Bispo fala sobre Campanha da Fraternidade 2026 na Câmara

Bispo D. Eugênio, junto aos padres, vereadores e participantes da sessão especial

Uma sessão especial realizada pela Câmara Municipal de Vargem Grande do Sul na última segunda-feira, dia 18 de maio, recebeu Dom Eugênio Barbosa Martins, bispo da diocese de São João da Boa Vista, que falou aos vereadores sobre a Campanha da Fraternidade 2026. Promovida pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”. A iniciativa convida a sociedade a refletir e agir contra o déficit habitacional e a exclusão social, buscando garantir moradia digna para todos.
O presidente da Câmara, Maicon Canato (Republicanos), abriu a sessão, destacando a importância da Campanha da Fraternidade. “Iniciativa de grande relevância social e espiritual, que nos convida à reflexão ao compromisso com o próximo e a construção de uma sociedade mais justa e solidária. A Campanha da Fraternidade nos convida, ano após ano, a olhar com mais atenção para as necessidades humanas, sociais, espirituais da nossa comunidade. Mais do que um tema religioso, ela representa um chamado à solidariedade, ao respeito, ao diálogo e ao cuidado com aqueles que mais precisam”, disse.
Além dos vereadores, também se fizeram presentes na sessão os padres Agnaldo, Paulo, Luís Antônio, Carlos Eduardo e Thiago. O membro da Pastoral de Fé e Política, João Soares ao fazer uso da palavra, falou sobre a importância do diálogo entre a comunidade religiosa e a política. Ele fez a leitura de um trecho baseado do texto-base da Campanha da Fraternidade.
“Grande parte da população urbana vive precariamente. Moradia digna é a porta de entrada para que todos os outros direitos humanos aconteçam, se desenvolvam e se estruturem, fazendo mais pleno a vida de cada cidadão. Uma economia solidária tem esse valor e princípio como imperativo e irrenunciável para cada ser humano, para que esse possa ser realizado e mais pleno”, apontou.
Padre Paulo fez a leitura de um trecho da Bíblia do livro do profeta Isaías. E João Soares voltou a comentar a Campanha, que tem como intuito propor uma reflexão sobre temas que afligem a população.

Moradia como direito e não mercadoria
Em seguida, Dom Eugênio fez uso da palavra, saudando os presentes e destacou a abertura para o diálogo. “A encarnação de Jesus nos diz que tudo que diz respeito ao ser humano deve interessar a todas as igrejas cristãs. Porém, esse diálogo se faz de uma forma muito concreta, porque nessa Casa de Leis, vocês têm uma responsabilidade constitucional em relação ao tema proposto pela Campanha da Fraternidade da Igreja Católica”, ponderou.
Em sua fala, o bispo apresentou dados que revelam a dimensão do problema habitacional no país: 6 milhões de brasileiros não possuem casa, 26 milhões vivem em habitações inadequadas e cerca de 360 mil pessoas estão em situação de rua. Somados, são 32 milhões de cidadãos que, segundo Dom Eugênio, vivem sem condições mínimas de privacidade e dignidade.
Para fundamentar a campanha, o bispo recorreu a uma passagem do Evangelho de Mateus, na qual Jesus orienta seus discípulos a “entrar no quarto” como gesto de oração e interioridade. “Para que você possa entrar na sua interioridade, a realidade exterior precisa facilitar”, afirmou, argumentando que a moradia não é apenas uma necessidade material, mas também uma condição para o desenvolvimento espiritual do ser humano.
Dom Eugênio também criticou a transformação de direitos fundamentais em mercadoria. Usando como exemplos a saúde e a água, ele estendeu o raciocínio à questão habitacional: quem pode comprar tem acesso, quem não pode fica excluído. “Um direito que você compra deixou de ser direito”, resumiu, apontando para o que chamou de “latifúndio urbano” como símbolo das desigualdades no acesso à moradia.
Ele chamou a atenção ainda para as consequências da habitação precária sobre grupos vulneráveis, citando os índices de violência doméstica, abuso de crianças e adolescentes e o feminicídio. “É impossível, como o Brasil considerado um dos países cristãos, sermos o segundo país do mundo que mais mata mulheres”, declarou, ligando diretamente a ausência de moradia adequada a esses índices.
O bispo encerrou sua fala reforçando que defender o direito à moradia é, para os cristãos, um compromisso de fé, e que a Campanha da Fraternidade permanecerá como tema de mobilização ao longo de todo o ano de 2026. Ele ressaltou que a diocese de São João da Boa Vista abrange 18 municípios, todos com déficit habitacional, e conclamou os vereadores a fazerem valer o que determina a Constituição Federal, que reconhece a moradia como direito de todo cidadão brasileiro.

Encerramento
Ao final, os vereadores Paulinho da Prefeitura (Podemos), Serginho da Farmácia (Cidadania), agradeceram a presença do bispo, destacaram o deficit habitacional da cidade, lembraram de projetos na área que estão em andamento. O ex-prefeito Celso Itaroti também fez uso da palavra, elogiando a iniciativa da Diocese em abrir diálogo com as Câmaras da região.
O padre Luís Antônio Pena, da pastoral de Fé e Política, falou aos presentes, comentando que algumas cidades destinam porcentagem do PIB como lei para moradias, citando como exemplo Taubaté, uma lei de autoria do Legislativo para essa iniciativa. Em seguida, D. Eugênio convidou os presentes a rezar o Pai Nosso e deu a bênção final. O vereador Maicon agradeceu a presença de todos e informou que a Câmara está de portas abertas à Diocese. “A fé, o conhecimento, a palavra de Deus e principalmente o amor ao próximo deve sempre nos motivar a fazer políticas públicas”, falou, encerrando a solenidade.

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