Um levantamento divulgado na quarta-feira, dia 20, pelo instituto Imazon, em parceria com outras organizações, aponta as cidades brasileiras com melhor e pior qualidade de vida em 2026. O estudo usa o Índice de Progresso Social (IPS), que avalia os 5.570 municípios do país com base em 57 indicadores sociais e ambientais, reunidos a partir de fontes públicas como DataSUS, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e MapBiomas. Diferentemente do Produto Interno Bruto (PIB), que mede a riqueza gerada, o IPS avalia se essa riqueza de fato chega à vida das pessoas.
O índice, que vai de notas 0 a 100, organiza os indicadores em três grandes eixos: necessidades humanas básicas, que abrange nutrição, saneamento, moradia e segurança; fundamentos do bem-estar, que inclui acesso ao conhecimento, à informação, à saúde e ao meio ambiente; e oportunidades, que avalia direitos individuais, inclusão social, liberdades e acesso à educação superior. A nota do Brasil neste ano ficou em 63,40, uma melhora modesta em relação aos 63,05 registrados em 2025 e aos 62,85 de 2024. “O progresso foi tímido. A maioria dos municípios subiu no máximo um ou dois pontos de um ano para o outro”, afirmou ao portal G1 Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil.
O levantamento também evidencia uma desigualdade regional persistente: 18 das 20 cidades mais bem colocadas estão no Sul e no Sudeste, enquanto 19 das 20 piores posições pertencem a municípios do Norte e do Nordeste.
Desempenho de Vargem
Em Vargem Grande do Sul, o IPS 2026 ficou em 64,95, ligeiramente acima da média nacional, mas abaixo de alguns vizinhos da região. Entre os três eixos avaliados, o município apresenta melhor desempenho nas necessidades humanas básicas (83,10), resultado puxado especialmente pelo saneamento, com 94,52 pontos em abastecimento de água e 99,51 em esgotamento sanitário adequado.
Os fundamentos do bem-estar alcançaram 69,77 pontos, com destaque positivo para o acesso à informação e comunicação (81,97) e para o acesso ao conhecimento básico (79,37). O ponto mais fraco da cidade está no eixo de oportunidades, que somou 41,99 pontos, o mais baixo entre os três pilares e abaixo de todos os municípios vizinhos listados no levantamento. Dentro desse eixo, os direitos individuais (24,74) e o acesso à educação superior (36,74) chamam atenção como os indicadores de menor pontuação.
Cidades da região
O levantamento avaliou os 5.570 municípios do país e no Estado de São Paulo, foram analisadas 645 cidades. Entre os municípios da região, o melhor colocado em todo Estado foi Águas da Prata, em 14º lugar entre as mais de 640 cidades paulistas, com IPS de 70.44. São João da Boa Vista ficou na 19ª colocação, com IPS 69.94. Bem abaixo, vem Itobi (292º lugar e IPS 66.10), São José do Rio Pardo (369º lugar/IPS 65.42), Espírito Santo do Pinhal (374ª colocação/IPS 65.38), depois Vargem (415ª colocação/IPS 64.95), seguida por Divinolândia (429º lugar/IPS 64.80), Casa Branca (542º lugar/IPS 63.24), São Sebastião da Grama (579º lugar/IPS 62.54), Aguaí (581º lugar/IPS 62.49) e Caconde (630º lugar/IPS 60.07).
A relação entre riqueza econômica e bem-estar social não é direta. Espírito Santo do Pinhal, por exemplo, tem o maior PIB per capita entre os municípios listados (R$ 66.861,54) e ainda assim ocupa posição inferior à de Águas da Prata, cuja renda per capita é de R$ 36.494,57. Vargem Grande do Sul, com PIB per capita de R$ 34.701,43, o segundo menor do grupo, obteve nota superior à de municípios economicamente mais ricos, o que sugere que fatores sociais e ambientais têm peso próprio na qualidade de vida da população.
