Douglas Nonis
Uma vez um colega meu que hoje é padre, me ensinou que a primeira coisa criada por Deus não foi nem o céu e nem a terra, mas o tempo.
Todos nós sabemos aquele clichê de que o tempo passa. Mas, qual a nossa percepção?
Quando somos jovens, o tempo é algo que precisamos transpor o mais rápido possível: preciso terminar a escola, preciso ter dezoito anos logo para ser habilitado, preciso acabar logo a faculdade. Queremos apressar o tempo, na ânsia da maturidade que acreditamos ser a nossa liberdade.

A maturidade vem e percebemos depois que veio rápido demais. As rotinas nos colocam quase que num estado de letargia, onde não temos percepção suficiente do que está acontecendo e o tempo está apenas passando. Vez ou outra dizemos “já é quinta”, “daqui a pouco é Natal” ou “parece que foi ontem”.

Nos botequins da vida, em mesas bem regadas, observando as conversas de amigos que já estão na melhor idade, chegará o momento em que mergulharemos no saudosismo e acreditaremos que o tempo passou muito rápido e deveríamos tê-lo aproveitado melhor.
No meio disso, ainda tentamos moldar atitudes e posicionamentos esperados pelos outros. Nos preocupamos com nossas colocações, pensamentos e, principalmente com o que os outros estão pontuando sobre nós.

Uma vez eu li um livro desses que trazem a saga de uma família no decorrer de gerações. O escritor narrou a vida de um personagem em um único parágrafo. Fiquei muito reflexivo. A existência de uma pessoa pode ser resumida em um único parágrafo com algumas frases, independentemente de quem ela foi.
Também uma vez li o livro de Lygia Fagundes Telles, Ciranda de Pedra. Lá pela metade Virgínia, a personagem principal, define o que pensa de outros cinco personagens com apenas um adjetivo para cada um.

Então, a vida é assim. Ela vai passar e ser um único parágrafo na página de um livro. Os outros nos definirão com no máximo um adjetivo, independentemente do que queremos parecer ser. Temos que aproveitar esse tempo da melhor forma possível. O Natal é dessas datas que nos levam a ter este tipo de reflexão.
O tempo do Natal precisa ser vivido com calma e como na ceia. A mesa farta, todos sentados juntos, celebrando, convivendo com os nossos do jeito que nos sintamos bem e com muita intensidade.
Feliz Natal!












