A presidente da Cooperativa Zélia Rita Lázaro reclama de falta de apoio da prefeitura e pede ajuda ao poder público municipal
A Cooperativa de Reciclagem Grupo Ambiental Cata Vida foi criada com a proposta de organizar a reciclagem do lixo produzido no município, promover a inclusão social dos catadores e substituir o trabalho que era realizado pelos catadores no antigo lixão da cidade, de acordo com documentos apresentados pelos responsáveis pela cooperativa. Segundo relato da presidente Zélia Rita Lázaro, o município repassa atualmente R$ 3 mil mensais, totalizando R$ 36 mil ao ano, mas não tem fornecido apoio técnico, sanitário ou operacional, o que no seu entender, compromete o funcionamento da atividade.
A responsável afirma ainda que o caminhão cedido pela Prefeitura se encontra em condições inadequadas, sem telas de proteção e sem atender às normas de segurança, o que obrigaria cooperados a subir no veículo em movimento durante o trabalho. Zélia explica que o caminhão apropriado que originalmente teria sido destinado à cooperativa, estaria trabalhando em outro setor da prefeitura municipal.
Também foi relatado que o galpão utilizado, apesar de mantido limpo pelos próprios trabalhadores, está localizado em área residencial no Jd. Paulista e não dispõe de infraestrutura apropriada, como acompanhamento de engenheiros ambientais, técnicos de segurança ou servidores municipais.
Outro ponto citado é que, segundo a cooperativa, a Prefeitura não estaria destinando os resíduos recicláveis ao grupo, descumprindo diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos e inviabilizando a coleta seletiva, medida essencial para o trabalho dos cooperados e para a gestão ambiental do município. “Antigamente, tinha um motorista da prefeitura que nos auxiliava, trazia todo material reciclado dos postos de saúde e também da biblioteca, hoje somos nós que temos que buscar e muitas vezes sem sucesso”, afirmou Deusa da Reciclagem, como é conhecida a presidente.
Os atuais responsáveis pela cooperativa lembraram ainda que, quando foi criada, a Cata Vida representou a promessa de substituição definitiva do trabalho no antigo lixão de Vargem, que chegou a ser classificado como um dos piores do Estado de São Paulo pela Cetesb, segundo reportagem publicada em 2012. À época, catadores que trabalhavam no lixão foram incorporados à cooperativa com a expectativa de formalização e melhoria das condições de trabalho, “éramos em 20, hoje devido a falta de apoio somos em 6” disse a presidente ao jornal Gazeta de Vargem Grande.
“Minha mãe não está abandonando o local”, diz filho de Zélia
Elton Fábio Camareli, filho de dona Zélia, procurou o jornal para relatar os problemas enfrentados pela cooperativa por ocasião das denúncias de infestação de ratos no bairro. Elton afirma que fez denúncias ao Ministério Público, não só pelo descaso que a cooperativa enfrenta por parte da prefeitura, mas também por ataques que sua mãe vem enfrentando por parte de moradores da região que afirmam que as ruas estão infestadas de ratos por conta da cooperativa ser dentro do perímetro urbano. Ele afirmou que compreende a preocupação dos moradores, mas reforçou que a mãe tem feito esforços para manter o espaço em condições mínimas de operação, apesar da falta de apoio institucional.
“Ela fez a dedetização com dinheiro próprio. Os vídeos compartilhados são antigos e não refletem a situação atual do galpão”, afirmou, ao comentar sobre vídeos colocados nas redes sociais, onde aparecem ratos saindo do imóvel onde está localizada a cooperativa. Segundo ele, antes de cobrar apenas da Cata Vida, é necessário considerar o quadro de abandono enfrentado pela entidade, que incluiria falta de equipamentos adequados, ausência de acompanhamento técnico e a não destinação dos materiais recicláveis.
Debate segue e moradores aguardam solução
Enquanto a cooperativa tenta se defender das críticas e expõe o que considera descaso por parte do poder público municipal, moradores próximos ao local afirmam esperar uma solução definitiva para os problemas de insalubridade que estão sendo obrigados a conviver devido à existência da cooperativa no bairro.
As queixas dos moradores e também dos dirigentes da Cata Vida deixa à mostra que está faltando uma política municipal voltada para o recolhimento de resíduos sólidos e o impacto direto da falta de estrutura nas condições de trabalho dos catadores e no cotidiano da comunidade.
