita sujeira das ruas mais acima do bairro, se encontrando com o vazamento do esgoto e carregando tudo para a Estrada da Lagoa Branca. Que quando é mais crítico, a prefeitura vem, limpa com a máquina, mas não resolve o problema que se arrasta há décadas.
O empresário Marco Cavalheiro, da Cerâmica Cavalleri, também diz que sua empresa e outras que existem no local, são afetadas pelo esgoto e água das chuvas. “É muita água quando chove muito, praticamente não se vê a estrada”, afirmou. Disse que atrapalha muito a entrada de veículos na empresa, atingindo não só os proprietários, como também os funcionários e os seus clientes.
Na sua opinião, a prefeitura vai ter que atuar junto com a empresa que está asfaltando a Estrada da Lagoa Branca para achar uma solução urgente, porque o asfalto está chegando no local. Do início do bairro até a entrada da estrada que leva ao aeroporto localizado nas terras da família de Carlos Alberto de Oliveira, o Carlitão, já falecido, a via leva o nome de Avenida Antônio Pedro Cavalheiro e está inserida no perímetro urbano do município, explicou o empresário.
É uma região que está apresentando um bom crescimento industrial, com duas cerâmicas no local, a Cerâmica Cavalleri e também a Cerâmica Lagoa Branca, a indústria Morandin Ferro e Aço tem um galpão em frente a estrada, a empresa Fabitos Indústria e Comércio de Alimentos Ltda está instalando uma grande unidade no local e também a Bombas Ebara, antiga Thebe, tem uma grande área para expansão naquela região, além de pequenas olarias próximas à estrada.
“A Estrada da Lagoa Branca vai se tornar além de uma região de expansão industrial, um local de escoamento não só de produtos industriais, como também de produção agrícola, assumindo um papel importante no desenvolvimento econômico da cidade”, explicou Marco Cavalheiro, alertando para a importância e a urgência de resolver as questões do alagamento e do esgoto que correm a céu aberto na estrada, criando uma situação insustentável de mau cheiro, com a água empossando em uma longa extensão da vicinal, o que acaba desestimulando novos investimentos naquela importante região.
O prefeito Celso Ribeiro (Republicanos) foi colocado a par da situação e disse à reportagem do jornal que está entrando em contato com responsáveis junto ao governo do Estado, para que juntos encontrem uma solução, uma vez que a obra está sendo executada com dinheiro do governo estadual.
A Estrada Vicinal Giordano Fagan, mais conhecida como Estrada da Lagoa Branca, teve o início de seu asfaltamento em abril deste ano, serviço que está sendo realizado pela empresa Maqterra Transportes e Terraplanagem Ltda, que ganhou a licitação e está sob a responsabilidade do Departamento de Estrada de Rodagem (DER). Ela ligará Vargem Grande do Sul ao distrito de Lagoa Branca, que pertence à Casa Branca e deverá ficar pronta no ano que vem. Ao todo, são 16 quilômetros de estrada entre Vargem e o distrito de Lagoa Branca que foram beneficiados pelo projeto, que tem orçamento de R$ 32 milhões de reais, através do Governo do Estado, pelo programa “São Paulo pra toda Obra”.














