Editorial: Um mundo online mais seguro

Se por um lado o avanço das tecnologias digitais ampliou possibilidades de aprendizado, comunicação e expressão, por outro o ambiente online tem se tornado um lugar cada vez mais arriscado, com o crescimento do cyberbullying, exposição a conteúdo sexual impróprio e material de violência.
A pesquisa TIC Kids Online (2024) mostrou que 93% das crianças e adolescentes entre nove e 17 anos acessam diariamente o mundo digital, seja para usar as redes sociais, streamings ou jogos. Um dado preocupante trazido pela pesquisa é que pelo menos 29% dos jovens relataram já ter vivido situações incômodas ou ofensivas na internet, o que é desconhecido da grande maioria dos pais. Em Vargem Grande do Sul essa realidade não é diferente. O Conselho Tutelar da cidade relatou aumento considerável nos casos de cyberbullying, por exemplo.
As grandes empresas globais que dominam esse segmento não estão isentas de responsabilidade. Muitas das plataformas digitais são estruturadas para maximizar o engajamento, priorizando conteúdos que geram forte reação emocional, o que torna o apelo dessas redes viciante. Para crianças e adolescentes, isso significa maior exposição a conflitos, comparações sociais e padrões irreais de comportamento e aparência. O anonimato e a sensação de impunidade agravam o quadro, criando um ambiente propício para agressões, disseminação de discursos de ódio e humilhações públicas que podem se espalhar rapidamente.
Considerando que crianças e adolescentes são pessoas ainda em processo de desenvolvimento emocional e psicológico, a validação social baseada em curtidas e comentários pode impactar a autoestima, enquanto críticas e ataques ganham proporções amplificadas no ambiente digital. O diálogo entre pais, responsáveis e filhos é uma arma essencial para enfrentar essa situação, como reforçou o Conselho Tutelar de Vargem. É preciso construir relações de confiança, para que os jovens se sintam seguros para compartilhar as situações que estão vivenciando.
Porém, com tantas empresas faturando em cima dos cliques e minutos de tela desse público, a responsabilidade precisa chegar até elas. Em todo o mundo, cresce a cobrança por maior rigor das plataformas digitais e redes sociais. Governos e organizações têm exigido medidas como verificação de idade, transparência nos algoritmos, moderação mais eficiente e rápida remoção de conteúdos nocivos.
O ECA Digital, que passou a vigorar no Brasil na última semana representa um avanço importante nesse sentido. Mas ele só será efetivo, com a participação ativa das famílias, poder público e empresas de tecnologia. Encontrar um equilíbrio e seguir com a proteção das crianças e adolescentes é uma tarefa coletiva e contínua. Tornar o ambiente digital um espaço seguro parece ser um desafio gigantesco, mas é uma necessidade cada vez mais urgente.

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