
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a empreendedora Elisabete Aparecida Salgueirosa da Silva relembra à Gazeta de Vargem Grande a trajetória que começou com vendas de roupas de porta em porta e, após décadas de trabalho, resultou na criação da loja Bethi Look, Moda Feminina. Ela também destaca o papel do Banco do Povo Paulista no apoio a microempreendedores, apontando o acesso ao crédito como um dos fatores que contribuíram para consolidar o negócio.
A história da empreendedora Elisabete Aparecida Salgueirosa da Silva, de 53 anos, é exemplo da persistência de quem construiu o próprio negócio após décadas de trabalho. Dona da loja Bethi Look, localizada na Rua Batista Figueiredo, nº 214, em Vargem, ela começou fazendo vendas de porta em porta e hoje mantém um ponto comercial sem abandonar as tradicionais sacolas de venda.
Em entrevista ao jornal Gazeta de Vargem Grande, Elisabete relembrou que sua relação com o comércio começou há muitos anos, ainda vendendo produtos por comissão. Na época, trabalhava com cosméticos de catálogo, como Avon, Natura e O Boticário, além de lingerie. A venda de roupas próprias começou em 2007. Com um empréstimo de R$ 500,00 feito pela mãe, ela viajou para São Paulo para comprar mercadorias e iniciou a atividade como sacoleira.

“Minha mãe me emprestou R$ 500,00. Fui para São Paulo, comprei algumas peças, vendi, paguei ela e voltei de novo com o dinheiro para comprar mais. Foi assim que comecei”, contou. A rotina sempre exigiu conciliar trabalho e família. Casada há 37 anos e mãe de dois filhos, Elisabete dividia o tempo entre os cuidados da casa, dos filhos e da mãe, que ficou doente por cerca de dez anos.
Durante esse período, ela organizava o dia para conseguir vender. “Eu cuidava da minha casa, do meu marido, dos meus filhos e da minha mãe. Depois saía para vender das quatro às oito da noite. Meu marido ficava com ela enquanto eu trabalhava”, relatou.
A atividade no comércio começou ainda antes de investir em mercadorias próprias. Quando o filho mais velho tinha cerca de cinco anos, ela já percorria bairros da cidade para vender produtos. “Eu colocava ele numa cestinha na bicicleta e levava duas sacolas no guidão. Ia vender pela vila, ali pelo Dolores. Faz muito tempo que eu vendo”, lembrou.

Apoio do Banco do Povo
Um dos momentos decisivos na trajetória da empreendedora ocorreu em 2018, quando ela decidiu formalizar a atividade abrindo um Microempreendedor Individual (MEI). Foi também nesse período que buscou apoio financeiro no Banco do Povo Paulista, programa de microcrédito voltado a pequenos empreendedores.
Na época, Elisabete obteve um empréstimo de R$ 7 mil para investir em mercadorias. O valor foi pago em parcelas ao longo de cerca de dois anos. “Peguei R$ 7 mil, que era o máximo na época. Os juros são muito baixos. Acho que paguei no total cerca de R$ 8,2 mil. Para quem está começando, ajuda muito”, afirmou.
Segundo ela, o recurso foi essencial para ampliar o estoque e manter o trabalho. “Eu devo muito ao Banco do Povo, porque foi ali que consegui comprar mais mercadorias e continuar crescendo”, disse.
Elisabete destaca que o programa é uma alternativa importante para quem trabalha por conta própria. “Para quem é microempreendedor, o Banco do Povo ajuda demais. O juro é muito baixo e é um dinheiro que faz a gente crescer”, disse.
Nos anos seguintes, ela ampliou o estoque e continuou atendendo a clientela que construiu ao longo do tempo. No entanto, durante a pandemia de Covid-19, as vendas diminuíram e muitas mercadorias ficaram paradas. Ao mesmo tempo, a mãe voltou a precisar de cuidados mais intensos, o que também reduziu o ritmo de trabalho.

Da liquidação à loja
Após o falecimento da mãe, Elisabete enfrentou um período difícil e chegou a pensar em encerrar as atividades. Com grande quantidade de mercadorias em estoque e dificuldades financeiras, voltou a procurar o Banco do Povo e iniciou o processo para um novo empréstimo. “Eu estava pensando em pegar cerca de R$ 20 mil. O juro também era muito baixo, ia pagar pouco mais de R$ 21 mil no total”, contou.
Antes de concluir o pedido, decidiu tentar outra estratégia: alugar um espaço por um mês para fazer uma liquidação das peças que estavam paradas. “Eu aluguei o ponto pensando em ficar só um mês, para fazer uma liquidação e levantar dinheiro”, explicou.
O resultado foi diferente do esperado. A liquidação atraiu novos clientes e permitiu que o negócio continuasse funcionando. Há nove meses, o espaço se transformou definitivamente na loja Bethi Look. “Eu avisei minhas clientes que seria só um mês, mas foi tão bom que fui conquistando mais clientes e consegui continuar”, disse.
Com o tempo, o local passou por melhorias. Foi instalado prateleiras, reorganizado o espaço e ampliado a variedade de produtos.

Vendas na loja, nas ruas e nas redes sociais
Atualmente, a loja comercializa roupas femininas que vão do tamanho PP ao extra-GG, chegando em alguns casos até o G4, além de biquinis, lingerie, roupas de academia e acessórios. Entre as marcas vendidas está a Monami, uma das mais procuradas pelas clientes.
Mesmo com o ponto comercial, ela manteve o modelo de vendas que construiu ao longo dos anos. “Eu continuo levando as sacolas para algumas clientes. Tem gente que trabalha o dia todo e não consegue vir até a loja”, explicou.
A rotina começa cedo. Antes de abrir o estabelecimento, ela faz entregas para clientes que trabalham no comércio ou em consultórios. Depois do fechamento da loja, também realiza atendimentos. “À noite eu monto as sacolas e no outro dia cedo faço as entregas antes de abrir. Tem dia que chego em casa oito horas da noite”, contou.
As vendas são feitas principalmente por Pix e cartão, embora algumas clientes antigas ainda utilizem o sistema de ficha. A divulgação dos produtos também acontece pelas redes sociais, como Instagram, Facebook e WhatsApp.

Persistência e realização
Depois de cerca de três décadas trabalhando com vendas, Elisabete diz que a loja representa a realização de um sonho que demorou para acontecer. “São mais de 30 anos de luta. Eu nunca imaginei que conseguiria ter uma loja. Abri pensando em ficar só um mês e hoje estou aqui”, afirmou.
Para ela, o trabalho como sacoleira continuará fazendo parte da rotina. “Eu amo vender e atender as clientes. Isso faz parte da minha vida”, disse. Ao falar sobre a trajetória, ela também reforça a importância do acesso ao crédito para pequenos negócios.
“O Banco do Povo muda a vida da gente. Quem está começando deveria procurar, porque é um dinheiro que ajuda muito o microempreendedor a crescer. O dinheiro do Banco não é só pra quem está passando por um momento difícil, mas também para quem quer ampliar. Eu sempre penso em crescer, e quando eu precisar vou procurar o Banco do Povo novamente”, destacou.
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a história de Elisabeth mostra a realidade de muitas empreendedoras que conciliam família, trabalho e dificuldades financeiras, mas seguem apostando no próprio negócio. “Foi muita luta, mas eu nunca desisti. Hoje tenho minha loja e me sinto muito feliz com o que conquistei”, concluiu.