Deusa pede ajuda, ela afirma que o dinheiro que vem para a cooperativa é apenas para o pagamento do aluguel, que segundo ela é a única ajuda da prefeitura. “O restante sou eu quem paga, como a gasolina do veículo, dedetização, água, luz e outros”, falou.
Ela afirma ainda, que na gestão do ex-prefeito Amarildo Duzi Moraes tudo era mais fácil, sempre que ela o procurava ele prontamente a ajudava, já o novo administrador Celso Ribeiro, segundo a presidente, não tem dado a atenção que eles precisam. “Fui umas cinco vezes tentar falar com ele, mas nunca tive o privilégio de ser atendida”, afirmou ao jornal.
Fotos: Reportagem
Prefeitura se manifesta a respeito
Diante dos fatos, a Gazeta de Vargem Grande procurou a prefeitura para saber como é a parceria entre a administração municipal e a cooperativa. Em resposta à questão, foi informada no tocante à manifestação de ratos no local onde opera a cooperativa e que foi objeto de discussão nas redes sociais, que o Departamento de Saúde e Medicina Preventiva designou os agentes de Combate às Endemias para a realização de vistoria no endereço citado.
Durante a diligência, a equipe percorreu integralmente o quarteirão, efetuando inspeção técnica no local indicado e em outros 49 imóveis, com o objetivo de identificar eventuais riscos, orientar os moradores e coletar informações necessárias para a adequada apuração dos fatos.
Foi informado à equipe que os responsáveis pela cooperativa já haviam solicitado a uma empresa especializada a execução completa do serviço de desratização da área. Assim, todas as providências cabíveis foram adotadas, garantindo a proteção da saúde pública e a regularidade das condições de infraestrutura urbana.
Com relação ao veículo utilizado pela cooperativa, o departamento de Comunicação informou que em 2018, a prefeitura realizou a cessão de um caminhão à cooperativa, bem como de diversos equipamentos essenciais ao seu funcionamento, incluindo: duas prensas enfardadeiras hidráulicas, uma balança digital, uma bica metálica, uma esteira transportadora de correia para triagem, um sistema elétrico para o transportador e dois carrinhos para bags/fardos/bombonas. O caminhão citado permanece sob posse da cooperativa, não havendo registro de substituição.
Além disso, a prefeitura mantém parceria ativa com a cooperativa, custeando o imóvel atualmente utilizado, cujo aluguel é pago pelo Município. A administração municipal também custeia despesas relativas a produtos de limpeza, manutenção preventiva e corretiva do caminhão, bem como o fornecimento de combustível, assegurando condições adequadas para o pleno funcionamento das atividades cooperativadas.
Dificuldades da cooperativa são antigas
Em matéria realizada pela Gazeta de Vargem Grande em outubro de 2021, intitulada “Cooperativa de recicláveis ainda enfrenta muitos desafios”, as dificuldades que a entidade enfrentava na época foram abordadas. Na ocasião a cooperativa tinha oito cooperados e era presidida por Joana D’Arc Dias e contava com Zélia Rita Lázaro como uma de suas lideranças.
O principal problema apresentado naquele ano, segundo os cooperados, era a concorrência com os catadores independentes e principalmente com alguns ferros-velhos da cidade, que estariam prejudicado a cooperativa com a concorrência desleal, uma vez que ali, eles pagam impostos, são fiscalizados pela Cetesb e estão completamente regularizados.
De acordo com o que relataram na ocasião, alguns comércios de ferro-velho não possuíam alvará, licença de funcionamento, alvará dos Bombeiros, e como não pagavam impostos, acabavam pagando mais para os coletores, que preferiam vender diretamente a essas empresas do que passar a contribuir com a cooperativa.
Também queixaram há cinco anos atrás, que muitos moradores já não estavam disponibilizando os recicláveis para serem recolhidos e também ponderaram que os próprios coletores de lixo da prefeitura, quando recolhiam os sacos já iam separando recicláveis para eles próprios venderem e que era preciso que a prefeitura fiscalizasse os comércios de sucata para que todos trabalhassem de forma justa.
A falta de material para venda era um problema que pode tornar a cooperativa inviável. Por isso, os cooperados pediam em 2021 que a população destinasse para eles a sucata e que os coletores de sucatas do município passassem a trabalhar com a cooperativa, para que todos saíssem ganhando.



