Na cidade, saneamento é o ponto forte, enquanto direitos e acesso a lazer os mais frágeis
De todos os 57 indicadores que compõem o IPS de Vargem Grande do Sul, é no saneamento básico que a cidade apresenta seus resultados mais expressivos. O esgotamento sanitário adequado alcançou 99,51 pontos, e o abastecimento de água via rede de distribuição chegou a 96,25. O índice de perdas de água na distribuição ficou em 15,10, que é a porcentagem do volume de água fornecido perdido na distribuição. Moradia e coleta de resíduos também se destacam: 97,83 pontos em domicílios com paredes adequadas, 98,90 em pisos e 97,06 em coleta de resíduos.
Na segurança pessoal, o município registrou 4,84 homicídios por 100 mil habitantes e 4,69 assassinatos de jovens na mesma proporção. As mortes por acidentes de transporte somaram 10,65, um patamar que merece atenção. Já os assassinatos de mulheres ficaram em 1,91, nesse quesito, quanto mais próximo do 1, melhor. No campo da saúde, a expectativa de vida foi de 76,78 anos, enquanto a taxa de mortalidade entre 15 e 50 anos atingiu 222,34 por 100 mil habitantes — dado que o índice considera como negativo quanto mais elevado for. As mortalidades por doenças crônicas não transmissíveis chegaram a 513,57, e a taxa de obesidade ficou em 34,88%. A cobertura vacinal contra a poliomielite, no entanto, foi de apenas 69,00 pontos — resultado preocupante diante da importância do indicador para a saúde pública.
O acesso à informação e comunicação foi o indicador mais alto dentro dos fundamentos do bem-estar, com 81,97 pontos. A cobertura de internet móvel (4G/5G) chegou a 99,19%, e a qualidade do sinal móvel obteve 96,15. Contudo, a densidade de internet banda larga fixa ficou em 51,31 — o que indica que, apesar da boa cobertura móvel, uma parcela considerável da população ainda não tem acesso a conexões fixas de qualidade. A saúde e bem-estar somaram 53,72 pontos, e a qualidade do meio ambiente atingiu 64,01. O município registrou 42,08 pontos em supressão de vegetação primária e secundária, e apenas 4,71 em áreas verdes urbanas — um dos valores mais baixos do levantamento nesse quesito.
No eixo de oportunidades, os direitos individuais registraram apenas 24,74 pontos — o segundo pior resultado entre todos os indicadores do município. Esse eixo avalia aspectos como acesso a programas de direitos humanos (4,00 pontos) e a existência de ações para direitos de minorias, que marcou zero. A paridade de gênero na Câmara Municipal ficou em 0,31, e a paridade de negros no mesmo espaço chegou a apenas 0,75 — números que apontam para a baixa representatividade de mulheres e pessoas negras na política vargengrandense. A violência contra mulheres foi registrada em 164,56 ocorrências por 100 mil habitantes, e a violência contra negros em 286,74.
O acesso à educação superior somou 36,74 pontos. A nota mediana no Enem foi de 550,38, e o percentual de empregados com ensino superior ficou em 47,02% — sendo que, entre as mulheres, esse índice é maior: 59,14%. No ensino básico, o abandono no ensino fundamental foi de apenas 0,58%, e no ensino médio chegou a 2,98%. A distorção idade-série no ensino médio, porém, alcançou 15,08%, e a reprovação escolar nesse nível ficou em 9,02%. O Ideb do ensino fundamental registrou 5,87. No campo da inclusão social, o índice de vulnerabilidade das famílias do CadÚnico (IVCAD) foi de 9,09, e a taxa de gravidez na adolescência chegou a 10,18%. O acesso à cultura, lazer e esporte pontuou apenas 5,00, e praças e parques em áreas urbanas marcaram 0,28 — indicando déficit significativo de equipamentos públicos de convivência.












