Iniciado há 16 anos por apenas três integrantes de uma mesma família, o grupo de voluntários liderado por Rodrigo Donizeti Soqueti, 43 anos, conhecido como “Fusca”, prepara-se para mais uma edição da distribuição de balas pelas ruas de Vargem Grande do Sul. A ação, que se tornou tradição na cidade, hoje mobiliza cerca de 30 pessoas e conta com o apoio da Casa da Mãe Aparecida. Segundo Rodrigo, a atividade deste ano deve começar a partir de 19 de dezembro, com foco maior na entrega de sacolinhas às crianças.
A iniciativa começou em 2008, em um formato simples e improvisado. Rodrigo lembra que a primeira saída foi marcada por criatividade e vontade de fazer o bem: um sofá foi amarrado ao teto de um Fiat 147 e, com apenas três caixas de balas, o grupo percorreu alguns bairros da cidade. A partir dali o número de voluntários cresceu ano a ano, incorporando novos participantes, embora alguns permaneçam desde o início. Em 2018, uma parceria ampliou o alcance da ação. O padre Antônio Carossi, da Casa da Mãe Aparecida, convidou o grupo para integrar o trabalho social da instituição, que passou a colaborar com campanhas de arrecadação de balas.
A organização do evento, no entanto, exige meses de esforço. Rodrigo explica que a maior parte dos recursos vem de uma ação entre amigos realizada anualmente, cuja renda é inteiramente revertida para a compra de balas, doces e outros itens. No ano passado, foram adquiridos cerca de 700 kg de balas e montadas 300 sacolinhas, contendo doces e bebidas como achocolatados. Apesar disso, ele admite que a venda das rifas encontra pouca adesão e que as doações espontâneas também são escassas, o que faz com que a arrecadação leve em média quatro meses para ser concluída.
As entregas costumam ocorrer aproximadamente uma semana antes do Natal, distribuídas ao longo de seis dias, sempre com atenção às condições climáticas, já que dezembro costuma ser chuvoso. Apenas o Papai Noel sai fantasiado, enquanto a tradicional “Casa do Papai Noel” é montada sobre uma caminhonete, acompanhada por outros veículos que compõem o cortejo.
Ao longo dos anos, o grupo acumulou histórias emocionantes. Rodrigo destaca, entre elas, o momento em que uma mãe ajoelhou-se diante do carro do grupo para agradecer a visita ao bairro, que até então não havia recebido nenhuma ação natalina. Ele também lembra da época em que o grupo distribuía cestas básicas e brinquedos. A prática, porém, foi interrompida devido à falta de respeito de algumas pessoas, já que havia casos de famílias que recebiam várias cestas enquanto outras não eram atendidas. “O povo só pensa em si e não no próximo”, lamenta.
Apesar dos desafios, a motivação permanece. Rodrigo se emociona ao relembrar as crianças correndo atrás do Papai Noel, impulso que, ainda no início da iniciativa, o fez vestir a fantasia pela primeira vez. “Só quem se veste de Papai Noel sabe a emoção de ver crianças e adultos indo atrás”, afirma. Para este ano, o grupo ainda não definiu mudanças significativas, mas pretende reforçar o número de sacolinhas distribuídas.
Rodrigo deixou um recado à comunidade: que a tradição nunca seja deixada de lado e que todos possam contribuir, seja com doações, seja adquirindo a ação entre amigos. E reforça que, apesar da figura alegre do Papai Noel, o verdadeiro sentido do Natal permanece no nascimento do Menino Jesus. “Esperamos inspirar as pessoas a sempre fazer o bem. Dessa vida não se leva nada. Temos que fazer o bem sem saber a quem”, conclui. Todas as doações podem ser feitas diretamente para o Rodrigo, telefone de contato: 19 99128-3768.
Foto: Arquivo Pessoal









