Victória Mazzarini
Na poesia, bailam-se as palavras;
e tu me indagas, com doce anelo:
“Que são tais versos?
Trazem métrica por tal desvelo?”
Ah, meu querido, ouvi-me então:
meus versos são vida em branda chama,
vida que ensaio no silêncio,
como quem ama.
Revelar-te-ei do amor e da dor,
como o pão e o vinho que, na alma,
transmutam-se em calor.
É esta poesia que te ofereço,
pois lendo-me, tu me lês inteira;
sou mais que rima passageira,
mais que simples ortografia.
Quando a alma se descerra,
surge a luz que nela habita;
e é então que a voz se alteia,
mansa, antiga, infinita.






